ONU alerta para o aumento do risco de apatridia devido às alterações climáticas
Leia mais
Noticias ao Minuto
noticiasaominuto.com

ONU alerta para o aumento do risco de apatridia devido às alterações climáticas

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) emitiu um aviso sobre como os efeitos das mudanças climáticas estão elevando o perigo de apatridia e tornando mais vulneráveis indivíduos que já não possuem nacionalidade globalmente.

O alto comissário, Barham Salih, alertou em um comunicado que as alterações climáticas constituem uma crise de proteção cada vez mais premente para populações em situação de fragilidade, com foco especial nos apátridas e naqueles que correm o risco de se tornarem apátridas.

De acordo com o Observatório de Deslocamento Interno (IDMC), houve um total de 27 milhões de deslocamentos anuais causados por eventos meteorológicos ao longo da última década. O ACNUR ressalta que quase 90% dos 4,5 milhões de apátridas registrados residem em nações altamente suscetíveis a fenômenos climáticos cada vez mais severos e à deterioração ambiental contínua.

Essas pessoas já enfrentam grandes barreiras para exercer seus direitos e acessar serviços essenciais como educação, saúde, emprego ou até mesmo o matrimônio. As mudanças climáticas intensificam esses obstáculos, agravando a exclusão social e a insegurança, conforme acrescenta a agência.

Adicionalmente, o ACNUR aponta que os movimentos populacionais e migrações ligados ao clima, a perda de documentos de identidade durante desastres naturais, as falhas nos sistemas de registro civil e as lacunas nas leis de nacionalidade colocam mais pessoas sob risco de se tornarem apátridas.

Em parceria com o Centro Peter McMullin sobre Apatridia, da Universidade de Melbourne, na Austrália, o ACNUR divulgou um conjunto de sugestões direcionadas aos Estados membros. Entre as ações recomendadas, incentiva-se que os países identifiquem os apátridas deslocados pelo contexto das mudanças climáticas e os incorporem no planejamento de resposta e adaptação climática.

Os Estados também recebem conselhos para fortalecer os mecanismos de registro de nascimento e identificação, implementar processos para reconhecer e proteger apátridas em situações de deslocamento climático, e assegurar que toda criança afetada possa obter uma nacionalidade.

Solicitando, simultaneamente, recursos financeiros dedicados a essa área, o ACNUR e o Centro Peter McMullin convocam governos, organizações regionais, a sociedade civil e parceiros de desenvolvimento a aplicarem essas recomendações. O objetivo é garantir que os sistemas de nacionalidade, as políticas climáticas e as estruturas de mobilidade humana sejam inclusivas, resilientes e capazes de proteger os grupos mais expostos.

Barham Salih concluiu enfatizando que estas diretrizes globais fornecem aos governos orientações práticas para salvaguardar o direito à nacionalidade frente aos crescentes impactos climáticos e impedir que os apátridas já existentes fiquem ainda mais marginalizados.

Histórias semelhantes

ONU apela a empresas de tecnologia para reforçar os compromissos na luta contra as alterações climáticas
Leia mais
noticiasaominuto.com

ONU apela a empresas de tecnologia para reforçar os compromissos na luta contra as alterações climáticas

Simon Stiell discursou na abertura da cimeira para acelerar a industrialização em Nova Iorque, que faz parte da iniciativa do Ativador da Transição Industrial, lançada em Dubai na Cúpula Climática da ONU (COP28). O objetivo desta iniciativa é estimular a descarbonização dos maiores poluidores mundiais.

Ele salientou que a inteligência artificial (IA) aumenta a poluição causada por carvão, petróleo e gás, que aquecem o planeta, além de elevar os custos de energia para famílias e empresas.

Stiell afirmou que os líderes do setor de IA estão numa 'posição delicada', pois estão 'a perder apoio público'. Ele acrescentou que 'os gigantes tecnológicos devem começar a demonstrar porque os benefícios da IA superam os seus custos exorbitantes'.

Simon Stiell apelou às empresas de tecnologia para assumirem maior responsabilidade em relação às ações climáticas. Ele observou que 'se a inteligência artificial pode resolver um problema matemático em 90 anos em apenas alguns dias, ela pode fazer muito mais para resolver os principais problemas climáticos'.

