Babaak Hajepasha sobre o papel e os deveres do cinema iraniano: guerra, infância e melancolia
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Babaak Hajepasha sobre o papel e os deveres do cinema iraniano: guerra, infância e melancolia

O diretor de cinema iraniano Babaak Hajepasha acredita que o cinema deve fazer mais do que apenas retratar sofrimento. Na sua opinião, um filme que aborda temas como guerra, morte de crianças ou tragédia social deve deixar perguntas aos espectadores, em vez de simplesmente provocar lágrimas.

Hajepasha, cujo filme 'Em Abraço à Árvore' foi apresentado pelo Irã ao Oscar de 2025, foca frequentemente em temas de família e crianças em seus trabalhos. Seu recente filme 'Terra dos Anjos' é dedicado às crianças em Gaza e participou de eventos internacionais, incluindo o Festival Internacional de Cinema 'Altyn Minbar' em Kazan, onde ganhou o Grande Prêmio por Melhor Longa-Metragem. Além disso, Hajepasha faz parte do júri do Festival Internacional de Cinema BRICS+ em São Petersburgo em 2026.

Em uma entrevista ao Tehran Times, ele discutiu a possibilidade de criar um filme sobre a recente tragédia em Minaeb, a dificuldade de retratar a morte de crianças sem reduzir o cinema a uma melodrama, sua decisão de filmar durante a guerra de 40 dias, bem como suas impressões de uma recente visita a Hiroshima. Ele também abordou a situação internacional do cinema iraniano, sua crítica anterior ao prêmio 'Oscar' e a alguns grandes festivais, e explicou por que a família permanece um dos temas que pretende explorar no futuro.

Além da Tragédia

Ao falar sobre a possibilidade de criar um filme sobre a tragédia em Minaeb, Hajepasha afirmou que estaria mais interessado em estudar as causas de tais eventos, em vez de apenas mostrar suas consequências destrutivas. Ele enfatizou que a sociedade deve questionar as razões desse sofrimento.

O diretor apontou para a perda de crianças em várias regiões do Irã, incluindo Minaeb, Lamerd, Tabriz e Kermanshah, durante a guerra recente. Ele observou que, embora cobrir o sofrimento das crianças seja importante, o cinema também deve investigar por que as crianças se tornam vítimas constantes de violência e conflitos. Essa preocupação foi central em sua pesquisa para 'Terra dos Anjos'. Durante o trabalho e conversas com palestinos, ele encontrou histórias que demonstravam o profundo impacto psicológico da perda de uma criança.

Hajepasha lembrou-se de uma conversa com um pai palestino que segurava seu filho quando este morreu. Segundo o diretor, o homem voltou repetidamente ao mesmo local, esperando ser morto também para se juntar ao filho. O pai dizia não entender por que havia sido deixado vivo. Para Hajepasha, tais histórias mostram que a morte de uma criança afeta muito mais do que a vítima imediata; ela deixa uma ferida psicológica na família e, em última análise, na comunidade mais ampla. No entanto, ele acredita que o cinema deve evitar transformar tal sofrimento em uma ferramenta de manipulação emocional.

De Lágrimas a Perguntas

É por isso que Hajepasha tem uma visão cautelosa sobre a criação de filmes sobre guerra e crianças que dependem inteiramente de emoções. Ele observou que se o simples retrato do sofrimento infantil fosse suficiente para mudar a reação mundial à violência, inúmeros filmes e documentários sobre Gaza e outros conflitos já teriam causado tais mudanças.

Ele declarou: 'Apenas falar sobre a dor que sentimos não nos leva necessariamente adiante. Devemos olhar para isso de um ponto de vista intelectual. Devemos procurar suas causas e perguntar aonde essa dor deve nos levar.' Para 'Terra dos Anjos', ele queria que os espectadores saíssem com uma pergunta. O espectador pode aceitar o fato da existência de combatentes, conflito militar e vítimas na guerra, mas a morte de milhares de crianças deve gerar outra questão: por que essas crianças são mortas?

