O BYD Dolphin Mini alcançou o terceiro lugar no ranking dos veículos mais vendidos no Brasil durante o mês de setembro, marcando a primeira vez que um carro elétrico ingressa no top 3 geral do mercado. O modelo registrou a venda de 9.385 unidades, ficando atrás apenas da Fiat Strada e do Volkswagen Polo.
O mercado de veículos leves brasileiro encerrou setembro com um total de 265.275 emplacamentos, o que representa um aumento de 1,6% em relação a agosto e supera em 14,5% os números de setembro de 2025. No acumulado de 2026, o volume atingiu 2.148.732 veículos, configurando um crescimento de 18,7%. Desse total, quase metade das vendas, especificamente 48,5%, ocorreu através do canal de venda direta.
Para a análise do ranking, foram utilizados dados da JATO Dynamics, que permite a comparação entre o ranking geral e o varejo sob a mesma base, embora existam pequenas divergências com a Bright Consulting. Por exemplo, o Haval H6 aparece com 6.433 unidades na Bright, enquanto a JATO registra 6.234 e o posiciona em 11º lugar.
No ranking geral, a Fiat Strada manteve a liderança com 16.002 unidades, seguida pelo Volkswagen Polo com 11.095. O BYD Dolphin Mini ocupou a terceira posição com 9.385 unidades, quase empatado com o Volkswagen T-Cross, que ficou em quarto com 9.339. Outros modelos no top 10 incluíram Volkswagen Tera (8.725), Fiat Argo (8.603), Fiat Pulse (7.150), Chevrolet Onix (7.133), Fiat Mobi (6.395) e Hyundai HB20 (6.314).
Observou-se que Strada e Polo permaneceram relativamente estáveis nas duas primeiras posições, mas houve grande movimentação abaixo delas em setembro. O Dolphin Mini avançou do quinto para o terceiro lugar e renovou seu recorde mensal. O T-Cross subiu da oitava para a quarta posição, enquanto o Tera recuou do terceiro para o quinto. O Fiat Pulse demonstrou forte ascensão, passando de 19º em agosto (com 4.775 unidades) para o sétimo lugar em setembro (com 7.150).
Ao segmentar as vendas diretas das vendas de varejo, o cenário se altera significativamente. Essa divisão refere-se ao faturamento realizado pelo fabricante ou pela concessionária, e não necessariamente à distinção entre empresas e pessoas físicas, visto que compradores como taxistas ou motoristas de aplicativo podem figurar em ambos os canais dependendo da forma de faturamento.
No canal de varejo, o Dolphin Mini assumiu a liderança com 5.886 unidades. O Volkswagen Tera ficou em segundo com 4.183, seguido pela Fiat Strada com 4.078. Outros modelos notáveis no varejo foram Caoa Chery Tiggo 7 (4.015), T-Cross (3.806), Toyota Yaris Cross (3.741), Omoda 5 (3.615), Fiat Toro (3.437), Hyundai Creta (3.409) e Volkswagen Polo (3.297).
O destaque do Dolphin Mini não se limitou ao terceiro lugar geral; ele também liderou as vendas de varejo com 5.886 unidades, embora este número não abranja todas as compras individuais, pois a BYD vende o Dolphin Mini a motoristas de aplicativo via venda direta.
As dinâmicas de Strada e Polo mostram diferenças notáveis: das 16.002 Strada vendidas, apenas 4.078 foram registradas no varejo, representando pouco mais de 25%. Similarmente, no Polo, 3.297 de 11.095 unidades foram vendidas no varejo, menos de 30%. Isso implica que aproximadamente três em cada quatro Strada e sete em cada dez Polo tiveram seu faturamento feito pela fábrica.
O caso do Hyundai HB20 é ainda mais acentuado: ele terminou em décimo lugar no ranking geral com 6.314 unidades, mas aparece apenas em 41º no varejo, com 1.069 unidades, indicando que mais de 80% de suas vendas mensais foram faturadas pela fábrica.
Em contraste, o Caoa Chery Tiggo 7 saltou de 21º no ranking geral para o quarto lugar no varejo, com 4.015 unidades vendidas no total e 4.015 no varejo. O Omoda 5 apresenta um dado curioso: a JATO registra 3.616 emplacamentos totais e 3.615 no varejo, classificando-se como o sétimo carro mais vendido neste canal, apesar de estar apenas em 25º no ranking geral. O Yaris Cross e o Creta também figuram entre os dez melhores no varejo, modelos que ficam fora do top 10 geral devido ao alto volume de vendas diretas de fabricantes como Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Hyundai.
Setembro concluiu com 22,9% dos veículos leves emplacados sendo eletrificados, um aumento em relação aos 11,4% do ano anterior. As marcas chinesas representaram 21,4% do mercado, comparado a 10,1% em setembro de 2025.
Vendas da RAM 1500 aumentam 73% com o retorno do V8
A demanda por motores potentes foi evidenciada pelo desempenho da RAM 1500: após a fabricante reintroduzir os motores V8 na picape, as vendas no último trimestre cresceram 73% em comparação com o mesmo período de 2025. O lançamento da Ram 1500 Rumble Bee, cuja versão de entrada possui um V8 de 5,7 litros, foi o principal catalisador desse interesse. A procura foi tão intensa que todo o estoque inicial se esgotou em apenas 90 minutos após o início das encomendas.
