Uma instabilidade global no sistema de GPS afetou aeronaves da linha E2 fabricadas pela Embraer. Passageiros que iriam embarcar em voos da Azul no Aeroporto Internacional de Brasília reportaram filas e cancelamentos na terça-feira, dia 22. Na mesma data, a companhia aérea confirmou que suas aeronaves da referida linha foram impactadas pela instabilidade.
Sobre a causa dessa interrupção, o especialista em cibersegurança Marcelo Branquinho afirmou que, neste momento, nenhuma possibilidade pode ser descartada. Ele observou que, embora a falha em poucas aeronaves fosse comum, o fato de todas estarem afetadas simultaneamente chama a atenção.
Análise de Cibersegurança
Em comunicado oficial, a Embraer esclareceu que, apesar de a ocorrência poder interferir na programação operacional das companhias aéreas, ela não representa risco à segurança dos voos. Para Branquinho, uma das hipóteses levantadas é um ataque hacker. Ele sugeriu que poderia se tratar de um malware inserido em dispositivos de leitura da Honeywell, como um dispositivo explosivo programado para ocorrer em data específica.
Outra possibilidade apontada pelo especialista é uma degradação no sinal de GPS que seria específica para os leitores da Honeywell. Isso indica que a instabilidade pode ter surgido devido à maneira como os componentes eletrônicos da Honeywell Aerospace interpretam os sinais emitidos pelo sistema GPS terrestre.
A Honeywell é responsável pelo desenvolvimento da «caixa preta eletrônica» e do software utilizado no avião para receber e processar os dados geográficos. Em termos simples, o GPS fornece a informação, e o equipamento da Honeywell atua como o tradutor. A teoria do especialista aponta, portanto, para uma falha no equipamento da Honeywell, possivelmente induzida por malware, impedindo que o «tradutor» compreenda a «informação» recebida.
A linha E2 abrange dois modelos: E190-E2 e E195-E2, sendo este último o maior avião comercial produzido pela Embraer, capaz de transportar até 146 passageiros. Atualmente, mais de 200 unidades desta linha estão em uso, distribuídas em frotas de 24 companhias aéreas. Especificamente na Azul, estima-se que haja pelo menos 50 aviões modelo E195-E2.
A Embraer reforçou que a falha não compromete a segurança, pois a frota global E2 possui sistemas e protocolos de navegação que permitem a operação mesmo sob instabilidade do GPS. A empresa enfatizou que seus sistemas são capazes de assegurar uma operação segura conforme os requisitos das autoridades de aviação civil. Além disso, a companhia declarou ter sido notificada sobre relatos de instabilidade no GPS que afetam certos tipos de aeronaves, incluindo a E2, e que acompanha a situação de perto junto aos operadores e ao fabricante do equipamento. A Embraer acrescentou em nota que está oferecendo suporte técnico aos clientes e realizando as medidas necessárias para solucionar o problema.
O Olhar Digital entrou em contato com a Embraer para verificar se a possibilidade de ataque hacker foi considerada e está sendo investigada, aguardando um retorno da empresa. O artigo original foi publicado no Olhar Digital.
