Raspberry Pi impede atualização da memória RAM após implementação de verificação de firmware
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Raspberry Pi impede atualização da memória RAM após implementação de verificação de firmware

Usuários do Raspberry Pi estão enfrentando dificuldades ao tentar atualizar a memória RAM dos dispositivos, pois as placas agora bloqueiam esse procedimento. Mesmo quando os usuários realizam a substituição do componente seguindo todos os procedimentos técnicos necessários, eles são confrontados com uma mensagem de erro que impede o funcionamento da placa.

Embora este bloqueio não seja novidade, o tema ganhou destaque recentemente após ser discutido na plataforma Reddit. Um autor de tópico relatou que, ao substituir o chip de RAM de um Raspberry Pi 5, ele recebeu a notificação de erro: “BOOT ERROR: code 9 – ‘SDRAM mismatch’”.

Anteriormente, em junho deste ano, outro usuário compartilhou uma situação semelhante no fórum da Raspberry Pi, ao tentar aumentar a memória de 2 GB para 4 GB em um Compute Module 5. Nesse caso, um engenheiro da própria organização esclareceu a razão dessa falha.

De acordo com o site It’s Foss, a limitação para a troca do módulo de RAM nos aparelhos Raspberry Pi está ativa desde o final de 2024, com o lançamento do firmware versão 2024-09-23-x e suas subsequentes atualizações. Este firmware realiza uma verificação da memória durante a inicialização da placa. Caso o sistema detecte que a RAM instalada não corresponde ao módulo original do equipamento, a mensagem de erro é exibida.

Phil Elwell, conhecido como PhilE, engenheiro da Raspberry Pi, detalhou que essa restrição foi introduzida com o objetivo de impedir que golpistas adquirem modelos com menor quantidade de RAM, realizem um upgrade utilizando módulos de procedência duvidosa e, subsequentemente, vendam esses dispositivos como se fossem unidades originais com maior capacidade de memória.

PhilE exemplificou o risco, citando o caso de alguém que compra um Raspberry Pi com 2 GB de RAM, troca o componente e revende o produto alegando ser um modelo original de 8 GB. Ele explicou que isso gera um risco para o consumidor, visto que a placa não foi testada pela empresa, e impõe um potencial custo de suporte, devido a reclamações sobre equipamentos não confiáveis. Por essa razão, a empresa eliminou o incentivo comercial bloqueando os dispositivos para que funcionem apenas com o tamanho original da RAM.

Considerando que o aumento do preço de muitas placas Raspberry Pi ocorreu devido à escassez de memória RAM, a justificativa apresentada pela Raspberry Pi possui fundamentos. No entanto, os relatos demonstram que existem usuários com conhecimento técnico que adquirem placas com capacidade específica de RAM e realizam upgrades por conta própria, buscando melhor desempenho em aplicações ou por outros motivos legítimos.

Esses usuários não têm intenção de causar prejuízo a terceiros, o que torna sua frustração com a limitação compreensível. Além disso, PhilE informou que a troca pode ser impedida mesmo que o novo módulo possua a mesma capacidade do anterior. Algumas pessoas estão contornando o problema instalando um firmware mais antigo, que não contém o bloqueio, como a versão 2024-09-10-x ou anteriores.

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A carência de chips de memória está forçando fabricantes menores de celulares e notebooks a redesenharem seus produtos, testarem componentes e repassarem parte dos custos adicionais aos consumidores. Além do impacto nos preços, a incerteza sobre o fornecimento ameaça a capacidade dessas empresas de produzir seus aparelhos.

De acordo com a Reuters, empresas como Fairphone, Jolla e Framework adotaram estratégias distintas para enfrentar essa escassez. Prevê-se que a crise perdure até, pelo menos, 2027, embora a Jolla espere que a oferta só retorne ao normal a partir de 2028.

Para os produtores de menor porte, a obtenção de memória suficiente tornou-se uma prioridade ainda maior do que simplesmente absorver o aumento dos custos dos componentes. Raymond van Eck, CEO da Fairphone, declarou à Reuters que, "Se você não tem alocação, está fora do jogo de qualquer maneira".

A dificuldade intensificou-se no final do ano passado, período em que as companhias buscaram garantir estoques. Nirav Patel, CEO da Framework, relatou que isso levou "todo mundo a tentar conseguir o máximo de oferta e de estoque que pudesse, o mais rápido possível", agravando a situação de escassez.

O mercado também reflete esse impacto nas projeções de smartphones. A Counterpoint Research estima uma redução de 13,9% nas remessas globais de smartphones neste ano, totalizando 1,08 bilhão de unidades, o que representa a maior retração anual já registrada. O encarecimento da memória torna os modelos de entrada menos viáveis para fabricação.

As empresas também estão modificando o design de seus equipamentos para criar mais opções caso certos componentes se tornem difíceis de serem localizados. No caso específico da Jolla, os testes envolvem uma verificação adicional para confirmar se os chips são novos e não peças recondicionadas vendidas como itens originais.

Embora os valores da memória permaneçam altos, o ritmo de crescimento desacelerou. A TrendForce antecipa um aumento de 13% a 18% nos contratos de DRAM convencional neste trimestre, um patamar significativamente inferior aos 93% a 98% observados no primeiro trimestre.

O efeito é particularmente severo em celulares na faixa de US$ 400 (cerca de R$ 2 mil). Raymond van Eck, da Fairphone, apontou que a memória pode constituir quase 60% da lista de materiais desses dispositivos. Assim, cada fabricante desenvolveu uma abordagem particular para gerenciar o aumento dos custos.

O panorama de oferta permanece restrito. Em julho, o CEO da SK Hynix alertou que 2027 seria "o pior ano da história da indústria do ponto de vista da oferta", com a demanda excedendo a capacidade mesmo após 2030. A Jolla, por sua vez, projeta que o suprimento só se estabilizará a partir de 2028. Até lá, os fabricantes menores terão que lidar não somente com custos mais elevados, mas também com a complexidade de garantir componentes suficientes para manter a produção.

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