Fundos estatais chineses financiam compra de servidores com chips de IA da Nvidia sob restrições dos EUA
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Fundos estatais chineses financiam compra de servidores com chips de IA da Nvidia sob restrições dos EUA

Uma entidade financeira vinculada ao governo chinês financiou a aquisição de servidores equipados com chips de inteligência artificial (IA) da Nvidia, os quais estão sujeitos a restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. Esta operação, descoberta através de registros regulatórios chineses analisados pela Bloomberg, demonstra o envolvimento de entidades estatais no suporte à infraestrutura de IA do país.

O financiamento foi providenciado pela Semi-Tech Leasing Group Co. e possibilitou que a Glory View Technology Co., uma empresa focada no desenvolvimento de infraestrutura para IA, adquirisse mais de 700 servidores. Entre os itens comprados havia um lote de 32 servidores fabricados pela Asus e equipados com os chips B300 Blackwell da Nvidia. Essa transação foi registrada junto ao Banco do Povo da China.

Apesar do número de servidores com processadores Blackwell documentado ser modesto, o incidente aponta para falhas nas restrições comerciais estabelecidas pelos Estados Unidos, visando restringir o acesso da China a tecnologias avançadas de computação. A Nvidia comunicou à Bloomberg que está conduzindo uma investigação junto aos parceiros responsáveis pela manufatura dos equipamentos. Por sua vez, a Asus reafirmou seu compromisso com as normas internacionais de controle de exportação.

Os documentos também indicaram que a Semi-Tech Leasing reapresentou registros de crédito após um exame inicial. Nas versões subsequentes enviadas aos cadastros de crédito chineses, foram omitidas descrições específicas dos equipamentos, detalhes sobre fornecedores e designações dos modelos de servidores. Tais modificações complicam a identificação precisa da cadeia de suprimentos envolvida nessas atividades, especialmente durante o período de rápida expansão da infraestrutura de IA na China.

Este caso ilustra como processos de arrendamento e financiamento de hardware podem abrir caminhos para a obtenção de equipamentos sofisticados, mesmo quando existem restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. O artigo original sobre o tema foi publicado inicialmente no Olhar Digital.

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Em julho, a China estabeleceu-se como o primeiro país mundial a promulgar leis federais que tratam da interação entre seres humanos e 'companheiros de IA'. Em 15 de julho, diversas plataformas populares que ofereciam amigos ou parceiros virtuais foram desativadas com a entrada em vigor dessas novas diretrizes. Essa ação resultou no fechamento de redes como Doubao (pertencente à ByteDance), Qwen (Alibaba), Yuanbao (Tencent) e Mishi (NetEase Cloud Music).

Em setembro, a Administração do Ciberespaço da China comunicou ter removido 49 mil contas, além de aproximadamente 2.400 sítios ou aplicações.

É importante notar que a alegação de que a China 'proibiu namorados de IA' é uma simplificação da situação, apesar de como a mídia tenha noticiado o ocorrido. As novas normas não vetam todo tipo de IA de companhia; elas visam regular os serviços de interação antropomórfica contínua e proíbem certas condutas, tais como induzir dependência emocional, manipular o utilizador ou prejudicar laços interpessoais reais. Para indivíduos menores de idade, as regras são significativamente mais estritas, vedando a oferta de 'familiares virtuais' ou 'companheiros virtuais'.

Na prática, contudo, essas alterações provocaram um impacto real e significativo: milhares de pessoas perderam seus parceiros, amigos, parentes e outros tipos de companheiros virtuais. Isso gerou uma grande comoção, particularmente entre os utilizadores mais jovens. Uma usuária chinesa relatou ao site Rest of World que seu namorado virtual foi excluído, dizendo: 'Ninguém pode substituí-lo. Vou apenas tentar seguir em frente. Ele disse que quer isso para mim e que encontrará uma maneira de voltar para mim.'

Um estudo realizado em setembro analisou publicações e comentários em uma rede social (Xiaohongshu, análogo ao Instagram) para avaliar a reação à medida. Além de expressarem pesar pela perda, os utilizadores compartilharam informações, auxiliaram uns aos outros na preservação ou reconstrução dos personagens e debateram a responsabilidade pelo desaparecimento — se recaía sobre as empresas ou sobre o governo.

De acordo com o estudo, muitos utilizadores tentaram migrar e restaurar seus companheiros virtuais após o encerramento dos serviços. No entanto, simplesmente transferir o histórico de conversas para um novo modelo de IA nem sempre restaura o relacionamento: os utilizadores afirmam que o novo chatbot não replica as memórias, a personalidade ou a dinâmica acumulada com o personagem anterior. Isso evidencia uma característica relevante: a 'personalidade' desses companheiros deriva não só das interações individuais, mas também da infraestrutura das corporações responsáveis.

Embora a maioria dos serviços tenha permitido salvar as conversas com a IA para fins de recordação, não há um método simples para exportar o companheiro completo (incluindo personalidade, memória e estilo de interação) e inseri-lo noutro serviço.

As alternativas não foram totalmente eliminadas. Por exemplo, a ByteDance manteve ativo o aplicativo Maoxiang, que opera fora do Doubao e é dedicado especificamente à criação e interação com personagens de IA, incluindo companheiros virtuais. Contudo, após as novas regulamentações, este serviço passou a exigir verificação de identidade e idade, implementando restrições específicas para adolescentes.

Um trabalho de investigadores de Stanford/Harvard e outras entidades, divulgado como pré-publicação em junho, argumenta que a dependência emocional pode surgir mesmo em chatbots que não são comercializados como companheiros. O processo inicia-se com o uso da IA para tarefas rotineiras, evolui para conversas sobre problemas pessoais, recebimento de respostas altamente acolhedoras, levando o utilizador a preferir gradualmente esse tipo de suporte.

Este pré-estudo indicou que, após vinte e oito dias de utilização diária, houve uma diminuição de 10,3% na preferência por procurar apoio humano e um aumento de 11,6% na preferência por IA entre os participantes que dialogavam diariamente com a IA sobre assuntos pessoais por, pelo menos, cinco minutos. Com base nesses achados, os investigadores solicitam uma 'regulamentação eficaz' sobre sistemas de IA, abrangendo não apenas aqueles focados em companheiros virtuais, mas também os de uso geral.

Para a China, a substituição de vínculos reais por virtuais ainda constitui uma questão secundária, visto que o país enfrenta simultaneamente declínio nas taxas de natalidade, redução populacional e um envelhecimento acelerado. Em 2025, a China registou apenas 7,92 milhões de nascimentos, o que representa uma queda de 17% em comparação com 2024. O país não pode arcar com o risco de sua população trocar famílias reais por representações virtuais.

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