Um ex-colaborador da área de segurança da OpenAI, criadora do ChatGPT, manifestou críticas severas à maneira como a companhia gerencia a segurança da inteligência artificial (IA). De acordo com David Robinson, que recentemente deixou a organização, a cultura de desenvolvimento extremamente rápida está elevando o risco de ocorrência de falhas.
Em um artigo divulgado na revista americana «The Atlantic» neste sábado (3), Robinson declarou que as corporações de IA, incluindo a própria OpenAI, não estão demonstrando o nível de cuidado adequado. Ele defendeu que essas empresas devem dedicar mais tempo e recursos aos especialistas em segurança e à pesquisa antes de avançarem com sistemas mais sofisticados.
Robinson enfatizou que o período de testes e erros deve terminar, argumentando que os sistemas avançados de IA necessitam de protocolos de segurança comparáveis aos utilizados em setores críticos como a aviação e a energia nuclear. Ele também criticou a metodologia da OpenAI conhecida como «implantação iterativa», que consiste em lançar sistemas e só então fortalecer as salvaguardas conforme os problemas surgem.
Tanto a OpenAI quanto sua concorrente, a Anthropic, já foram alvo de questionamentos devido a incidentes em que os mecanismos de segurança falharam ou quando sistemas experimentais exibiram comportamentos imprevistos. David Robinson relatou ter trabalhado na OpenAI por três anos e meio, período em que auxiliou na criação da estrutura de gestão de riscos da empresa e fiscalizou os relatórios de segurança de doze lançamentos de modelos avançados.
Ele observou que, enquanto a empresa acelera de um lançamento para o outro, ela não consegue alcançar o grau de diligência que ele considera essencial. Em resposta, a OpenAI comunicou que seu objetivo é impedir que seus modelos se tornem mais avançados do que a empresa consiga gerenciar com segurança, afirmando que «pausamos o treinamento ou suspendemos os modelos quando precisamos diminuir o ritmo».
Adicionalmente, David Robinson alertou que o progresso das capacidades da IA está superando o conhecimento dos pesquisadores sobre o conceito de «alinhamento», que é a área focada em garantir que os sistemas de IA operem em conformidade com os valores e objetivos humanos.
Esta não foi a primeira vez que um funcionário levantava preocupações sobre as empresas de inteligência artificial. No mês anterior, um ex-pesquisador que migrou da OpenAI para a Anthropic denunciou ambas as empresas americanas por estarem «brincando com nossas vidas». Jacob Coxon, um cidadão britânico de 27 anos, dedicou os últimos três anos ao pré-treinamento, fase em que os modelos de IA assimilam vastas quantidades de dados, primeiramente na OpenAI e, posteriormente, em sua principal rival, a Anthropic.
Coxon expressou sua opinião na rede social X, alegando: «Nenhuma das empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas».
