A Casa POP, desenvolvida pela equipe de projeto da Gon Architects, baseia-se na ideia de que não há um modelo de usuário universal, exigindo que a arquitetura se ajuste a modos de vida singulares. O imóvel inicial era um apartamento de 78 m², localizado em Vicálvaro, construído na década de 2000 seguindo os padrões tradicionais da família nuclear, o que resultou em um layout excessivamente dividido e repleto de corredores.
Essa configuração antiga tornou-se inadequada para os proprietários, Santiago e Ángel, um casal cuja rotina gira em torno de atividades culturais, lazer e conhecimento. Para atender às suas necessidades, o projeto reconfigurou o apartamento estreito, transformando-o em um local mais espaçoso e iluminado.
A nova disposição espacial adotou um formato em «U», centrado em um núcleo de armazenamento principal. Este arranjo possibilita uma circulação contínua pelo imóvel no sentido horário, permitindo que os diferentes usos, desde as áreas mais sociais até as mais íntimas, sejam distribuídos de maneira fluida.
Em termos topológicos, a residência foi concebida como uma sequência de cinco ambientes menores e autônomos. Cada um desses espaços é dedicado a uma função específica — seja cozinhar, descansar ou se vestir —, e todos são banhados por uma cor distinta que permeia paredes, teto e móveis. Essa saturação cromática modifica a percepção do espaço e serve como uma metáfora viva que exalta o aspecto sensorial.
Um componente fundamental da casa é uma grande estante feita sob medida, na tonalidade verde opala, que se estende pela sala de estar e jantar. Além de servir para expor a coleção de livros do casal, essa estante oculta um sistema de portas deslizantes translúcidas. Ao serem abertas, essas portas criam longas linhas diagonais que ligam o interior à vista da cidade; quando fechadas, elas aumentam a privacidade e fazem com que os quartos pareçam lanternas suaves durante a noite.
O design foi aprimorado com móveis planejados que minimizam a necessidade de peças soltas, como uma cabeceira cerâmica amarela e a mesa de trabalho. Finalmente, o projeto incorpora referências visuais dos proprietários: a escolha da paleta de cores inspira-se diretamente em uma cena do filme O Quarto ao Lado, dirigido por Pedro Almodóvar, conferindo ao espaço o olhar cinematográfico que eles desejavam e provando que a arquitetura pode ser um registro pessoal.