Na sua opinião, essa questão pode abrir caminho para discussões mais amplas sobre o lugar das crianças na sociedade moderna, sobre a pressão exercida sobre elas e até mesmo sobre a diminuição da importância do nascimento de crianças em algumas partes do mundo. Hajepasha prefere esse tipo de cinema ao que simplesmente pede ao público para chorar. Ele enfatizou: 'Eu não quero fazer um filme só para que os espectadores chorem. Devemos valorizar o próprio filme. Deve haver outras razões para sua criação.' Ele citou técnicas da literatura dramática e do teatro épico, incluindo a distanciamento, que incitam o público a pensar sobre a obra, em vez de simplesmente ceder ao seu impacto emocional. O filme, segundo ele, deve permanecer no espectador como uma pergunta após a exibição.

Quando Fazer um Filme se Torna um Dever

A mesma ideia de responsabilidade fundamentou a decisão de Hajepasha de trabalhar durante a guerra de 40 dias. Naquela época, Teerã e outras regiões do país estavam em uma situação excepcional devido aos ataques aéreos dos regimes dos EUA e sionistas. Hajepasha observou pessoas de diversas profissões cumprindo deveres acima do normal: padeiros trabalhando horas extras, médicos e enfermeiras continuando o trabalho nos hospitais, e outros cidadãos encontrando maneiras de contribuir. Para ele e alguns colegas, a produção cinematográfica tornou-se mais uma forma de serviço.

'Às vezes fazemos filmes porque somos cineastas. Às vezes, como iranianos, temos outro dever nacional. Nesse momento, isso deixa de ser apenas produção cinematográfica. É uma forma de serviço', disse ele. Em circunstâncias normais, ele admitiria que iniciar a produção rapidamente sem preparação usual seria ilógico, mas sentiu que as circunstâncias exigiam uma resposta. 'Como alguém que trabalha na arte, eu senti responsabilidade. Meu instrumento é o cinema e a televisão.' Ele começou a trabalhar apenas alguns dias após o início da guerra e agora recorda essa experiência com satisfação. A razão, como ele explicou, não era necessariamente que os filmes fossem mais bem-sucedidos do que seus outros trabalhos, mas sim o sentimento de estar fazendo algo diretamente para seu povo. 'Estou feliz por, naquele período, em vez de ficar de lado, ter conseguido dar um passo.'

Hiroshima: Entre a Memória e o Espetáculo

Uma recente viagem a Hiroshima deu a Hajepasha outra oportunidade de refletir sobre como grandes tragédias humanas são lembradas. Ele visitou a cerimônia anual em memória das vítimas do bombardeio atômico de Hiroshima e achou a reunião visualmente impressionante e, do ponto de vista de um diretor de cinema, fascinante. No entanto, o evento deixou sentimentos mistos. Ele afirmou que a escala da tragédia parecia muito maior do que o que era transmitido na cerimônia. 'Senti que, em vez de expressar totalmente a verdade, estava assistindo mais a um show', comentou ele.

Hajepasha estendeu essa observação para a forma como o processo pacífico é às vezes apresentado no cenário internacional. Ele questionou a lacuna que pode existir entre instituições e governos que promovem publicamente a paz e os países cuja política contribuiu para conflitos em outros lugares. Mas sua experiência no Japão não o deixou apenas pessimista. Ele contou como encontrou pessoas comuns que pareciam genuinamente preocupadas com acontecimentos fora de suas fronteiras. Quando alguns japoneses descobriram que ele era iraniano, eles imediatamente mencionaram as vítimas da recente tragédia em Minaeb e outras vítimas iranianas. Ele disse que havia encontrado reações semelhantes em outros países e acredita que as pessoas comuns podem, em última análise, compreender tais tragédias mais profundamente do que a retórica política sugere.

