Foco na América Latina: Arquitetura, habitação, memória e intercâmbio cultural em destaque este mês
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Foco na América Latina: Arquitetura, habitação, memória e intercâmbio cultural em destaque este mês

A arquitetura na América Latina neste período reflete um diálogo constante acerca da questão do habitar, do patrimônio cultural e das formas pelas quais a arquitetura consegue ligar a vida atual aos conhecimentos e locais já estabelecidos. Desde a Bienal Internacional de Arquitetura em Buenos Aires e as iniciativas focadas em métodos construtivos tradicionais e no patrimônio arqueológico, até novas infraestruturas culturais e empreendimentos habitacionais na Argentina, Equador e Peru, os desenvolvimentos recentes apontam para diversas metodologias de trabalho com os contextos regionais. Em toda a área, temas como memória, comunidade, paisagem e prática material continuam a influenciar tanto os projetos arquitetônicos quanto as conversas mais amplas sobre como as cidades e os territórios são ocupados.

Vida urbana: bienais, patrimônio e memória cultural

A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires está celebrando seu 40º aniversário com a 20ª edição, congregando aproximadamente 100 escritórios de arquitetura, 15 exposições, 50 conferências e 40 participantes internacionais vindos de mais de 55 cidades. Com programação gratuita de 22 de setembro até outubro, como parte do Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires, o evento centra-se no tema HABITAR, investigando a conexão entre indivíduos, arquitetura, cidades, territórios e comunidades. A exposição principal, realizada no Museo Nacional de Bellas Artes, é complementada por mostras que abrangem assuntos variados, desde a Antártida e a natureza até a obra de César Pelli e Diana Balmori, além de um circuito cultural estendido por toda a metrópole.

O enfoque no habitar também se manifesta em ações em outras regiões que tratam o patrimônio como um saber vivo. Em Valparaíso, Chile, o encontro Oficios en Obra reunirá mestres de ofício, profissionais do setor, instituições de ensino, entidades patrimoniais e comunidades locais entre 9 e 11 de outubro. O objetivo é analisar práticas construtivas antigas através de oficinas, demonstrações, debates e roteiros patrimoniais. Este encontro abrange a transmissão de ofícios como a carpintaria e a taipa, juntamente com novas tecnologias, construção sustentável e conservação.

Em Lima, por sua vez, a Red Lima Milenaria trabalha para obter o reconhecimento da UNESCO para um grupo de sítios arqueológicos pré-colombianos inseridos na cidade moderna — incluindo El Paraíso, Huaca Pucllana, a fortaleza de Campoy e trechos do Canal de Surco —, colocando em evidência como os locais históricos persistem na dinâmica urbana.

Instituições culturais e paisagens temporárias expandem narrativas latino-americanas

A infraestrutura cultural também sofre mudanças em Buenos Aires, onde o MALBA anunciou uma expansão subterrânea, concebida pelo Taller Frida Escobedo, como parte de sua programação de 25 anos. Este projeto, situado sob a Plaza República del Perú, dobrará quase o espaço expositivo do museu, adicionando galerias provisórias, um auditório, salas multifuncionais, oficinas, depósitos, escritórios e uma nova praça-pátio. Ao implementar a ampliação sob o parque, a proposta mantém o espaço público existente enquanto estabelece novas ligações entre o museu, a paisagem e as vias adjacentes. Essa expansão se soma à recente inclusão da Coleção Daros Latinamerica e deve ser inaugurada no final de 2029 ou início de 2030.

Uma abordagem distinta para a agenda cultural aparece no Macondo Park, uma paisagem efêmera desenhada pelo Bjarke Ingels Group (BIG), Komodo e Vampire para a temporada de Shakira em Madrid. Inspirado na cidade ficcional de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, o parque, com 185.000 metros quadrados, circunda o local dos shows e estende a programação por meio de áreas dedicadas à arte, dança, gastronomia, literatura, cinema e moda. Doze pavilhões temáticos e uma praça central são interligados por caminhos e mais de 500 árvores, formando uma paisagem cultural transitória paralela aos espetáculos. As estruturas foram montadas utilizando tecidos leves, andaimes modulares e componentes recicláveis, com planejamento inicial para sua desmontagem e reaproveitamento, enquanto as árvores serão devolvidas a viveiros locais após o término da temporada.

