Irene Dioka, de Mahubong Huningweley, no Cabo Norte, aprendeu com sua avó a processar motlopi (Boscia albitrunca) — um café raiz tradicional profundamente enraizado na região quando era uma menina. Anos depois, ela fundou a marca Malimpunyane-21, que é totalmente natural e criada em memória de sua avó em Kurumane.
Sua avó, Tshoyone Pitso, a criou. No entanto, após a morte da avó, quando Dioka tinha nove anos, ela foi para um orfanato, levando consigo essas memórias. Em 2021, Dioka sofreu outra perda dolorosa — a morte de um bebê logo após o nascimento. Ela esperava construir sua própria família, e essa perda a levou a procurar algo que pudesse restaurar sua verdadeira essência.
Seus pensamentos voltaram-se para o motlopi: os passeios que fazia com sua falecida avó e o processo de transformar as raízes em produtos prontos. Ela se lembra de seu tio Kapulele Dioka colhendo as raízes de motlopi, enquanto sua avó as processava. Graças ao negócio da avó, ela também aprendeu a interagir com as pessoas.
Dioka compartilha: «Eu gostaria que ela estivesse aqui para ver o quão longe cheguei nos negócios. Sua paixão, amor e cuidado me moldaram, e eu carrego isso comigo anos após sua morte».
Anos depois, Dioka trabalhou no departamento de meio ambiente como coletora de lixo. Quando perdeu esse emprego, voltou para a aldeia. Lá, lembrou-se de como o motlopi costumava ajudar na renda de sua avó. Ela também pensou no melão lerotse e em como sua avó fazia geleia dele, bem como iogurte com leite fresco.
Ela conta: «Um dia eu não tinha xarope e queria fazer biscoitos, então usei geleia. Ficou muito bom». Ela observa: «Isso me fez perceber que eu poderia trabalhar com plantas locais e gerar renda sem tirar demais da natureza. Foi então que comecei a ver que a natureza poderia me dar um negócio».
Para Dioka, a qualidade começa muito antes do produto chegar ao comprador. Começa na busca por ingredientes junto a coletores locais e pequenos agricultores confiáveis, que entendem a terra e colhem responsavelmente. Ela enfatiza: «A qualidade é primordial. Deve ser 100% natural, sem produtos químicos. Deve ser limpo e fresco. Eu mesma verifico como é colhido e seco».
Dioka deseja que os compradores saibam que sempre receberão a mesma qualidade, ao mesmo tempo em que mantêm um preço justo para as pessoas que colhem seus ingredientes e um preço acessível para seus produtos. Ela diz: «Eu construo relacionamentos de longo prazo, não apenas compras únicas».
Essa abordagem é especialmente importante para seu café motlopi, que, segundo ela, conecta seus produtos às raízes e tradições do Cabo Norte. O café ainda é preparado usando métodos tradicionais, incluindo secagem ao sol e torrefação em fogo aberto. O mesmo foco em ingredientes simples e naturais se aplica ao seu iogurte e geleia de lerotse. O iogurte combina o melão local com leite de cabra, e a geleia é feita de melão e açúcar. Dioka colhe os melões manualmente na estação e os processa sem conservantes ou corantes.
Para Dioka, os produtos não são apenas venda de comida. Eles representam uma forma de transformar conhecimentos e ingredientes locais em renda, preservando as tradições em que ela cresceu.
Dioka afirma que empreender a ensinou que os produtos locais não podem ser vistos como mercadorias comuns. Ela conclui: «A maior lição é que a história e a confiança vendem mais do que o preço. Produtos naturais, feitos à mão e locais têm valor».
Atualmente, seu foco está em fortalecer o negócio: melhorar a embalagem e os processos, além de passar por testes de produtos através da Seda e obter a documentação necessária. Dioka espera que esses passos a ajudem a passar das vendas em mercados locais e por boca a boca para alcançar um mercado mais amplo, mantendo o conhecimento tradicional e as comunidades locais no centro de seu negócio.
