Kiev incentiva o retorno de refugiados após aceitarem uma 'decisão informada'
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Kiev incentiva o retorno de refugiados após aceitarem uma 'decisão informada'

Kiev está estimulando o retorno dos refugiados, insistindo que a decisão de retorno deve ser tomada de forma voluntária e independente. Segundo Ilona Havronska, vice-ministra de política social, as autoridades de Kiev pedem aos países de acolhimento que mantenham a proteção temporária e o apoio aos ucranianos que deixaram a zona de conflito, mas preferem adiar a decisão de retorno.

Havronska enfatizou que, sem dúvida, eles querem que as pessoas voltem para casa, mas o foco é que isso seja uma decisão própria e livre. Durante uma visita a Lisboa, ela deu uma entrevista à agência Lusa.

As autoridades ucranianas calcularam que, desde o início da invasão em grande escala da Rússia em fevereiro de 2022, cerca de dois milhões de refugiados já regressaram ao país. No entanto, cerca de cinco milhões de pessoas continuam na Europa, das quais quase 69 mil estão em Portugal, de acordo com dados da ONU.

A vice-ministra de política social, família e integração europeia da Ucrânia apresentou estudos sobre a atitude dos ucranianos no exterior em relação ao regresso. Esses dados mostram que, enquanto a invasão russa continuar, a decisão de regressar é adiada.

No entanto, ela observou uma diminuição na percentagem de pessoas que não planeiam regressar, e esse indicador se aproxima de 30%. Havronska notou que a preocupação com o regresso é maior entre aqueles que mantêm algum contacto com a Ucrânia, como funcionários que trabalham remotamente, participam no apoio ao seu país ou cujos filhos frequentam escolas online na Ucrânia. Nesses casos, a propensão ao regresso é maior.

Em qualquer caso, a vice-ministra sublinhou que a tarefa do governo é encontrar a melhor maneira de alcançar este objetivo, bem como fornecer todas as informações sobre a situação e os programas de apoio existentes na Ucrânia, para que as pessoas possam tomar uma 'decisão consciente', caso decidam regressar.

Ela expressou gratidão à União Europeia, a Portugal e a outros países europeus pela proteção temporária, que permite às pessoas fazerem escolhas sem coerção. Ao mesmo tempo, acrescentou que 'o cenário ideal é o fim da guerra pela Federação Russa'.

Em julho, a União Europeia prorrogou o estatuto de proteção temporária para 4,4 milhões de ucranianos no âmbito da comunidade até março de 2028. Em Portugal, o prazo foi prorrogado em março por mais um ano, o que inclui benefícios de autorização de residência, acesso ao Serviço Nacional de Saúde, educação gratuita para menores e Rendimento Social de Inclusão para casos que exijam verificação.

Havronska comentou que em questões de apoio nunca há o suficiente, especialmente quando o seu país está focado nos esforços militares, mas as condições 'continuam a ser as mesmas fornecidas aos cidadãos portugueses, e isso, pelo menos, é justo'.

A vice-ministra observou que os refugiados em Portugal juntaram-se aos imigrantes ucranianos que se estabeleceram desde o final dos anos 90, formando uma comunidade avaliada em quase 90 mil pessoas. A maioria delas é 'economicamente ativa, integrada no mercado de trabalho ou criou o próprio negócio'.

Para atrair o regresso, a vice-ministra apresentou plataformas que fornecem aos ucranianos dados sobre os programas existentes no país, bem como contactos com instituições europeias e projetos de apoio ao regresso. Ela explicou que o objetivo é apoiar as comunidades locais na Ucrânia para que tenham meios de ajudar os que regressam e integrá-los, mencionando 'projetos piloto já consolidados' com a participação da Alemanha e da Holanda, bem como planos para sua expansão.

Ao mesmo tempo, ela informou sobre reformas no sistema social da Ucrânia e o desenvolvimento de uma estratégia para ajudar 4,6 milhões de deslocados internos, segundo estimativas de Kiev, a maioria dos quais provém de regiões ocupadas pela Rússia, o que se aproxima do número total de refugiados na Europa.

'Estamos a restaurar todos os sistemas, tanto a nível estatal como comunitário, para lidar com este enorme desafio. Queremos que as pessoas sejam tratadas da melhor maneira possível, com todos eles', disse ela, mas especificou que 'as possibilidades não são ilimitadas'.

A situação dos ucranianos em territórios ocupados suscita especial preocupação, particularmente em Oleski, na região de Kherson, no sul do país. O poder executivo de Kiev condenou nos últimos dias o quadro de 'fome causada' pelas autoridades russas para cerca de 6000 civis.

A vice-ministra, natural de Vinnytsia, na Ucrânia central, condenou isso, chamando-o de 'catástrofe humanitária total', visto que as pessoas estão privadas de gás, eletricidade, comida e cuidados médicos, e os russos não lhes permitem ter acesso a isso, e apelou à criação de um corredor humanitário.

A população perto da linha da frente é chamada a evacuar, mas ela observou que 'no caso de territórios temporariamente ocupados, isso é sempre doloroso, porque os ucranianos também sofrem' da invasão russa.

'Não queremos esta guerra, mas isso mostra-nos que a Ucrânia é, essencialmente, um país europeu. Não temos mentalidade russa', declarou a vice-ministra, insistindo na urgência das reformas paralelamente à gestão do conflito.

Ela considera que 'agora é o momento oportuno para eles', destacando o processo acelerado de integração europeia. Nesse contexto, sublinhou que 'o objetivo comum é a vitória nesta guerra', alertando para a 'ameaça real para toda a Europa', quando lhe foi perguntado sobre o aumento das forças ultradireitas perto de Moscovo e a redução do apoio social aos refugiados ucranianos em muitos estados-membros.

'Lutamos pela Ucrânia, por toda a Europa, por todos os países civilizados e por todos os nossos valores europeus. E o nosso povo merece todo o apoio e tratamento digno', enfatizou ela.

Ilona Havronska estava em Lisboa para reuniões com o governo português e para participar na Conferência Internacional 'Mulheres Ucranianas do Mundo em Ação', organizada pela Federação Mundial de Organizações Femininas Ucranianas, fundada nos EUA em 1948. Esta conferência de três dias termina hoje e foi uma iniciativa do presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, Pavel Sadokh, que faleceu na semana passada.

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