Devido às mudanças climáticas, o nível da água nos oceanos está em constante aumento. As consequências desse fenômeno não se limitam ao alagamento de terras costeiras. De acordo com um estudo publicado em 28 de setembro, o aumento do nível do mar pode dar aos muitos organismos marinhos não nativos a oportunidade de se espalhar por novas áreas.
Cientistas estudaram 122 espécies marinhas invasoras para determinar onde exatamente o risco de sua disseminação pode aumentar com o aumento do nível do mar. Segundo os dados do estudo, até 2050, o aumento do nível da água pode inundar cerca de 360 mil quilômetros quadrados de terras costeiras, e até 2100, esse número pode atingir 550 mil quilômetros quadrados.
Os especialistas acreditam que uma parte significativa dessas novas áreas aquáticas pode criar condições adequadas para a vida de espécies marinhas invasoras. Entre as 122 espécies estudadas estavam organismos como peixes, crustáceos, moluscos e estrelas-do-mar, muitos dos quais já se espalharam além de seus habitats naturais.
O estudo analisou quais novas regiões essas espécies podem alcançar após o aumento do nível do mar, com base em diferentes cenários climáticos. Os principais fatores para o aumento do nível do mar foram identificados como dois: a expansão do volume de água com o aquecimento e o derretimento de geleiras e calotas polares.
De acordo com as previsões do estudo, até 2050, o nível do mar pode subir em cerca de 20 centímetros, e até 2100, em 56 centímetros. Isso significa que, até 2050, cerca de 360 mil km² de zonas costeiras podem ser inundados, e até 2100, cerca de 550 mil km².
Os cientistas sugeriiram que dentro dessas áreas inundáveis pode se formar um ambiente favorável para a vida daqueles organismos marinhos que foram objeto de estudo, cobrindo uma área de 290 a 470 mil quilômetros quadrados.
O estudo identificou várias regiões mundiais onde existe um alto risco de disseminação dessas espécies marinhas. Essas áreas incluem a costa leste da América, a Baía do México, o Mar do Norte, a Baía da Guiné, o Golfo Pérsico, a Baía de Bengala do Sul e o sudeste da China e o norte da Austrália.
Estuários representam um perigo especial — locais onde as águas fluviais encontram as marinhas. Essas áreas têm conexão direta com o mar e são caracterizadas por alta atividade antropogênica. À medida que a água do mar avança, esses locais podem se tornar rotas para espécies invasoras.
Existem muitas espécies marinhas que já migraram para fora de seus locais de origem. Exemplos incluem a ostra do Pacífico na Europa, o caranguejo atlântico e o Wend Rapa Velk. O aumento do nível do mar pode fornecer a esses animais a oportunidade de chegar e se estabelecer em novas áreas, o que potencialmente cria problemas para as espécies locais, além de intensificar a competição por recursos e habitats.
O impacto das espécies invasoras vai além da fauna marinha; elas são capazes de transformar todo o ecossistema. Isso também pode afetar a pesca e outras atividades relacionadas às áreas costeiras. De acordo com o IPBES, em 2019, a invasão biológica resultou em perdas econômicas superiores a 423 bilhões de dólares em todo o mundo. Os cientistas enfatizam a necessidade de considerar a ameaça da disseminação de espécies invasoras no planejamento e monitoramento de zonas costeiras em relação ao aumento do nível do mar.
