Setor de apostas esportivas no Brasil ameaça entrar na justiça contra proibição governamental e exige reembolso
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Setor de apostas esportivas no Brasil ameaça entrar na justiça contra proibição governamental e exige reembolso

Entidades que representam o mercado de apostas esportivas declararam que irão recorrer ao Poder Judiciário contra a Medida Provisória (MP) que determinou a proibição dessas atividades no Brasil. Além disso, essas associações contestam a recusa do governo em restituir os montantes pagos pelas empresas referentes às autorizações de operação no país.

Em um manifesto divulgado nesta sexta-feira (25), o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e diversas operadoras licenciadas afirmaram que a postura de proibir não equivale a proteger. De acordo com essas entidades, a vedação das plataformas já legalizadas não impediria as apostas, mas poderia direcionar os usuários para sites ilegais, nos quais os mecanismos de fiscalização e proteção são inexistentes.

As associações argumentaram que a proibição completa das apostas de cota fixa configuraria uma quebra do arcabouço regulatório estabelecido pelo próprio Estado brasileiro, colocando em risco uma atividade econômica que vinha operando sob autorização, fiscalização e regras definidas pelo Governo Federal desde janeiro de 2025.

Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, confirmou a intenção de acionar os tribunais, declarando à CNN que as entidades pretendem utilizar as vias judiciais.

Um segundo ponto de discórdia envolve o capital investido pelas empresas para obter licenças de funcionamento. Cada plataforma autorizada efetuou o pagamento de uma outorga no valor de R$ 30 milhões para operar legalmente no Brasil, sendo que a permissão original tinha validade prevista até o final de 2029.

Por sua vez, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta sexta-feira que o governo não fará a devolução desses valores. Ele justificou que a autorização concedida em 2024 constituía uma «relação precária válida para aquele momento». Durigan acrescentou que não haverá necessidade de compensar a receita perdida com o encerramento das apostas, pois o gasto familiar seria realocado para outras áreas da economia. O ministro ressaltou que a arrecadação nunca foi o foco principal, mencionando que a questão da imunidade só foi resolvida durante o governo Bolsonaro.

A ANJL, por sua vez, indicou que um eventual litígio judicial buscará mais do que apenas a devolução das outorgas. Segundo Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, as empresas poderão pleitear indenizações pelos investimentos realizados no território nacional e por danos morais.

Jorge detalhou que a outorga representa uma contrapartida paga pelas companhias pela exploração do serviço de apostas de cota fixa por cinco anos. Assim, o pedido de ressarcimento englobaria não somente os R$ 30 milhões, mas também indenizações por prejuízos materiais decorrentes de todos os aportes do setor no país, além de danos morais.

No manifesto, a ANJL também alertou que o fechamento imediato do mercado legal compromete investimentos, postos de trabalho e a arrecadação tributária gerada pelo segmento. A entidade sustentou que as empresas cumpriram todas as obrigações legais e que a decisão impõe insegurança jurídica aos investidores.

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detectou potenciais perigos para crianças e adolescentes em 13 aplicativos de «companheiros de IA» acessíveis no Brasil. A investigação apontou falhas relacionadas à checagem de idade, uso excessivo, exposição a conteúdo sexualizado e a coleta de dados pessoais.

Este levantamento foi realizado pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que compilou estudos, informações públicas e testes sobre esses tipos de serviços. O material resultante foi enviado para análise da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

Esses serviços são projetados para sustentar conversas contínuas e individualizadas, sendo capazes de simular laços afetivos e oferecer suporte emocional, além de armazenar dados fornecidos pelo usuário. A lista analisada inclui plataformas como Character.AI e Replika.

De acordo com a Sedigi, este setor experimentou um crescimento acelerado: um relatório do Unicef indica que o número de plataformas saltou de 16 em 2022 para 128 em julho de 2025. Somente no primeiro semestre de 2025, esses serviços registraram 60 milhões de instalações.

