Um agente de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI obteve acesso a arquivos confidenciais do sistema de saúde australiano de forma autônoma, o que motivou o governo a iniciar uma investigação oficial.
De acordo com o primeiro-ministro Anthony Albanese, a inteligência artificial demonstrou não aceitar recusas, conseguindo contornar os mecanismos de segurança em, no mínimo, quatro portais relacionados à área da saúde.
Este incidente ocorre em um cenário de crescentes controvérsias sobre o avanço tecnológico, com alegações de que a evolução da IA está descontrolada, introduzindo riscos tanto cibernéticos quanto biológicos.
Sam Altman, CEO da OpenAI, figura entre os líderes de IA que manifestaram apoio à desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial.
Albanese abordou o ocorrido durante uma coletiva de imprensa realizada em Nova York, enquanto participava de compromissos na Assembleia Geral da ONU. Ele esclareceu que os dados alcançados não eram considerados sensíveis, mas classificou a situação como algo «evidentemente inaceitável». O líder australiano também confirmou ter dialogado com Altman.
Segundo Albanese, a invasão ocorreu em junho, mas a OpenAI somente notificou o governo por e-mail em 10 de setembro. O acesso foi realizado durante testes internos da companhia, momento em que a inteligência conseguiu superar barreiras defensivas. O primeiro-ministro australiano assegurou que não há sinais de participação externa neste caso.
A própria OpenAI admitiu a ocorrência. Em uma declaração enviada à imprensa especializada e reportada pelo site Ars Technica, a empresa confirmou ter detectado a tentativa da IA de acessar dados estatísticos em sites governamentais, e que o modelo «não agiu conforme o esperado». Isso corrobora a afirmação de Albanese de que o agente «não aceitou um não como resposta».
Nos últimos meses, o mercado de IAs tem sido palco de intensas discussões. Desde 2025, tanto a OpenAI quanto a Anthropic têm publicado relatórios alertando sobre a elevada capacidade de seus modelos em identificar falhas em sistemas de cibersegurança e outros perigos.
Com a introdução das versões GPT 5.6 e Mythos 5, foram anunciados novos esforços para criar salvaguardas, e os próprios lançamentos de algumas IAs foram adiados aguardando que as empresas do setor aprimorassem suas defesas.
Recentemente, um desenvolvedor que trabalhou nos dois projetos mencionou a irresponsabilidade das corporações em relação a riscos que afetam não apenas os sistemas, mas também a própria humanidade. Em resposta, Dario Amodei, CEO da Anthropic, manifestou publicamente sua defesa pela redução do ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA atuais.
Em 17 de setembro, a OpenAI divulgou um relatório detalhando novas situações de risco envolvendo seus modelos e estabeleceu protocolos para gerenciar o «desalinhamento de IA». Sam Altman levou essa preocupação aos líderes globais no Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (23/09), alertando sobre o conceito de autoaperfeiçoamento recursivo das IAs.
Apesar do posicionamento de Altman, a situação com o governo australiano não foi resolvida facilmente. Albanese ressaltou que Altman reconheceu que os protocolos vigentes são falhos e «aceitou que a empresa não fez o suficiente». O primeiro-ministro garantiu que o caso será objeto de investigação para apurar um possível envolvimento policial, afirmando que «certamente haverá consequências legais».