Projetos em destaque

Localizada no pântano de Monkul, Chile — um ecossistema costeiro reconhecido pela Convenção de Ramsar —, a Passarela e Mirante Kay Kay de Monkul, projetada por Gonzalo Verdugo e Carlos Seguel Arquitectos, oferece um caminho de madeira de baixo impacto. Isso possibilita que o público visitante experimente a paisagem minimizando qualquer interferência em seu ambiente delicado. A intervenção, que cobre 1.110 metros quadrados, segue a geografia do pântano por meio de uma passarela amarelada e totalmente acessível, munida de três mirantes com informações científicas e culturais. Desenvolvido em parceria com a Comunidade Mateo Nahuelpan, o projeto dialoga com o território ancestral e com a cultura Mapuche Lafquenche, ao mesmo tempo que cria uma sucessão de vistas, momentos de pausa e pontos de encontro. Sua construção reversível e instalação cuidadosa respeitam a paisagem existente, unindo interpretação ambiental, acessibilidade e patrimônio cultural em uma intervenção discreta.

Situado em Durán, cidade satélite de Guayaquil, Equador, o projeto La Colmena converte uma residência antiga dos anos 70 em um conjunto habitacional composto por três unidades, reconectando a moradia ao bairro vizinho. Em vez de ocupar todo o terreno de 10 por 20 metros, o projeto de 335 metros quadrados conserva a estrutura original e incorpora seis pátios que filtram a água da chuva e atuam como corredores climáticos, melhorando a ventilação e reduzindo as temperaturas internas em uma cidade sujeita a inundações sazonais. Um corredor planejado como extensão da calçada, terraços compartilhados, hortas e um espaço cultural-gastronômico conectam ainda mais as casas à rua, gerando locais para encontros e atividades produtivas. O emprego de blocos de concreto e madeira locais, aliado a técnicas artesanais tradicionais, fortalece a ligação do projeto com seu entorno imediato.

Residência KUSKA / Taller MACAA (Missão de Arquitetura, Construção e Arte nos Andes)

Localizada a 3.100 metros de altitude perto de Cusco, a Residência KUSKA, do Taller MACAA, reformula as tradições construtivas andinas em um refúgio moderno destinado a alguém dedicado à escrita e ao artesanato, além de acolher familiares, amigos e artistas em residência. O complexo de 400 metros quadrados é organizado em quatro volumes interligados que formam uma sequência de pátios, trilhas, galerias e áreas comuns, definindo distintas relações entre a vida particular, a comunitária e a paisagem circundante. Construída com paredes de adobe de 40 centímetros de espessura sobre fundações de pedra, e coberta por eucalipto e junco, a edificação usa materiais tradicionais para responder às variações térmicas da região. Adicionalmente, sistemas de energia solar, captação de água pluvial, biofiltro, biodigestor e banheiros secos permitem que a casa opere de forma autônoma em relação à infraestrutura convencional.

Eventos em Destaque

A XXX Bienal Colombiana de Arquitetura e Urbanismo, organizada pela Sociedad Colombiana de Arquitectos, marcará sua 30ª edição em 2026, dando continuidade a uma plataforma bienal dedicada ao registro e reconhecimento da arquitetura produzida na Colômbia. Esta edição ampliará seu escopo regional através da I Bienal Latino-Americana de Arquitetura da Colômbia, que fomentará o diálogo de projetos de toda a América Latina com a prática colombiana. Paralelamente, a VII Bienal Colombiana de Estudantes de Arquitetura dará destaque a pesquisas acadêmicas e projetos experimentais de arquitetos e arquitetas iniciantes. A bienal visa provocar uma reflexão sobre a arquitetura em relação aos seus aspectos urbanos, históricos, ambientais, sociais e culturais, reunindo profissionais, instituições, o meio acadêmico e o público em geral.