O documento destaca riscos como o desenvolvimento de um apego muito forte, a substituição de relacionamentos humanos, o uso compulsivo e a exposição a interações inadequadas ou sexualizadas. Também foram mencionadas a coleta de informações privadas e a construção de perfis emocionais e comportamentais.

O estudo revelou que dez dos sistemas avaliados aceitam a autodeclaração de data de nascimento ou uma confirmação simples de maioridade. Testes conduzidos pela Sedigi demonstraram que esse método pode ser burlado, possibilitando que usuários adolescentes criem perfis de adultos.

A relevância do tema aumentou com a vigência do ECA Digital desde março. Esta legislação estabelece que as plataformas devem possuir métodos eficientes de verificação de idade quando oferecem conteúdo impróprio para menores, proibindo, em certas circunstâncias, que a autodeclaração seja o único controle. Além disso, o decreto regulamentador equipara interações automatizadas de natureza sexualmente explícita a material pornográfico.

A Sedigi também identificou possíveis problemas ligados ao uso de perfis emocionais para promover ofertas, publicidade ou recursos pagos. Por isso, a nota sugere que a ANPD examine esses riscos, enquanto a Senacon deve investigar questões de defesa do consumidor e eventuais práticas comerciais exploratórias ou enganosas.

A apreensão com os laços afetivos formados com IAs não é exclusiva do Brasil. Em julho, a China implementou normas contra IAs de namoro que fomentam a dependência emocional, forçando empresas a desativarem funcionalidades de intimidade. Na União Europeia, uma proposta em debate prevê restrições de acesso a chatbots de IA e redes sociais para menores de 15 anos, juntamente com mecanismos de supervisão parental e verificação de idade.

É importante notar que, no Brasil, esta análise ainda não implica que as 13 plataformas tenham infringido alguma regra. O Ministério da Justiça enfatiza que os provedores desses serviços terão direito ao devido processo legal e à ampla defesa.

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A estatal italiana de serviços postais, denominada Poste Italiane, assumiu oficialmente o controle da Telecom Italia, proprietária da TIM, tornando-se a nova administradora indireta da operadora de telefonia no Brasil. Esta transação, avaliada em 13 bilhões de euros (equivalente a cerca de R$ 76,8 bilhões), elevou a participação da estatal de 20,1% para 66,62% no capital social do Grupo TIM.

O acordo foi notificado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última sexta-feira, dia 18. O objetivo desta operação é estabelecer um conglomerado europeu robusto em infraestrutura e serviços digitais.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Teletime, a alteração na gestão da matriz europeia não deve modificar a estratégia da operadora no Brasil no curto prazo. Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil, esclareceu que a empresa agora faz parte de um grupo com grande solidez financeira, o que proporciona maior liberdade para realocar capital e diminuir endividamentos. Por sua vez, a Poste Italiane manifestou que considera a unidade brasileira como um componente essencial para seus negócios.

Atualmente, a operadora ocupa a terceira posição no mercado nacional, detendo 22,9% dos acessos móveis, ficando atrás das empresas Vivo e Claro. Além disso, a TIM está preparando a reformulação do TIM Beta, conforme reportado exclusivamente pelo Tecnoblog. A diretoria da TIM no Brasil assegurou que os acionistas serão mantidos informados sobre quaisquer desenvolvimentos decorrentes dessa aquisição.

A união entre Poste Italiane e Telecom Italia, que já era a terceira maior força no setor de telecomunicações italiano, resulta na formação de um dos maiores grupos corporativos da Europa. A companhia resultante terá receitas anuais de 27 bilhões de euros (aproximadamente R$ 158 bilhões) e empregará mais de 150 mil colaboradores.

Com essa reestruturação, o governo italiano intensifica seu domínio sobre infraestruturas críticas de dados e planeja realizar cortes de despesas e benefícios financeiros no valor de 700 milhões de euros (R$ 4,1 bilhões) anualmente.

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