O primeiro curta de animação brasileiro foi o título Kaiser, criado pelo cartunista Álvaro Marins, que utilizava o pseudônimo Seth. Este filme foi apresentado em janeiro de 1917 no antigo Cine Pathé, localizado no centro do Rio de Janeiro. Essa exibição ocorreu nove anos após o lançamento de Fantasmagorie (1908), a primeira animação mundial, feita pelo francês Émile Cohl.
Kaiser possuía caráter de sátira política, característica marcante do trabalho de Seth, que também produzia charges e quadrinhos para jornais e revistas da época. No enredo, o imperador alemão Guilherme II usa um capacete sobre um globo terrestre, o que era uma referência às ambições expansionistas do país durante a Primeira Guerra Mundial. Em seguida, o globo ganha vida, expande-se e acaba engolindo o líder alemão.
Produzido em preto e branco e sem trilha sonora, Kaiser recebeu financiamento do jornalista e empresário Sampaio Corrêa, fundador do jornal A Tarde. De acordo com a Cinemateca Brasileira, o filme chegou a ser exibido nos Estados Unidos, embora pouco se saiba sobre ele, visto que apenas um único quadro do filme foi preservado até hoje.
Posteriormente, em 2013, o documentário Luz, Anima e Ação promoveu a recriação e releitura da obra por oito artistas nacionais. Após Kaiser, Seth direcionou sua carreira para a publicidade e faleceu em 1949. Quatro anos depois, em 1953, foi lançado o primeiro longa-metragem animado brasileiro, Sinfonia Amazônica, de Anélio Latini Filho.
Sinfonia Amazônica, com duração de 61 minutos, narra diversas lendas amazônicas, incluindo as da Iara, da Onça e a origem do rio Amazonas. A trama é conduzida pelo jovem indígena Curumi e seu companheiro, um boto. Latini Filho realizou um feito notável para o cinema contemporâneo ao animar todo o filme sozinho, o que exigiu mais de meio milhão de desenhos trabalhados ao longo de cinco anos.
