Mais de novecentos antigos colaboradores da Oi estão aguardando o recebimento de indenizações estabelecidas em um acordo judicial. Embora os trabalhadores esperassem o depósito da primeira parcela em setembro, até o momento o valor não foi creditado.
Em seu auge, a Oi foi a maior operadora de telefonia da América Latina. A companhia nasceu da privatização da Telebrás e chegou a contar com 70 milhões de clientes no país e 15 mil funcionários diretos.
Contudo, devido a uma sucessão de problemas administrativos e dívidas bilionárias, a empresa passou a enfrentar processos de recuperação judicial, uma crise que perdura há aproximadamente dez anos.
Falência da operadora
No mês anterior, a Justiça oficializou a falência da operadora, que possuía débitos com mais de 160 mil trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviços. Para garantir a continuidade de serviços vitais, como chamadas para polícia, bombeiros, Samu e até mesmo para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) durante o período eleitoral, o quadro de pessoal foi reduzido pela metade.
Cerca de 900 trabalhadores dispensados firmaram um pacto para receber suas verbas rescisórias de maneira parcelada. No entanto, nenhum pagamento foi efetuado até agora. O advogado e ex-funcionário da Oi, Caio Marcius Simões, relatou: «As primeiras pessoas que foram desligadas em 18 de agosto deveriam ter recebido a primeira parcela e os 40% do Fundo de Garantia no dia 17 de setembro e até o momento não pagaram nada».
O acordo, negociado entre a administração judicial da empresa e os sindicatos com aprovação da Justiça, estipula o pagamento dos montantes pendentes em seis parcelas mensais para aqueles com salário de até R$ 5 mil, e em dez parcelas para os demais. Além disso, está prevista a multa de 40% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cujo pagamento integral ocorrerá em prazos que variam entre 30 e 120 dias, dependendo da faixa salarial.
Apesar disso, a Justiça ainda não validou os pagamentos. José Evaristo Santos Cruz, técnico em Telecomunicações com quase vinte anos de serviço na Oi, enfrenta o risco de despejo por não conseguir cobrir suas dívidas. Ele declarou: «Eu moro de aluguel, tenho dois meses atrasados, tô com uma ordem de despejo, e eu não tenho condições de pagar. A água tá atrasada, a luz tá atrasada. Enfim, a barriga também tá roncando porque tem um mês que a gente tá esperando esse dinheiro.»
O que dizem os citados
A própria Oi comunicou que somente se manifestará nos autos do processo. Por sua vez, o Tribunal de Justiça informou que ainda podem surgir novas deliberações sobre o caso, as quais não podem ser adiantadas devido a restrições legais. Foi esclarecido que o repasse das parcelas dependerá da capacidade financeira da Oi.

