Semanalmente, o programa Olhar Espacial apresenta duas imagens astronômicas notáveis da semana anterior. Na edição mais recente, foram exibidas uma impressionante fotografia de céu profundo e um registro de analema solar.
A primeira imagem abrange uma vasta porção da constelação do Cocheiro, uma área tão extensa que poderia conter mil luas cheias. Embora a olho nu, mesmo em uma noite sem poluição luminosa, apenas alguns pontos estelares sejam visíveis, esta fotografia, capturada após mais de duzentas horas de exposição, revela nuvens de hidrogênio ionizado (representadas em vermelho), oxigênio (em azul) e poeira estelar (em cinza).
Neste cenário nebuloso, observam-se bolhas formadas por finos filamentos, que são vestígios de supernovas. Estes elementos funcionam como fantasmas cósmicos, sendo restos de estrelas que explodiram há dezenas de milhares de anos, devolvendo parte de sua matéria ao espaço.
A segunda imagem consiste em um registro notável do analema solar. Esta figura geométrica em formato de "8" foi construída através da união de fotografias tiradas no mesmo horário, mas em datas distintas ao longo do ano. Ao ser montada, a composição ilustra as diversas posições aparentes do Sol durante o ciclo anual da órbita terrestre.
A geometria deste analema é determinada primariamente por dois fatores: a inclinação do eixo de rotação do planeta e a excentricidade de sua trajetória orbital. No momento em que a foto principal foi capturada, registrando os Callanish Stones, este templo monolítico, o Sol apresentava sua menor elevação em relação ao horizonte, o que sugere que a imagem foi tirada durante o solstício de inverno.
