Pesquisadores descobrem duas novas espécies de microrganismos Paulinella em quarto de hotel na Carolina do Norte
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Pesquisadores descobrem duas novas espécies de microrganismos Paulinella em quarto de hotel na Carolina do Norte

Cientistas identificaram duas novas espécies do raro microrganismo unicelular Paulinella durante uma expedição realizada no quarto de um motel na Carolina do Norte, EUA.

Esta descoberta pode ajudar os pesquisadores a estudar como organismos complexos integraram estruturas capazes de realizar fotossíntese, o que está ligado à evolução da vida na Terra.

Na primavera de 2025, a bióloga evolutiva Julia Van Etten transformou um quarto de motel de US$ 80 (cerca de 414 reais brasileiros) em uma espécie de laboratório. Dentro havia recipientes com água salobra, pedaços de vegetação de pântano e microscópios instalados nas mesas de cabeceira.

A busca por Paulinella não era nova para Van Etten; ela procurava esse organismo há anos, usando um microscópio de US$ 300 (cerca de 1554 reais brasileiros) que estava em seu sofá. A espécie se distingue por seu pequeno tamanho, raridade e crescimento lento, o que dificulta sua cultura e estudo.

Durante esta viagem, ela foi auxiliada por Andrew Willoughby, biólogo que estuda genomas de plantas, e John Burns, cientista do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences. Burns trouxe equipamento incomum para o motel. Ele usou um lápis de cor enrolado em cerdas de escova de dentes como ferramenta para mover os microrganismos. Em seguida, Burns utilizou uma pipeta bucal para separar amostras de Paulinella de outras formas de vida nas amostras.

Willoughby observou o procedimento, comentando que era 'biologia que eu não pratico'. Ao examinar os organismos, ele notou algo que seus colegas não perceberam: as escamas de alguns espécimes se sobrepunham em uma direção, enquanto em outras o padrão parecia invertido. Essa diferença gerou a hipótese de que poderiam ser duas espécies diferentes.

Os pesquisadores transferiram as amostras para um microscópio eletrônico, onde as diferenças se tornaram evidentes em alta resolução. Depois disso, o DNA foi extraído e enviado à equipe na Coreia do Sul, liderada pelo biólogo evolutivo Kwan Soo Yoon da Sungkyunkwan University. O sequenciamento confirmou que as amostras pertencem a duas espécies anteriormente desconhecidas.

Graças a esta descoberta, o número total de espécies conhecidas de Paulinella fotossintetizante atingiu seis. Este organismo contém um cromatóforo — uma estrutura derivada de uma bactéria fotossintética que foi incorporada à célula e manteve seu próprio DNA. Este processo interessa aos cientistas, pois lembra um episódio muito mais antigo. Sergio Muñoz-Gómez, biólogo evolutivo da Purdue University, afirmou: 'Isso pode nos ensinar muito'.

Os cientistas estão estudando Paulinella para entender como organismos independentes podem se integrar e formar sistemas biológicos mais complexos ao longo do tempo. Este caso também atrai a atenção de pesquisadores que trabalham no engenharia de organismos fotossintéticos em laboratório. O objetivo é compreender melhor o processo natural e descobrir se ele pode ser reproduzido artificialmente.

Van Etten e Willoughby já iniciaram a próxima fase da pesquisa, desta vez envolvendo cientistas civis e entusiastas na busca por outras espécies de Paulinella.

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