Designers da Super utilizam técnicas manuais e experimentais em suas publicações
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Designers da Super utilizam técnicas manuais e experimentais em suas publicações

A revista Super destaca-se não apenas pelo seu conteúdo, mas também pela sua diagramação visualmente rica e marcante, resultado do trabalho de sua equipe de designers, que constantemente inova na representação das reportagens com artes variadas e criativas.

As imagens nas matérias podem ser geradas por diversos métodos, incluindo ilustrações, fotografia, colagens e modelagem 3D. Em muitos casos, os designers colaboram com artistas freelancers, sempre sob a supervisão da equipe da Super.

Antigamente, o formato impresso permitia maior investimento de tempo e recursos em artistas visuais com técnicas artesanais e específicas. Atualmente, embora a qualidade seja mantida, a contratação externa tornou-se mais desafiadora. Como resposta, a equipe interna é capacitada anualmente para incorporar essas técnicas, priorizando a contratação de especialistas externos quando possível.

Um exemplo notável é a edição de setembro da Super, onde duas matérias foram criadas manualmente através da combinação de diferentes processos pelos designers. Um destaque especial é a matéria sobre absinto, que teve uma abordagem inovadora: a diagramação foi projetada para ser lida após o leitor girar a revista em 90 graus.

Juliana Krauss, diretora criativa, comenta que, em sua visão, as revistas estão se assemelhando a discos de vinil, pois considera a interação física com o objeto um diferencial. Ela expressa o desejo de que os leitores interajam com a revista, citando o caso do absinto como um exemplo onde o leitor é forçado a virá-la para ler.

Cada designer detalha o processo de criação de sua respectiva matéria. Em momentos de inspiração intensa, a equipe de arte da Super testa abordagens fora do comum. Uma designer relatou ter sido afetada por esse impulso ao ler o texto de Pâmela sobre as mudanças mentais durante a maternidade, sentindo que o artigo merecia um acabamento mais delicado.

Essa necessidade a levou a se inspirar em uma matéria da revista vizinha, VC RH, onde Camila Leite havia feito ilustrações completas usando camadas de feltro. Ela consultou Juliana Krauss, diretora de arte, sobre a possibilidade de replicar algo semelhante. Juliana Krauss já havia acompanhado a designer em um projeto anterior, onde mini-alimentos em papel foram criados para uma reportagem sobre ultraprocessados, confirmando que o papel proporcionaria o acabamento desejado. Desta vez, optou-se por um formato 2D com camadas.

Após uma fase de ideação intensa (brainstorming), que gerou vários rascunhos, decidiu-se transformar a matéria em um flipbook, onde uma ilustração seria dividida em seções que afetariam um elemento central. Após definir as cenas e objetos, a designer criou uma versão ilustrada no Illustrator para facilitar a visualização e aprovação por Rafa, o editor-chefe, e Ju.

Com pequenos ajustes, ela começou a separar as formas em arquivos, organizadas por cor de papel e quantidade necessária para o corte. Embora uma máquina de corte seria mais prática, ela realizou o trabalho com um estilete de precisão. Após um longo período e grande volume de papel, as formas ganharam coesão ao receberem camadas, auxiliadas por fita banana.

Ao finalizar a montagem, ela e Juliana Krauss saíram da redação, na Editora Abril, procurando um local adequado e diferentes fontes de luz para montar um estúdio improvisado. Optaram por fotografar os fundos separados dos cérebros para ter maior controle na edição. Posteriormente, no Photoshop, as imagens foram unidas e pequenos detalhes foram ajustados, resultando no material pronto para ser aplicado no layout com o texto final.

Em outro momento, ao ingressar na Super, quatro meses antes, a designer recebeu sua primeira matéria na edição 491. A sorte lhe trouxe o tema absinto, ou a 'fada verde', e foi ao mergulhar neste assunto que descobriu fatos desconhecidos sobre a bebida e sobre o processo de criação na Super.