A Design Week Mexico retornará de 5 a 11 de outubro para sua 18ª edição, integrando arquitetura, design, artesanato e arte por toda a Cidade do México por meio de exposições, residências criativas, instalações, passeios guiados e outras atividades públicas. A edição de 2026 terá o Chile como País Convidado de Honra e o Oriente Médio e Norte da África como Região Convidada, com eventos em locais como Casa Ortega, Museu Nacional de Antropologia, G.56 Hub Creativo, Design House, Espacio CDMX e Lincoln Park. Como parte da programação, o ArchDaily também promoverá o evento Next Practices Live in Mexico na Design House, em 12 de outubro, reunindo vencedores do Next Practices Awards 2026 e ex-escritórios premiados sediados no México para debater o potencial de transformação e ação da arquitetura.

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A exploração arquitetônica realizada pelo Origin Architect fundamenta-se no profundo entendimento de diversos elementos, incluindo a geografia, as condições climáticas, pesquisas antropológicas, a história cultural e religiosa, além das técnicas construtivas utilizadas pelo povo Sushen.

Ao se afastar do padrão de construção universal que é dominado pelo concreto, este projeto busca dar continuidade à sabedoria ancestral relacionada à adaptação ao meio ambiente local. Isso é feito através da implementação de soluções renováveis e de baixo carbono, possibilitando o ressurgimento do charme de uma cultura antiga que estava sendo esquecida.

Galeria do Projeto

O projeto foi citado como «Restaurante Changbai Foothill Antler / Origin Architect» em 25 de setembro de 2026, conforme ArchDaily em Português.

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A equipe de projeto descreveu a Casa Amona, um projeto situado em um lote urbano localizado em San Cristóbal de las Casas, próximo a uma das principais áreas verdes da cidade. A residência foi concebida para manter uma conexão reservada com a rua, direcionando sua dinâmica interna para o interior do terreno. Diferentes aberturas e pátios foram utilizados para criar ligações visuais tanto com a paisagem ao redor quanto com os próprios ambientes da habitação.

Com uma área construída total de 155 m², o programa arquitetônico está distribuído em dois pavimentos, funcionando como um conjunto de unidades funcionalmente distintas. No piso térreo, encontram-se a sala de estar, a sala de jantar e a cozinha, formando um espaço contínuo que inclui um banheiro completo. A disposição deste nível permite que a sala de estar seja adaptada para funcionar como quarto principal sem grandes alterações estruturais, prevendo diversas formas de uso ao longo do tempo.

O andar superior abriga os espaços mais íntimos — quarto, estúdio e terraço —, os quais possuem ligação direta com as vistas oferecidas pelo morro. Adicionalmente, há um ateliê independente de 45 m², projetado para acomodar atividades artísticas e momentos de convívio familiar, contando ainda com seu próprio quarto e banheiro autônomo.

Este ateliê se abre para um pátio que foi organizado em torno de um freixo já existente. Neste pátio, a vegetação nativa e um pequeno lago formam um micro-habitat urbano que está integrado ao complexo residencial.

Em termos de materiais, o projeto utiliza alvenaria, tijolo aparente, adobe não estrutural e madeira de cipreste, sendo esta última fundamental em elementos como coberturas, caixilhos e móveis planejados. O acabamento com reboco caiado, combinado com a madeira e os pisos de lajota de barro, estende-se entre os espaços internos e externos, resultando em uma arquitetura pensada para envelhecer com dignidade.

O nome Amona, que possui o significado de avó na língua basca, reflete uma necessidade vital específica e batiza uma casa destinada a harmonizar a vida doméstica, o trabalho criativo e os encontros familiares.

Projeto Casa Bajura desenvolvido por MAPA Arquitectos LLC
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Projeto Casa Bajura desenvolvido por MAPA Arquitectos LLC

O desenvolvimento da Casa Bajura, realizado pela MAPA Arquitectos LLC, reflete as especificidades de construir na costa norte de Porto Rico. Este tipo de construção exige uma resposta direta a fatores ambientais como calor, alta umidade, salinidade, além de estar preparada para enfrentar furacões e inundações.

Na ilha, a arquitetura é intrinsecamente moldada pelas condições locais, incluindo os recursos e materiais disponíveis. Dessa forma, a residência surge integrada ao seu território, sendo guiada pelo clima, pela cultura e pelas características materiais regionais.

Este processo de design visa criar um ambiente que incentiva uma ocupação mais consciente do local, adaptando cada escolha de projeto às realidades insulares.

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