O cometa interestelar 3I/ATLAS, que gerou grande interesse científico em 2025, já se encontra a uma distância de 1,77 bilhão de quilômetros da Terra. Devido à sua velocidade de afastamento, que atinge 209 mil km/h, o monitoramento telescópico torna-se desafiador, contudo, os dados coletados estão começando a esclarecer a origem deste corpo vindo de fora do Sistema Solar.
Pesquisas recentes conduzidas por diversos grupos de cientistas sugerem que o cometa se originou em um ambiente caracterizado por temperaturas muito baixas e próximo a uma estrela com pouca concentração de metais.
Observações realizadas utilizando o telescópio William Herschel, localizado na Espanha, detectaram uma elevada concentração de nitrogênio na coma, que é a nuvem gasosa circundante ao núcleo do cometa. A análise da relação entre os níveis de nitrogênio molecular e monóxido de carbono auxilia na determinação da temperatura de formação do objeto.
Mais detalhes sobre a formação do cometa
Os cálculos efetuados pelos cientistas indicam que o 3I/ATLAS se formou em temperaturas próximas a -240 °C, um valor muito próximo do zero absoluto. De acordo com esses estudos, essa composição química sugere que o cometa se desenvolveu distante de sua estrela original, sob condições de extremo frio.
Em um artigo divulgado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os pesquisadores detalham como a proporção entre N₂ e CO pode ser utilizada para estimar a temperatura de formação dos cometas. A pesquisadora Lea Ferellec, afiliada à Northumbria University, ressaltou que a concentração de nitrogênio representa uma chance singular de estudar material formado fora do Sistema Solar, apontando para uma origem em condições extremamente frias e distantes da estrela de procedência.
Adicionalmente, outro estudo focou na água do cometa e identificou uma proporção incomum entre os isótopos deutério e prótio do hidrogênio. A quantidade elevada de deutério também corrobora a hipótese de formação em baixa temperatura. As análises também levaram em conta uma proporção atípica entre os isótopos carbono-12 e carbono-13, um indicador compatível com uma estrela de baixa metalicidade, ou seja, com escassez de elementos mais pesados que hidrogênio e hélio. Os modelos estudados sugerem uma estrela com aproximadamente metade da metalicidade do Sol.
As informações compiladas até o momento indicam que o cometa foi rastreado com o auxílio de telescópios terrestres e espaciais, bem como por sondas em rota para Júpiter e robôs em Marte. O processamento desses dados prossegue mesmo enquanto o cometa se afasta, tornando sua observação progressivamente mais difícil.
