Os moradores que ocupavam propriedades pertencentes à Transnet na Cidade do Cabo, onde foram descobertos túneis usados para armazenar drogas e mercadorias roubadas, perderam a tentativa de anular a decisão de despejo.
O Tribunal Superior do Cabo Ocidental negou a cerca de 281 moradores permissão para apelar da ordem de despejo referente aos imóveis da Transnet nos bairros de Woodstock e Salt River. O tribunal foi apresentado a provas de extensa criminalidade na área, incluindo estatísticas de crimes, concentração de atividade criminosa ao redor desses locais e resultados de inspeções.
Durante a inspeção, foi descoberto uma «série de túneis sob os imóveis ocupados, que supostamente eram usados para armazenar drogas e mercadorias roubadas». O juiz Wille determinou que as evidências apresentadas confirmam a conclusão de que essa ocupação funcionava como base para atividades criminosas.
Incapacidade de Provar
Os moradores alegaram que o município da Cidade do Cabo deveria provar que pessoas específicas que viviam nesses imóveis cometeram crimes específicos. No entanto, Wille observou que não se tratava de um processo criminal; a questão era se as evidências coletadas permitiam concluir que a ocupação servia de base para atividades criminosas e se isso tinha relação com a decisão sobre justiça e validade do despejo.
O juiz considerou as estatísticas de crimes, a proximidade da atividade criminosa, a presença de túneis e outras construções nas áreas ocupadas, bem como os resultados da inspeção. Contudo, o tribunal estabeleceu que os moradores se basearam em negações gerais e não conseguiram fornecer provas que apoiassem uma explicação alternativa.
Provas Convincentes
Wille afirmou que o Município apresentou «provas detalhadas e irrefutáveis de que a propriedade servia de base para um empreendimento criminoso». Ele acrescentou que «túneis sob a propriedade, usados para armazenar drogas e mercadorias roubadas, foram descobertos durante a inspeção no local».
Os moradores também contestaram o despejo alegando que não lhes foi fornecida moradia de emergência. No entanto, Wille indicou que o alojamento alternativo, embora importante, não é um requisito absoluto antes da concessão da permissão de despejo. A decisão do tribunal afirma: «Lembrei-me de que o desabrigo é uma consideração muito atual, e por isso reconheci que a moradia alternativa é um fator importante. Nenhum dos depoimentos apresentados pelos moradores afirmava que o despejo os deixaria sem-abrigo. Pode-se argumentar que isso foi inferido, mas nunca foi declarado».
Embora houvesse cerca de 281 pessoas envolvidas, após o tribunal solicitar informações adicionais, foram apresentados apenas 106 depoimentos adicionais. Alguns deles contradiziam as informações fornecidas pelo representante dos moradores, cujo depoimento continha rumores sobre as circunstâncias de vida de alguns moradores.
Dever
O juiz escreveu que «certamente os próprios moradores tinham o dever de apresentar suas circunstâncias pessoais ao tribunal, visto que essas informações estão exclusivamente sob sua alçada. O tribunal deu aos moradores uma oportunidade específica para apresentar essas informações». Os moradores também argumentaram que o Município possui terras e recursos para fornecer moradia de emergência.
Wille esclareceu que a questão não é se é possível encontrar terra em algum lugar na Cidade do Cabo, mas sim se há terra adequada disponível nas circunstâncias do caso. Na opinião de Wille, os moradores não conseguiram demonstrar chances realistas de sucesso ou outra razão convincente para apelação. Seu pedido de permissão de apelação foi rejeitado sem determinação de custas judiciais.
