O projeto do Edifício Criativo Levanger, desenvolvido por Incube Architecture e Praksis Arkitekter, baseia-se em uma abordagem pedagógica e arquitetônica inspirada na Escola Lecoq de Paris. Essa filosofia orientou a criação de um espaço que interage ativamente com seu entorno e com o processo de aprendizado, resultando em uma arquitetura que harmoniza natureza, movimento e adaptabilidade.
Um elemento central desse design é a sala principal, configurada como black box/white box, capaz de ser banhada por luz natural através de amplas fachadas de vidro, integrando a paisagem e a luminosidade do dia aos ensaios e apresentações.
Este novo edifício foi concebido para servir como um ponto de referência para a Faculdade de Formação de Professores e Atores (FLU) da Universidade Nord. Além disso, ele estabelece ligações cruciais com outras edificações do campus, reforçando a identidade, facilitando a orientação e melhorando a acessibilidade do local por meio de novas passarelas climatizadas e conexões internas.
A sustentabilidade foi um pilar fundamental durante todo o desenvolvimento do projeto. O edifício foi planejado para cumprir os critérios de casa passiva, incorporando soluções de alta eficiência energética, otimização da iluminação natural e emprego de materiais com baixa emissão. Este objetivo exigiu um equilíbrio delicado, visto que o conceito arquitetônico previa grandes superfícies envidraçadas voltadas para o fiorde. Para mitigar o impacto dessas fachadas transparentes, foram implementadas estratégias compensatórias em outras áreas, utilizando sistemas energéticos passivos e ativos para assegurar baixo consumo e redução de gases de efeito estufa sem prejudicar a qualidade espacial.
A materialização dessas metas trouxe consigo diversos obstáculos técnicos e regulatórios. Alcançar o padrão casa passiva foi particularmente desafiador, especialmente considerando a necessidade de pé-direito elevado, essencial para atividades teatrais. A inserção do novo prédio nas estruturas já existentes do campus demandou intervenções complexas, como a transformação de uma antiga garagem subterrânea em áreas de apoio e uso comum, além da necessidade de construir novas fundações sob partes pré-existentes.
Adicionalmente, as rigorosas exigências de segurança contra incêndio e acústica para os espaços de performance elevaram a complexidade do projeto. Também foi necessário integrar arquibancadas móveis, salas de ensaio multifuncionais e tecnologia de palco especializada. O projeto requereu ainda permissões especiais no plano de zoneamento municipal, obtidas através de um diálogo próximo com as autoridades locais, garantindo que o edifício mantivesse a escala, o caráter e as linhas de visada da paisagem circundante.
No que tange às técnicas construtivas e materiais, o projeto mescla uma nova construção com a adaptação de instalações já presentes. As modificações estruturais realizadas no antigo subsolo de estacionamento foram vitais, possibilitando a criação de fundações sólidas e uma infraestrutura compartilhada que suporta as novas funções nos andares superiores. Os sistemas técnicos em toda a edificação foram desenhados para oferecer máxima flexibilidade, permitindo que as salas sejam usadas tanto para ensino quanto para apresentações com ajustes mínimos.
A seleção de materiais priorizou a durabilidade, a responsabilidade ambiental e baixas emissões, enquanto o uso extensivo de vidro assegurou fortes vínculos visuais com a paisagem e introduziu luz natural aos interiores. A disposição espacial fomenta a criatividade, a interação e a flexibilidade. O salão principal serve tanto como local de ensaio com piso nivelado quanto como palco para apresentações, dispondo de arquibancada retrátil para entre 160 e 200 espectadores, bastidores, depósitos e camarins. Três grandes salas de ensaio e áreas de convívio se conectam aos prédios existentes do campus, apoiando a colaboração e o ensino. Um anfiteatro interno segue o declive natural do terreno, e passarelas climatizadas garantem a acessibilidade universal, enquanto as grandes fachadas de vidro abrem o edifício para o fiorde, proporcionando vistas inspiradoras e iluminação natural.
