Gabriel Francisco Novaes, um menino de 4 anos, que foi admitido em uma comunidade internacional para superdotados há quase um ano, continua a impressionar com seus conhecimentos e questionamentos, que são considerados atípicos para sua faixa etária.
Sua superdotação foi detectada em uma avaliação que indicou um Quociente de Inteligência (QI) de 132, um índice acima da média. Além disso, o menino já possui familiaridade com sete idiomas, alguns utilizando alfabetos distintos do português, como o grego e o russo.
A mãe, que é professora do ensino fundamental, relata que, apesar do avanço, Gabriel mantém seu jeito característico, sempre trazendo perguntas consideradas incomuns. Ela citou um exemplo recente em que ele questionou o motivo da morte de Jesus na cruz e por que ninguém o ajudou a carregar.
Adicionalmente, Gabriel demonstrou grande apreço por figuras de linguagem, notadamente a ironia. Segundo a mãe, ele gosta de fazer comentários irônicos e, posteriormente, esclarecer que sua fala foi sarcástica. Ele também demonstra habilidade em compreender significados implícitos através de expressões faciais.
Em termos de aptidões, o menino realiza operações matemáticas complexas para sua idade, como potenciação e raiz quadrada. Apesar disso, ele permanece matriculado em uma escola pública, convivendo com colegas da mesma idade e seguindo o currículo esperado.
Evolução e desafios na escola
A mãe mencionou que Gabriel progrediu significativamente na creche, e a professora observou uma melhora notável em sua socialização. No entanto, a família expressa preocupação com o risco de ele deixar de ser criança. A professora tenta auxiliar, mas devido às limitações da escola pública e da faixa etária, ela não consegue prover o ensino de tópicos como raiz quadrada.
Inicialmente, a ida à escola era vista pelo menino como uma tarefa tediosa. Contudo, com o suporte da professora e do psicólogo, a rotina escolar tornou-se mais agradável. A mãe destacou que a maior transformação percebida no último ano foi a evolução social do filho, lembrando que ele começou sem entusiasmo pela pré-escola, mas passou a brincar muito após a intervenção da professora.
Aprendizados em casa
Visto que a escola não oferece atividades adequadas ao nível de conhecimento de Gabriel, a mãe utiliza sua experiência como professora para estimular novas competências em casa. As atividades incluem exercícios de matemática, leitura e jogos de raciocínio lógico. Eles criaram materiais de estudo e ela o ensinou a pesquisar, chegando a coletar plantas e usar imagens no Google para determinar nomes científicos.
A família também frequenta ambientes externos para que ele explore sua curiosidade e amplie seus saberes. Um exemplo citado foi uma visita a uma cachoeira, onde ele analisou o solo e a temperatura da água. A mãe complementa que busca suprir aspectos emocionais com jogos específicos, algo que a escola não consegue oferecer.
O pai, mencionado como Kelidy, desempenha um papel crucial no desenvolvimento infantil, sendo responsável pelas atividades lúdicas, como ensinar a andar de bicicleta, jogar futebol e soltar pipa. A mãe resume essa divisão dizendo que ela cuida do aspecto cognitivo, enquanto o pai foca nas brincadeiras infantis.
Kelidy também ressaltou o aspecto positivo da integração social de Gabriel na escola. Em casa, a mãe enfatiza a importância de ele respeitar os colegas, mesmo tendo um conhecimento superior. A professora incentiva a interação, permitindo que ele aprenda paciência e conversação. Gabriel tem demonstrado felicidade com isso e compreende as diferenças, sem menosprezar os outros. Ele chegou a ajudar uma colega a escrever seu nome, guiando-a com pontilhados.
Histórico do diagnóstico
Gabriel foi aceito na Mensa International, reconhecida como a mais antiga organização mundial para indivíduos com alto desempenho intelectual. Inicialmente, a mãe notou conhecimentos incomuns quando ele tinha um ano; ao imprimir o alfabeto, ele já falava as letras em português e inglês, aprendendo a pronúncia em inglês antes do português.
Posteriormente, o menino surpreendeu a família ao assistir e cantarolar um vídeo em um idioma desconhecido, que a inteligência artificial identificou como russo. Desde então, ele demonstrou familiaridade com inglês, português, grego, armênio, russo e Libras.
Ao investigarem a superdotação, a família descobriu que ele possuía uma idade mental equivalente a cerca de seis anos, o dobro de sua idade real. Kelidy relatou que, mesmo aos três anos, ele se comunicava com vocabulário formal e incomum em interações com adultos.
Critérios para identificar superdotação
Conforme a Mensa Brasil, existem várias características em crianças que podem indicar superdotação. Estas foram estabelecidas pela Secretaria da Educação Especial do Ministério da Educação (MEC) em 2006. Entre elas estão o alto repertório de vocabulário, grande curiosidade, liderança, ótima memória, criatividade, facilidade de aprendizado e alfabetização precoce.
A comunidade especializada considera o conceito de superdotação polêmico e mutável. Portanto, é imprescindível realizar uma bateria de testes e consultas com profissionais qualificados para uma avaliação precisa. Essa avaliação deve abranger testes de inteligência, anamnese detalhada (incluindo informações sobre gravidez e parto), e o uso de outros testes neuropsicológicos conforme os relatos de pais, escola e observações clínicas.
