Impacto da Inteligência Artificial na cognição humana: especialistas debatem riscos e benefícios
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Impacto da Inteligência Artificial na cognição humana: especialistas debatem riscos e benefícios

A inteligência artificial generativa alterou profundamente a maneira como as pessoas realizam tarefas e concebem ideias. Atualmente, a tecnologia encontra-se na fase de "agentes de IA", onde ela executa ações por nós, superando a mera orientação. A eficácia dessa execução depende de variáveis como o custo de uso, a qualidade da instrução fornecida e o modo como a ferramenta foi desenvolvida.

Após o crescimento exponencial do ChatGPT no final de 2022, o portal Olhar Digital entrevistou diversos especialistas para analisar as consequências da IA no dia a dia.

Roberto “Pena” Spinelli, físico formado pela USP e especialista em Machine Learning pela Universidade de Stanford, classificou a IA como "a tecnologia mais poderosa e impactante de todos os tempos". Ele observou que a fase de assistentes, que ocorreu entre 2022 e 2025, foi apenas o começo; o verdadeiro avanço viria em 2026, quando essas IAs passassem a ser capazes de realizar tarefas diretamente no computador.

Pena apontou que, embora a IA elimine a fricção cognitiva e simplifique processos complexos, há um risco inerente. Contudo, ele também argumentou que o uso intelectual que antes era exclusivo dos humanos forçou o desenvolvimento do cérebro e das habilidades cognitivas. Ele alertou que, ao remover essa carga de trabalho, é natural que ocorra um déficit cognitivo.

Geovanni Borsetto, especialista em comunicação e marketing da Paschoalotto, afirmou que o avanço da IA generativa — aquela que produz textos, áudios e imagens — "mudou o ponto de partida de quase tudo". Segundo ele, a IA generativa reduziu drasticamente a dificuldade inicial de qualquer projeto, como superar a página em branco ou criar o primeiro esboço.

Sobre se esse encurtamento leva à estagnação mental, Borsetto respondeu que a ferramenta não torna ninguém burro, mas sim revela o modo de pensar de cada indivíduo. Ele destacou que quem já pratica o pensamento crítico utiliza a IA para aprimorar suas ideias, liberando tempo operacional para focar no estratégico. Em contrapartida, aqueles que buscam atalhos sem pensar correm o risco de atrofiar seus músculos mentais.

Pena reforçou essa ideia, sugerindo que, se a IA for usada como uma parceira de troca intelectual, ela pode ampliar o raciocínio e permitir a compreensão de assuntos complexos em menos tempo. Ele comparou isso a ter um "amigo Einstein no bolso", mas advertiu contra a tentação de deixar que ele resolva tudo.

A conclusão geral dos especialistas é que a IA generativa é meramente um recurso, não sendo intrinsecamente boa nem má. Dr. Heitor Felipe, médico e professor de neurologia na Afya Educação Médica Goiânia, listou os benefícios claros, como o vasto alcance e a alta capacidade de otimizar inúmeros processos. Como desvantagens, ele citou o perigo de delegar excessivamente à ferramenta, o que pode resultar na perda de um senso de agência.

O médico também enfatizou que algum tipo de esforço mental é essencial para o aprendizado, e entregar esse esforço integralmente à IA pode prejudicar o processo. Borsetto complementou que a IA introduziu atalhos tanto no ambiente de trabalho quanto nos estudos, áreas que tradicionalmente demandavam esforço cognitivo. Ele ressaltou que o esforço dedicado à estruturação do raciocínio é o que garante a real compreensão de um tema, e será necessário "reintroduzir esforço de propósito", assim como ocorreu com a alimentação.

Ao serem questionados sobre o uso ideal da IA, os especialistas apresentaram diretrizes distintas. Erich Silva, especialista em projetos de automação e COO da Lecom, aconselhou utilizar a IA com um objetivo definido, mantendo-se ativo no processo de raciocínio. Ele recomendou usá-la para economizar tempo, mas sempre revisando os resultados, e pedindo à ferramenta que aponte falhas em vez de apenas confirmar ideias.

Geovanni Borsetto definiu o uso saudável como tratar a IA como uma parceira de pensamento, e não como um oráculo. Deve-se empregá-la para agilizar tarefas operacionais e testar conceitos, mas mantendo a autoria e a decisão finais em mãos do usuário. Ele exemplificou que, ao refinar um rascunho gerado pela IA com seu olhar crítico e contexto pessoal, o resultado é mais produtivo e apurado, transformando a IA em um multiplicador para quem já possui boas habilidades de pensamento.

Roberto “Pena” Spinelli encerrou, sugerindo que, em situações como a entrevista, ele poderia usar a IA para debater suas próprias ideias, encontrar novas perspectivas, questionar vieses e refinar pensamentos, obtendo respostas mais rápidas e melhores, ao mesmo tempo em que aprimora sua própria capacidade cognitiva e expande sua visão de mundo.

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