Cantora condenada por paródia de música é convidada a ser jurada em festival nativista no Rio Grande do Sul
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Cantora condenada por paródia de música é convidada a ser jurada em festival nativista no Rio Grande do Sul

A cantora e instrumentista Clarissa Ferreira foi anunciada como membro do júri do 37º Reponte da Canção, um dos principais eventos nativistas realizados em São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul. Esta nomeação ocorre apesar de a artista ter sido condenada pela Justiça em um processo ligado à gravação de uma paródia considerada obscena da canção «Céu, Sol, Sul», originalmente de Leonardo.

Clarissa integrará a Comissão Julgadora da linha «campeira», juntamente com Karaí Guedes e José Carlos Batista de Deus. O anúncio gerou diversas reações entre artistas, incluindo críticas como a de Pedro Henrique Pereira, que comentou em rede social: «Se perderam no que diz respeito a tradição». Houve também comentários de elogio.

A condenação da artista está diretamente ligada a uma versão da música «Céu, Sol, Sul», que posteriormente foi removida de suas redes sociais. Nesta versão, ela e outra musicista utilizaram termos obscenos no lugar da letra original, como no trecho: «É o meu louco fogo no c*, ó minha flor». O caso segue em trâmite judicial, e a defesa da cantora interpôs um recurso contra a decisão, cujo julgamento está agendado para 13 de outubro.

Em resposta ao convite, Clarissa Ferreira declarou a um blog que sua carreira justifica a participação, mencionando que já havia participado do Reponte como instrumentista e foi vencedora em 2009, ao lado do intérprete Luiz Marenco. A Comissão Executiva, Artística e de Divulgação do 37º Reponte da Canção justificou a escolha dos jurados com base em critérios técnicos, experiência artística e afinidade com a música e cultura regional.

Declaração de Clarissa Ferreira

Clarissa Ferreira enfatizou que seu histórico profissional fala por si, citando sua participação repetida no Reponte como instrumentista e sua vitória em 2009 junto a Luiz Marenco. Ela ressaltou sua longa conexão com os festivais, tanto como musicista quanto como pesquisadora da música do Rio Grande do Sul, o que lhe permite aceitar o convite com responsabilidade. Além disso, ela já integrou o corpo de jurados de outros importantes festivais regionais, como Tafona da Canção, Moenda da Canção e Carijo da Canção Gaúcha Instrumental.

Posicionamento da Comissão do Festival

A Comissão Executiva, Artística e de Divulgação do 37º Reponte da Canção esclareceu que a seleção dos membros do Júri foi feita considerando aspectos técnicos, trajetória e experiência artística, sobretudo a ligação dos convidados com a cultura regional. A escolha de Clarissa Ferreira para a Linha Campeira, ao lado de Karaí Guedes e José Carlos Batista de Deus, baseia-se em sua formação e percurso profissional. Ela possui bacharelado em Violino pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mestrado em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorado em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e realiza pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), além de ter lecionado em cursos de Música da UFRGS e UFPel.

Sua vivência com a música regional abrange aproximadamente dez anos em musicais de CTGs e festivais nativistas. Ela foi premiada no ENART em 2006 na categoria Violino e recebeu honrarias como instrumentista em eventos como Coxilha Nativista, Festival Guyanuba da Canção, Festival de Doma e Canto e Galponeira de Bagé. Em 2024, seu álbum autoral LaVaca conquistou cinco Prêmios Açorianos de Música, incluindo Melhor Álbum de Música Regional, Melhor Arranjo, Melhor Compositora e Melhor Intérprete.

Sobre a polêmica da paródia e o processo judicial, a Comissão entendeu que se trata de uma questão externa ao festival, que não invalida sua qualificação técnica. A Comissão não se propõe a julgar a controvérsia ou antecipar conclusões judiciais, focando apenas em garantir que a avaliação das composições siga os critérios do regulamento. Apesar de respeitar as críticas da comunidade artística, o festival mantém seus critérios técnicos para a composição do júri, reafirmando seu compromisso com a música regional gaúcha.

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