Projeto Pavilhão Terra / Studio Sangath: Conceito baseado nos níveis Terra e Céu
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Projeto Pavilhão Terra / Studio Sangath: Conceito baseado nos níveis Terra e Céu

O projeto Pavilhão Terra / Studio Sangath foi desenvolvido com base em duas condições distintas, porém interligadas: o Nível da Terra e o Nível do Céu.

O Nível da Terra está integrado à inclinação natural do terreno e abriga as áreas mais íntimas da residência. Este nível foi projetado como uma estrutura maciça e profundamente conectada ao solo, sendo intencionalmente voltado para o interior e com forte apelo tátil. O uso de concreto pigmentado confere a esta camada uma percepção de solidez e profundidade, acentuando sua ligação com a terra. Os espaços familiares e os quartos estão localizados neste ambiente mais reservado e introspectivo, onde a arquitetura parece emergir do próprio solo, em vez de ser imposta sobre ele.

Em contraste direto, o Nível do Céu foi concebido como uma estrutura marcada pela leveza. Uma vasta laje horizontal se projeta sobre a paisagem, sendo suportada por colunas metálicas esguias e paredes de concreto. Este nível não deve ser visto apenas como um piso fechado tradicional, mas sim como uma ampla varanda, uma plataforma coberta contínua destinada a atividades de convívio, reunião e observação da paisagem.

A utilização de vidro possibilita que as fronteiras entre o espaço interno e o externo se desfaçam, enquanto as varandas adjacentes estendem as zonas de convivência diretamente para o cenário natural. Os dois níveis apresentam características deliberadamente opostas: o Nível da Terra é caracterizado por ser sólido, fechado e enraizado, ao passo que o Nível do Céu é leve, aberto e suspenso.

A união desses elementos define a seção estrutural da casa. Um nível abraça a terra, enquanto o outro ascende em direção ao céu, permitindo que a paisagem flua entre e ao redor das estruturas. Assim, a arquitetura se manifesta menos como um edifício fixo no terreno e mais como uma interação entre dois estados primários — terra e céu, peso e leveza, fechamento e abertura.

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Em vez de aumentar a complexidade, a intervenção se concentrou em eliminar o supérfluo. O núcleo da casa transforma-se em uma paisagem fluida de convívio, unificando sala de estar, sala de jantar, cozinha e terraço em um único espaço conceitual. Amplas aberturas conectam o interior ao exterior, fazendo com que o terraço funcione como um cômodo acessível ao céu, e não apenas como um anexo.

O layout foi organizado mediante uma progressão moderada entre as áreas sociais e as privadas. A zona social é caracterizada por ser aberta, flexível e espaçosa, servindo como local para reuniões, trabalho e atividades compartilhadas. Em contraste, os dormitórios proporcionam um ambiente mais protegido, projetados para serem locais de repouso, foco e introspecção.

A escolha dos materiais reflete o mesmo princípio de moderação. A madeira de nogueira confere calor e continuidade visual, enquanto a estrutura de concreto original é preservada e exposta, conferindo uma presença física autêntica. Superfícies neutras atuam como um pano de fundo calmo para a luz natural, permitindo que suas variações ao longo das horas se integrem à própria arquitetura. Cada elemento material foi mantido próximo ao seu estado natural, aceitando o desgaste e a passagem do tempo como parte inerente ao seu caráter.

A Casa Brasília não deve ser vista meramente como uma reforma tradicional, mas sim como uma nova maneira de habitar. É um lar cuja identidade reside na clareza, e não no excesso; um espaço atemporal, maleável e sensível aos hábitos da vida diária.

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