Durante a conferência de imprensa dedicada à divulgação do Relatório sobre a Situação de Consumo e Tráfico Ilícitos de Drogas no país no primeiro semestre de 2026, realizada em Maputo, Salma Iuraimadam, representante do Ministério da Saúde, informou que foram assistidos um total de 17.783 pacientes que apresentavam perturbações mentais e comportamentais causadas pelo uso de substâncias psicoativas.
Este número representa um aumento de aproximadamente 58% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No evento organizado pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), a responsável detalhou que as principais razões para a procura de serviços de psiquiatria e saúde mental são o consumo de múltiplas substâncias e o álcool, registando-se 7.372 e 5.469 casos, respetivamente. Os canabinoides seguiram com 1.502 casos, e os opiáceos com 1.100 casos.
Salma Iuraimadam salientou que a faixa etária compreendida entre os 21 e os 35 anos concentra o maior volume de casos, período que é caracterizado por ter maior atividade escolar e profissional. Embora Maputo, a capital, lidere o número de atendimentos, Nampula, Manica e Cabo Delgado também registam níveis significativos de consumo de várias substâncias.
A representante do Ministério da Saúde alertou para os riscos do abuso de substâncias, que podem provocar desagregação familiar, negligência de deveres e rompimento de laços afetivos. Adicionalmente, certas drogas têm o potencial de desencadear quadros de depressão, ansiedade grave, ataques de pânico, episódios psicóticos, bem como doenças hepáticas e cardiovasculares.
Por sua vez, José Bambo, chefe do Departamento de Prevenção à Droga do GCPCD, comunicou que as iniciativas de sensibilização implementadas no primeiro semestre beneficiaram mais de 1,38 milhão de pessoas, com foco especial em adolescentes e jovens. Ele acrescentou que mais de 21 mil ativistas foram mobilizados e foram conduzidas mais de 14 mil palestras em comunidades e escolas.
Em termos criminais, foram contabilizados 131 delitos ligados ao tráfico e consumo de estupefacientes, um aumento face aos 75 registados no mesmo período de 2025. Os dados demonstram também uma elevação no número de processos criminais relacionados com drogas. O Serviço Nacional de Investigação Criminal registou 418 processos no primeiro semestre deste ano, contra 250 em 2025, e a Procuradoria-Geral da República tratou 651 processos, em comparação com os 418 anteriores.
No combate ao tráfico, as autoridades anunciaram a apreensão de cerca de uma tonelada de canábis, juntamente com heroína, cocaína e metanfetaminas. José Bambo esclareceu que as investigações apontam que a heroína apreendida provém majoritariamente da Índia e do Paquistão, enquanto a cocaína está ligada a rotas vindas da América Latina, nomeadamente do Brasil. O responsável observou que os traficantes estão a adotar métodos de ocultação das drogas cada vez mais complexos.
O relatório apresentado também assinala o agravamento do envolvimento de cidadãos moçambicanos em crimes relacionados com drogas no estrangeiro. O número de nacionais detidos na diáspora cresceu de 42 para 56, sendo o Brasil o país com maior incidência de casos. Em Moçambique, no final do primeiro semestre, 812 indivíduos estavam detidos por crimes relacionados com drogas, um valor inferior aos 844 registados no período correspondente de 2025.
