Projeto Casa Monte Alvo da NOZ Arquitectura preserva a tradição arquitetônica do Alentejo
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Projeto Casa Monte Alvo da NOZ Arquitectura preserva a tradição arquitetônica do Alentejo

A equipe de projeto descreveu que a arquitetura tradicional da região do Alentejo é caracterizada pela sobriedade das formas, pela funcionalidade dos espaços e por uma forte ligação com o clima e a paisagem local.

Situada no topo do Monte Alvo, a residência foi projetada em planta térrea para otimizar a captação da luz solar e assegurar o conforto térmico durante todos os meses do ano.

Elementos como o telhado inclinado coberto com telhas cerâmicas, as paredes caiadas de branco, a alvenaria robusta e as chaminés remetem à construção regional, mas são reinterpretados no contexto contemporâneo. As chaminés, cruciais para a identidade da casa, cumprem funções além da exaustão de fumaça, promovendo ventilação natural, resfriamento passivo e introduzindo luz difusa, diminuindo a necessidade de sistemas artificiais.

O arco, um recurso vernáculo utilizado de maneira simples, foi reintegrado para demarcar acessos e estruturar o espaço interno. Um eixo central percorre toda a edificação, ligando as fachadas laterais e os setores internos. Na área da cozinha, o arco se estende até um teto curvo, conferindo continuidade à organização espacial.

Historicamente, o prédio original abrigava diversas famílias, contendo cinco habitações autônomas dentro de um mesmo volume, cada uma com sua própria porta de entrada. Este histórico serviu de base para o novo projeto, que buscou manter e reinterpretar o caráter comunitário e familiar do local. A nova configuração divide-se em três unidades independentes, cada uma com acesso particular, possibilitando o uso por múltiplas gerações da mesma família, enquanto preserva uma sensação de unidade.

O projeto mantém um diálogo contínuo com o meio ambiente circundante. Duas grandes aberturas intensificam a interação com a paisagem, permitindo uma convivência direta com o exterior. A decisão de pontuar o volume predominantemente com portas garante uma permeabilidade constante entre o interior e a natureza.

A sustentabilidade em Monte Alvo baseia-se em estratégias passivas e infraestruturais meticulosamente planejadas e ajustadas ao clima quente e seco do Alentejo. A face voltada para o sul é protegida por uma pérgula feita de palha, oferecendo sombreamento natural e limitando a incidência solar direta. As aberturas foram dimensionadas e dispostas para maximizar a ventilação cruzada, o que minimiza o gasto energético. Além disso, foram empregados materiais locais, como pedra e cal, visando garantir a inércia térmica e reduzir o impacto ecológico.

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A residência busca uma presença discreta no território, posicionando-se entre a via de acesso e a paisagem, e entre a lembrança das ruínas e uma nova maneira de viver. Ela se estende inteiramente em um único pavimento, assentando-se sobre um terreno com inclinação suave, quase imperceptível. A cobertura plana contribui para reforçar a horizontalidade da estrutura e diminui a visibilidade do volume arquitetônico na paisagem.

Apesar de estar próxima a uma estrada nacional, a disposição rebaixada da construção e a vegetação existente ao redor do perímetro proporcionam um ambiente de abrigo e privacidade, características que o projeto se propõe a preservar e intensificar.

A concepção espacial deriva da ideia de refúgio. A entrada principal, juntamente com a nascente, direciona para uma sucessão de ambientes que incluem quatro dormitórios, três banheiros, cozinha, sala e lavanderia/despensa. Todos esses espaços são dispostos em torno de um pátio central voltado para o sul e poente, que funciona como o coração da casa. Este espaço externo, marcado por uma pérgula e uma piscina, é o ponto de convergência dos principais cômodos internos e estabelece uma ligação constante entre arquitetura, iluminação e o terreno.

A natureza também é incorporada ao interior do imóvel. Nas fachadas mais reservadas, a vegetação assume um papel arquitetônico, servindo para emoldurar certas vistas, filtrar a incidência solar e criar distintos níveis de privacidade. Jardins de ocultação protegem as áreas mais íntimas sem romper seu contato direto com o exterior.

A escolha dos materiais visa prolongar essa proximidade com o local. Internamente, a paleta de cores e texturas é composta por tijoleira, microcimento, travertino, madeira e mármore, apresentando tons naturais e minerais, complementados por ferragens e metais em tons acobreados. No exterior, o branco das paredes e os tons beges das esquadrias e portas reforçam a sensação de luminosidade e simplicidade geral do conjunto.

No nível superior, o terraço oferece uma perspectiva diferente da paisagem. Após a intimidade proporcionada pelo pátio, a casa se abre para o horizonte, criando um local ideal para apreciar o entardecer e observar, à distância, a Ilha do Pessegueiro.

Em suma, a casa equilibra abrigo e abertura, memória e paisagem, buscando ocupar o espaço sem dominá-lo. A intervenção utiliza as restrições inerentes ao território como princípio fundamental do projeto, almejando construir uma arquitetura silenciosa, integrada ao cenário e respeitosa da história do local.

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Em vez de aumentar a complexidade, a intervenção se concentrou em eliminar o supérfluo. O núcleo da casa transforma-se em uma paisagem fluida de convívio, unificando sala de estar, sala de jantar, cozinha e terraço em um único espaço conceitual. Amplas aberturas conectam o interior ao exterior, fazendo com que o terraço funcione como um cômodo acessível ao céu, e não apenas como um anexo.

O layout foi organizado mediante uma progressão moderada entre as áreas sociais e as privadas. A zona social é caracterizada por ser aberta, flexível e espaçosa, servindo como local para reuniões, trabalho e atividades compartilhadas. Em contraste, os dormitórios proporcionam um ambiente mais protegido, projetados para serem locais de repouso, foco e introspecção.

A escolha dos materiais reflete o mesmo princípio de moderação. A madeira de nogueira confere calor e continuidade visual, enquanto a estrutura de concreto original é preservada e exposta, conferindo uma presença física autêntica. Superfícies neutras atuam como um pano de fundo calmo para a luz natural, permitindo que suas variações ao longo das horas se integrem à própria arquitetura. Cada elemento material foi mantido próximo ao seu estado natural, aceitando o desgaste e a passagem do tempo como parte inerente ao seu caráter.

A Casa Brasília não deve ser vista meramente como uma reforma tradicional, mas sim como uma nova maneira de habitar. É um lar cuja identidade reside na clareza, e não no excesso; um espaço atemporal, maleável e sensível aos hábitos da vida diária.

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