Cinema Iraniano e o Circuito de Festivais Internacionais

Hajepasha também retornou aos comentários que fez durante a apresentação de 'Em Abraço à Árvore' como candidatura do Irã ao Oscar. Na ocasião, ele questionou se a qualidade artística exclusiva determina o sucesso internacional de um filme. Ele explicou que sua crítica não se referia apenas ao avanço de seu próprio filme na corrida pelo 'Oscar', mas também à posição mais ampla da arte e do cinema. Na sua opinião, considerações políticas, lobby e conexões podem influenciar algumas grandes instituições culturais internacionais. Ele também considera que a influência da política se tornou particularmente notável em alguns festivais de cinema. Isso não significa que ele considere todo o circuito de festivais internacionais politizado. Ele mencionou festivais realizados na Coreia do Sul, Marrocos, Egito, Armênia, Rússia e Turquia como aqueles que continuam a oferecer plataformas valiosas para cineastas. Hajepasha enfatizou que o cinema iraniano também ganhou reconhecimento internacional autêntico graças aos trabalhos de diretores como Asghar Farhadi e Majid Majidi. Ele argumentou que a qualidade de um filme individual não deve ser reduzida ao festival em que é exibido ou ao prêmio que recebe. 'Um único prêmio de festival não pode definir o valor de um filme', declarou ele.

Ele também acredita que os próprios cineastas não devem permitir que o desejo de reconhecimento internacional dite suas escolhas artísticas.

Família no Centro

As crianças desempenham um papel notável tanto em 'Em Abraço à Árvore' quanto em 'Terra dos Anjos', mas Hajepasha não se considera primariamente um cineasta de histórias infantis. Seu interesse mais profundo, segundo ele, é a família. Ele geralmente inclui crianças em seus filmes porque sua presença adiciona uma dimensão extra à história, mas em trabalhos futuros, gostaria de explorar a própria família com mais profundidade. 'Gostaria de fazer mais filmes sobre a própria família', disse ele, descrevendo-a como um dos fundamentos mais importantes e vulneráveis das sociedades humanas. Ele acredita que esta questão tem um significado especial no Irã, pois os laços familiares estão intimamente ligados à identidade cultural do país. O Irã não pode simplesmente replicar as mudanças ocorridas em outras sociedades. Os relacionamentos entre pais, filhos e família extensa têm um significado cultural especial na sociedade iraniana. Por essa razão, ele acredita que o cinema iraniano deve abordar os problemas enfrentados pelas famílias, em vez de ver as mudanças na estrutura familiar como inevitáveis.

'Faça um Bom Filme Primeiro'

Em breve, Hajepasha terá a oportunidade de analisar filmes sob outro aspecto do processo de criação cinematográfica, como membro do júri do Festival Internacional de Cinema BRICS+ em São Petersburgo. No momento da entrevista, os filmes do festival ainda não haviam sido enviados ao júri, portanto, ele ainda não os viu. Mas ele já sabia qual seria seu primeiro critério. Para Hajepasha, um filme deve ter uma história e um enredo convincentes, bem como elementos cinematográficos convincentes, como mise-en-scène e linguagem visual. Uma mensagem política ou social não pode compensar falhas na criação do filme. Ele é especialmente crítico em relação a filmes que, em sua opinião, foram criados primeiramente para transmitir uma mensagem. 'Se queremos criticar a sociedade, devemos primeiro fazer um bom filme. Se apenas gritarmos nossa mensagem para o público, o público perceberá imediatamente que o diretor tem uma agenda oculta.' O mesmo princípio se aplica a filmes com mensagens com os quais ele concorda. 'Um bom filme que discorda de nossas crenças pode, às vezes, ser menos prejudicial do que um mau filme que tenta promover nossas crenças.' Como membro do júri, Hajepasha declarou que sua tarefa prioritária seria a qualidade cinematográfica. 'Antes que um filme possa fazer o espectador acreditar em sua mensagem, ele deve fazer o espectador acreditar no próprio filme', concluiu ele.

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