As primeiras entregas para os clientes sorteados estão programadas para ocorrer no quarto trimestre de 2026. Com este desempenho, a Ram se estabeleceu como a líder isolada no crescimento do grupo Stellantis no terceiro trimestre de 2026. Impulsionada pelo renovado interesse em picapes grandes e novas variantes de alta performance, a Ram viu suas vendas totais subir 29% no trimestre, enquanto a linha completa de picapes cresceu 34%. No panorama geral da Stellantis, isso resultou em um aumento de 3%, com 324.277 veículos vendidos no trimestre.
Além do avanço da Ram 1500 (+42%), outros modelos do grupo apresentaram bom desempenho, incluindo o Dodge Durango (+18%), o Jeep Grand Wagoneer (+14%) e a Chrysler Pacifica (+7%). O Jeep Cherokee Hybrid também registrou seu melhor mês de vendas em setembro. Michael Orange, responsável por vendas no varejo e desempenho de rede da Stellantis nos EUA, atribuiu esses resultados a uma «estratégia disciplinada em um mercado altamente competitivo».
Rezvani anuncia kit para transformar qualquer DCT em “manual”
Após o lançamento de supercarros por Koenigsegg e Ferrari equipados com câmbios de dupla embreagem e controles manuais, e com a Porsche demonstrando intenções semelhantes, o setor de acessórios (aftermarket) entrou na jogada. A Rezvani, conhecida pelo Rezvani Beast, anunciou que em breve disponibilizará um kit projetado para converter qualquer transmissão de dupla embreagem em um sistema denominado «manual». É importante notar que este não é um câmbio manual genuíno, mas sim uma interface com alavanca no formato H que simula a ação de troca de marchas.
Uma distinção crucial reside no fato de que, enquanto sistemas existentes incorporam um terceiro pedal para aumentar a credibilidade da experiência, o kit da Rezvani não incluirá esse componente. Desenvolvido pela Limitless Engineering, uma nova divisão criada por Ferris Rezvani, o dispositivo recebeu o nome de Quickshift. A intenção do empresário é «recuperar a sensação tátil e a nostalgia de mudar as marchas em um câmbio com grelha», mantendo, ao mesmo tempo, a rapidez de resposta e a eficiência das transmissões modernas.
Segundo a perspectiva da Rezvani, a indústria automobilística contemporânea oferece veículos extremamente velozes, mas perdeu a ligação emocional com o condutor, e esta inovação visa restaurar esse vínculo. Tecnicamente, a alavanca opera como um seletor eletrônico que se comunica com a unidade de controle do câmbio, possibilitando trocas e reduções com função de rev-matching (o conhecido «punta-tacco eletrônico»). A ausência do pedal esquerdo é proposital, pois o sistema promete ser totalmente reversível, podendo ser instalado em poucas horas sem necessitar de cortes ou alterações permanentes na estrutura do veículo. A primeira unidade funcional foi testada no console de uma Ferrari 458 Italia, mas a Limitless alega que o módulo é adaptável à eletrônica de praticamente qualquer carro com dupla embreagem no mercado.
Duas questões surgem ao analisar essa proposta. Primeiramente, o custo: a Rezvani nunca foi associada a projetos acessíveis, o que sugere que a conversão de um veículo como um Golf com dupla embreagem em um carro «quase-manual» seria financeiramente inviável. O segundo ponto é mais conceitual: sem o pedal de embreagem, a única alteração na experiência seria o som do clique ao trocar as marchas, o que talvez não justifique a perda da grande vantagem de uma caixa de dupla embreagem (trocas muito mais ágeis) em prol de apenas metade da vivência de um câmbio manual verdadeiro.
AC Schnitzer tem novo dono e escapa da falência
A tradicional preparadora especializada em BMW, AC Schnitzer, que enfrentava um risco real de encerramento, foi adquirida e, por enquanto, está segura. Fundada em 1987 em Aachen, Alemanha, a preparadora possui quase quatro décadas de experiência com veículos BMW, tendo desenvolvido projetos para Mini, Land Rover e motocicletas. No entanto, o aumento dos custos operacionais e as mudanças no mercado ameaçaram o futuro da empresa.
A preocupação se intensificou quando, em março deste ano, a AC Schnitzer comunicou o encerramento de suas operações até o final de 2026. Este anúncio foi motivado pela decisão do antigo controlador, o KOHL Group, de cessar a fabricação de componentes para focar exclusivamente em varejo e serviços.
A salvação veio com a aquisição efetuada pelo AM Group Holding BV, um conglomerado holandês focado em preparação e customização automotiva, que assumirá o controle oficial da marca a partir de novembro. Esta transição traz perspectivas positivas, pois a AC Schnitzer passará a fazer parte de um ecossistema que inclui especialistas em fabricação de peças em fibra de carbono (UBC) e uma das maiores distribuidoras do setor na Europa (GP Products), além de marcas parceiras de alto padrão como Urban e Heritage.
Embora a sobrevivência imediata esteja assegurada, o próximo desafio será de natureza gerencial. Para manter sua relevância diante de uma concorrência crescentemente acirrada, a renomada oficina alemã precisará reinventar sua presença no aftermarket, honrando seu legado histórico enquanto se adapta às exigências do cenário moderno.



