A Amazon Web Services (AWS) anunciou um aporte superior a US$ 1 bilhão, equivalente a cerca de R$ 5,2 bilhões, distribuído ao longo dos próximos cinco anos. Este investimento será direcionado a comunidades nos Estados Unidos que sediam seus centros de dados, visando financiar projetos focados em educação, qualificação profissional, otimização energética e conservação de recursos hídricos, conforme prioridades locais.
Este anúncio surge em um contexto de crescente resistência à expansão dos data centers no país. Embora essas instalações sejam cruciais para o suporte aos serviços de computação em nuvem e ao avanço da inteligência artificial (IA), elas têm sido objeto de questionamentos devido ao seu alto consumo de eletricidade e água.
De acordo com a Reuters, mais de cem propostas de moratória para novos data centers estão sob análise nos EUA. Estados como Indiana, Louisiana, Carolina do Norte, Virgínia e Mississippi estão entre as localidades elegíveis para receber os recursos desta nova iniciativa.
Programa Built Together
A Amazon nomeou este programa como Built Together. A empresa declarou que o objetivo é somar mais de US$ 1 bilhão ao montante que já é investido nas comunidades onde mantém suas operações de data centers.
Uma vertente do programa foca na diminuição dos custos energéticos. A Amazon planeja custear melhorias de eficiência energética em mais de 300 escolas e edificações comunitárias, além de beneficiar mais de 30 mil residências situadas em condados que abrigam seus data centers. Tais melhorias podem incluir a instalação de painéis solares, aquecedores de água, isolamento térmico, sistemas de climatização e bombas de calor.
A companhia estima que essas atualizações podem resultar em uma redução de 20% a 40% nas faturas mensais de energia, gerando uma economia média anual de aproximadamente US$ 700 (cerca de R$ 3,7 mil) por residência.
A iniciativa também engloba projetos hídricos. A Amazon mencionou ter contratado mais de 65 projetos de recuperação de água em comunidades adjacentes às suas operações globais. Esses projetos deverão retornar mais de oito bilhões de galões de água anualmente às comunidades, um volume que, segundo a empresa, excede mais do dobro da água consumida pelos data centers em 2025.
A AWS estabeleceu a meta de alcançar a neutralidade hídrica até 2030, o que implica devolver às comunidades mais água do que é utilizado em suas atividades operacionais.
Financiamento para Projetos Locais
O terceiro pilar do Built Together destina verbas para iniciativas definidas localmente. A Amazon informou que colaborará com fundações comunitárias e organizações sem fins lucrativos para canalizar recursos para as necessidades apontadas pelos próprios moradores e autoridades regionais. Entre os projetos potenciais estão melhorias em parques, estradas, instalações esportivas, segurança alimentar, moradia acessível, escolas e preparo para desastres. A empresa pretende disponibilizar milhões de dólares anuais para cada comunidade, embora o valor específico dependa das demandas locais.
Matt Garman, CEO da AWS, enfatizou a diversidade das necessidades, afirmando que «Cada comunidade é diferente. O que é mais importante em uma área rural do Oregon não é o mesmo que em uma região suburbana da Virgínia ou em uma cidade de médio porte de Ohio».
Adicionalmente ao aporte financeiro, a Amazon comunicou alterações na forma como lidará com as autoridades locais durante a construção dos data centers. A empresa decidiu não mais utilizar acordos de confidencialidade (NDAs) com órgãos governamentais envolvidos nos projetos. Além disso, ela se comprometeu a promover encontros públicos nas áreas de operação, divulgar informações sobre os projetos com antecedência e publicar relatórios anuais sobre o uso de energia e água.
Essa mudança ocorre em um momento em que moradores e autoridades de diversas regiões questionam os impactos dos grandes complexos de computação. O consumo de energia é uma das maiores preocupações, visto que os data centers voltados para cargas de trabalho de IA requerem vastas quantidades de eletricidade para manter milhares de processadores ativos continuamente. Os sistemas de refrigeração também podem demandar grandes volumes de água, dependendo da tecnologia empregada.
A Amazon assegura que negocia com concessionárias, reguladores e operadores de redes elétricas para garantir que os custos de energia e da infraestrutura necessária para seus data centers sejam arcados pela própria companhia.
Este programa comunitário acontece em paralelo a uma expansão de infraestrutura muito mais ampla da Amazon. A empresa já investiu US$ 276 bilhões (aproximadamente R$ 1,44 trilhão) em data centers entre 2011 e 2025. Para 2026, a previsão é de cerca de US$ 220 bilhões (aproximadamente R$ 1,15 trilhão) em despesas de capital, majoritariamente dedicadas à expansão de data centers e à infraestrutura necessária para a IA.
A magnitude desses investimentos ilustra a intensa disputa por capacidade computacional. Enquanto corporações como a Amazon expandem a infraestrutura essencial para desenvolver e oferecer serviços de IA, essa expansão gera debates sobre impostos, empregos, energia, água e os efeitos nas comunidades onde esses complexos são instalados. Para a AWS, os data centers representam uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento da IA; para as comunidades receptoras, a expansão implica gerenciar os impactos econômicos e ambientais dessas instalações.
