A Casa Yuu' Kee', cujo nome em língua zapoteca significa 'riacho de pedra', foi projetada para refletir o riacho que percorre o terreno, separando a zona social da área particular da residência, conectadas por uma ponte.
O conceito arquitetônico consiste em uma sucessão de volumes que são revelados progressivamente conforme o percurso desce em direção ao mar. Em vez de se destacar contra a paisagem, o projeto busca se harmonizar com ela, assim como rochas naturais da montanha, adaptando-se meticulosamente à inclinação do terreno, desde a rua no nível superior até o pavilhão principal situado na beira do penhasco.
Neste ponto mais baixo, a arquitetura se estende longitudinalmente para aproveitar a melhor vista do Oceano Pacífico, criando um diálogo constante entre o interior do edifício e o horizonte.
O acesso ao local ocorre pela parte superior do lote. Um caminho pedonal sinuoso desce entre a vegetação, permitindo uma aproximação calma e reflexiva. Simultaneamente, um trajeto estreito possibilita a entrada de veículos menores até a seção intermediária do complexo, facilitando a chegada sem comprometer a experiência do trajeto.
Ambos os caminhos se encontram em uma pequena praça central que atua como ponto de distribuição. A partir dela, organizam-se as três áreas centrais do projeto: o pavilhão da casa principal e seus dormitórios, localizados na parte inferior do terreno, paralelos ao mar; a área de escritórios e serviços, ligada à praça de recepção; e, finalmente, os chalés de hóspedes, que ascendem em direção à colina, mantendo-se discretos para preservar a privacidade do conjunto.
O pavilhão principal é revelado após a descida da praça, passando por dois muros que enquadram estrategicamente uma abertura. Ao cruzar essa abertura, a vista para o oceano é revelada pela primeira vez. Descendo a escadaria, encontra-se um espelho d'água que direciona o olhar para a piscina infinita, que parece fundir-se com o oceano.
Este volume, concebido como um cubo flexível, pode ser completamente fechado, aberto através de venezianas que oferecem sombreamento e ventilação cruzada, ou ter suas portas de madeira totalmente abertas para se integrar sem barreiras à frente marítima.
A escolha dos materiais reforça a intenção de integração com o ambiente circundante. Grande parte dos insumos é proveniente da região: madeira de macuil para os caixilhos, guapinol para a estrutura, e pedra local ou de jazidas próximas para pátios e escadas. A cobertura do pavilhão principal adota a tradição local com uma palapa, enquanto as paredes, finalizadas em cimento queimado em tons terrosos, remetem à paleta de cores do entorno ao longo das diversas estações do ano.