Iniciou a pesquisa sobre o tema, sendo conquistada pelo mistério da bebida. Reuniu referências gráficas, visuais e históricas, levando toda essa 'aura verde' a Juliana Krauss, diretora de arte da Super. Ela propôs inicialmente uma ideia simples: que a página de abertura tivesse uma orientação diferente, como retrato, exigindo que o leitor girasse a revista para ler, apresentando um rótulo elegante da bebida.

Juliana Krauss expandiu drasticamente a proposta, sugerindo: 'Por que só uma página? Por que não uma garrafa de absinto, atravessando as três duplas, e o leitor ir ‘passeando’ por ela conforme vira as páginas?'. A ideia foi aceita imediatamente.

Embora a intenção inicial fosse usar ilustrações e colagens físicas desde o início, a decisão de abraçar a manualidade ocorreu somente após um esboço digital. Na coleta de imagens para a colagem, surgiu a ideia de criar os elementos por ilustração a lápis, e Juliana Krauss sugeriu o uso de papéis coloridos em tons de verde como base.

O primeiro teste foi simples, mas gerou entusiasmo. A designer desenhou os componentes separadamente (garrafa, lacre, rótulo, taça, cubo de açúcar e mesa) em seu caderno, cortou à mão e montou ao lado da mesa de Juliana Krauss. Na mesma semana, um segundo protótipo foi apresentado em papel colorido, com ilustração em lápis de cor e nanquim, em escala menor, para avaliar o estilo geral.

Os testes iniciais diferiam do resultado final, pois o projeto evoluía a cada aprendizado e feedback. A designer também aprendeu muito, visto que a ilustração era um hobby, mas passou a considerar fatores como luz, sombra, proporção e textura em uma matéria real.

Fascinada pelo verde, ela adquiriu diversos tons de papel em papelarias e lojas de material artístico. Além disso, Carol, responsável pela outra metade do texto sobre maternidade, forneceu mais tons de verde de seu estoque. Assim, alguns elementos da matéria final foram feitos com papel usado na outra reportagem.

Ela descobriu gradualmente a melhor técnica de coloração: aplicava um tom intermediário de lápis de cor, seguido por um tom mais escuro para dar forma, e um ainda mais escuro para acentuar sombras, finalizando com um verde muito claro para as áreas de luz, e terminando com lápis preto. Este processo adicionava texturas, e cada tipo de papel reagia de maneira distinta às camadas de lápis.

Durante todo o processo, Juliana Krauss buscava implementar a diagramação em orientação vertical, o que destoava do padrão da revista. A cada avanço, era feita uma impressão para verificar legibilidade e estrutura, e decidir quais elementos incluir na cena. A sugestão da fada e das bolinhas decorativas veio de Rafaela Reis, colega da equipe de arte que trabalha em outras marcas da Editora Abril.

Com 90% dos elementos prontos, o cenário foi montado sobre um fundo preto, com os desenhos recortados presos com fita crepe, e fotografado. Nesse momento, a proporção dos desenhos mudou; alguns estavam grandes demais, havia variações de cor e alguns desenhos ficaram mais texturizados que outros. Apesar dos esforços fotográficos, ficou claro que seria necessário um trabalho extenso de pós-produção com o Photoshop.

O tratamento de imagem realizado por Juliana no computador corrigiu falhas da manualidade (pois não havia Ctrl+Z no desenho analógico). No ambiente digital, foi possível intensificar as texturas do trabalho, evidenciando que a ilustração era feita à mão. Sem esse tratamento, as fotos poderiam não transmitir ao leitor o caráter artesanal da imagem, que era a intenção.

Concluiu-se que o trabalho manual com um viés experimental não significa falta de critério. É possível cometer erros, corrigir e improvisar, mas sempre com direção, testes e mudanças de rota. Foi através desses testes em pequena escala, identificação de falhas e ajustes (manuais ou no Photoshop) que a matéria ganhou forma, graças à troca importante entre a designer e Krauss, e ao interesse de toda a equipe nos bastidores.

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