Em particular, ele enfatizou o uso da IA para reforçar os esforços na melhoria dos sistemas de alerta precoce de catástrofes climáticas ou para acelerar a eficiência das redes elétricas.

Além disso, o orador sublinhou a importância das energias renováveis, que permitem evitar gastos de milhões em combustíveis fósseis. Ele recordou que a capacidade renovável adicionada no ano passado atingiu um recorde histórico de 693 gigawatts.

Ele declarou que qualquer líder sério sobre a luta contra a inflação, construção de uma economia forte e proteção dos seus cidadãos deve encarar seriamente a redução do uso de combustíveis fósseis, que aquece o planeta e contribui para esta crise climática, bem como promover a sustentabilidade.

Lembrando-se do objetivo global de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C em relação ao período pré-industrial, Simon Stiell alertou que este objetivo não será alcançado. Ele observou: 'Está claro que este limite será ultrapassado, pelo menos temporariamente'.

No entanto, ele sublinhou que 'a cooperação impulsionada pela ONU e os esforços nacionais' reduziram a previsão de crescimento da temperatura global de mais de 4 graus para 2,6 graus. Expressou pesar, descrevendo isto como 'progresso inegável, embora insuficiente para prevenir um desastre'.

Simon Stiell elogiou a presidência da Turquia na próxima Cúpula Climática da ONU, a Conferência das Partes (COP31), que ocorrerá na Turquia. Ele notou que foi estabelecida a meta de alcançar 35% do consumo mundial de energia através de eletricidade até 2035. A COP31 decorrerá de 9 a 20 de novembro em Antalya.

Relator Especial da ONU avalia a reação de Moçambique às mudanças climáticas
Leia mais
noticiasaominuto.com

Relator Especial da ONU avalia a reação de Moçambique às mudanças climáticas

A visita do Relator Especial da ONU a Moçambique, que se estenderá até 2 de outubro, visa recolher informações sobre o impacto das alterações climáticas nos direitos humanos e avaliar como esses direitos orientam as medidas climáticas existentes e planeadas.

Durante a missão, o especialista reunirá com representantes do governo, sociedade civil, círculos académicos, agências da ONU, setor privado e outras partes interessadas, incluindo comunidades afetadas pelas alterações climáticas.

O Relator também estudará o papel da assistência técnica internacional, do reforço de capacidades e do financiamento internacional no apoio à resiliência e adaptação dos grupos populacionais vulneráveis.

Em uma declaração, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos observou que o Relator Especial aguarda com interesse a oportunidade de saber sobre o impacto dos fenómenos climáticos nos direitos humanos, bem como sobre o papel da assistência técnica internacional, do reforço de capacidades e do financiamento internacional.

As conclusões preliminares e recomendações da visita serão apresentadas em 2 de outubro numa conferência de imprensa na sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Maputo.

Moçambique é considerado um dos países mais afetados pelas alterações climáticas no mundo, pois durante a época das chuvas, que vai de outubro a abril, o país enfrenta ciclicamente inundações e ciclones tropicais.

De acordo com a última atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres (INGD), publicada no início de maio, o número de mortos atingiu 311 pessoas na última época das chuvas, e cerca de 1,07 milhão de pessoas foram afetadas desde outubro.

A visita do Relator Especial ocorre enquanto Moçambique está entre os três países da África Austral mais preocupantes em relação ao fenómeno El Niño 2026/27, juntamente com Madagascar e Malawi. Organizações internacionais preveem o agravamento da seca, da instabilidade alimentar e dos deslocamentos.

O instituto meteorológico nacional prevê um forte El Niño entre novembro de 2026 e abril de 2027, com níveis reduzidos de precipitação no sul e centro do país.

A necessidade de fortalecer a preparação e a resposta é também motivada pelas vulnerabilidades acumuladas: cerca de 3,5 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave, e cerca de 662 mil são pessoas deslocadas internamente, principalmente relacionadas com o conflito em Cabo Delgado.

A ONU alerta que a combinação de seca, temperaturas extremas, escassez de água e surtos de doenças pode agravar as consequências para a população vulnerável, sublinhando a importância de sistemas e equipamentos capazes de prever e responder a emergências.

Posteriormente, o Relator Especial apresentará um relatório da missão ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho de 2027, incluindo suas conclusões e recomendações sobre a situação no país.

Popular