Honda retorna ao segmento de mountain bikes com protótipo de bicicleta elétrica inspirada em motocicletas
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Honda retorna ao segmento de mountain bikes com protótipo de bicicleta elétrica inspirada em motocicletas

A Honda optou por expandir sua presença no setor de veículos de duas rodas. A companhia japonesa, reconhecida por seus automóveis, motocicletas e outros produtos motorizados, expôs um protótipo de bicicleta elétrica de montanha (e-MTB) durante o evento Sea Otter Europe, realizado em Girona, Espanha.

Este lançamento sinaliza o retorno da Honda ao universo das mountain bikes após cerca de vinte anos. Pelo que foi demonstrado, a empresa aborda este projeto com considerável seriedade.

Atualmente, o site da Honda na Alemanha possibilita que pessoas interessadas se inscrevam para receber atualizações sobre a futura e-MTB. A página exibe a frase “New terrain, same dream” e informa que a bicicleta está “quase pronta”.

A bicicleta apresentada utiliza um motor central da linha Shimano EP8. Contudo, um aspecto notável são as imagens do protótipo, que sugerem uma carcaça distinta daquela empregada no modelo atual Shimano EP801. Embora isso não confirme a chegada de um novo motor da Shimano, a diferença gera expectativa enquanto a Honda não fornece mais detalhes sobre o mecanismo da e-MTB.

Mais informações sobre o histórico da Honda e mountain bikes

A ligação da Honda com o ciclismo de montanha não é recente. Há mais de duas décadas, a divisão de pesquisa e desenvolvimento de motocicletas da empresa desenvolveu a RN01, uma bicicleta focada em downhill que possuía uma característica singular: uma transmissão fechada integrada ao quadro. A Honda chegou a participar de competições internacionais com a RN01 antes de se afastar do esporte.

Dessa forma, o novo projeto representa um retorno particularmente relevante. De acordo com o Electrek, a Honda não está simplesmente aplicando sua marca em uma bicicleta elétrica criada por terceiros. A empresa também exibiu o novo protótipo ao lado da antiga RN01, juntamente com suas motocicletas elétricas e outros protótipos off-road mais recentes.

Apesar da demonstração, ainda faltam dados cruciais sobre a futura e-MTB. A Honda não divulgou a capacidade da bateria, o motor final, o peso do equipamento, o custo, o nome que terá na versão de produção ou os mercados de lançamento.

Não obstante, o fato de a Honda já estar aceitando cadastros de interessados em seu “novo E-Mountainbike” sugere que o projeto pode ir além de um mero estudo de design. Por ora, a empresa ainda não especificou quando a bicicleta estará disponível comercialmente nem quais serão suas características definitivas.

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Existe um fascínio em apreciar motocicletas em 2026. Embora o autor seja um entusiasta de automóveis e tenha se tornado jornalista automotivo após mais de 15 anos, ele observa que muitas motocicletas novas ainda mantêm características de modelos antigos, como rodas raiadas, acabamento cromado e carburador.

Essa preservação de design é notável em alguns mercados, como exemplificado pela Yamaha TW200, lançada em 1987. Essa moto permanece praticamente inalterada, apresentando um motor monocilíndrico de 197cc e 16 cv com carburador Mikuni e câmbio de cinco marchas. Apesar de pequenas melhorias pontuais em freios, elétrica e amortecedor traseiro, ela mantém seu tanque de sete litros, farol quadrado com lente de vidro e painel de instrumentos simples. Nos Estados Unidos, ela custa US$ 5.000.

A inspiração para a aventura da TW200 veio de uma concorrente: a linha RV da Suzuki, que também persiste até hoje. A linha RV da Suzuki é conhecida por ser extremamente fiel ao seu design original, e é frequentemente chamada de VanVan.

Em 1971, a Suzuki introduziu a RV90, cujo objetivo era fundir trabalho e lazer em um único veículo. Essa moto não foi inicialmente destinada ao mercado japonês, que já era dominado pela Honda; a estratégia foi focar nos Estados Unidos, especificamente nas costas Leste e Oeste, onde havia alta demanda por veículos de lazer.

O apelido oficial, VanVan, pode ser uma onomatopeia do som do motor ou um advérbio de intensidade. A moto era ideal para a praia devido aos seus pneus balão, que utilizavam rodas de 10 polegadas e baixa pressão. Contudo, a Suzuki também a projetou para tarefas agrícolas ou campos de golfe.

Embora lembrasse uma cub pelo motor horizontal e tanque sob o banco, a VanVan possuía um câmbio tradicional de quatro marchas com embreagem manual, diferentemente das cub. Seu motor dois-tempos de 88cc gerava 8 cv a 6.000 rpm e 1 kgfm de torque a 4.000 rpm. O diferencial genial era a bomba de ar embutida no quadro, permitindo encher os pneus após o uso na areia ou lama para rodar no asfalto.

Este conceito de 'pleasure bike' (moto de lazer) foi um sucesso, levando a Suzuki a criar vários modelos. Em 1972, surgiu a VanVan 50, mais acessível e com câmbio semiautomático, e a VanVan 125, mais potente, com câmbio de cinco marchas e rodas assimétricas. Posteriormente, a VanVan 75 preencheu a lacuna intermediária, todos compartilhando a filosofia de motores monocilíndricos dois-tempos e baixo peso.

A linhagem original durou mais de uma década, com os últimos modelos saindo por volta de 1982. Esse nicho de motos de lazer com pneus grandes começou a influenciar a indústria. Em resposta, a Yamaha lançou a linha BW (Big Wheel) em 1985, essencialmente motos de trilha com pneus de quadriciclo, demonstrando a viabilidade de criar produtos novos com peças de prateleira.

A Yamaha expandiu essa ideia com a BW80, BW200 e BW350. No entanto, essas motos não eram homologadas para asfalto e eram destinadas a propriedades privadas. A Honda reagiu em 1986 com a TR200 Fat Cat, utilizando o conjunto mecânico de quatro tempos de seus triciclos ATC, adicionando partida elétrica e embreagem centrífuga automática, tornando-a popular entre iniciantes e fazendeiros americanos.

Ambas as linhas, BW e Fat Cat, tiveram vida curta por serem produtos muito nichados, dependentes do bom momento econômico do Japão. O público demonstrou interesse no conforto e tração dos pneus largos. Assim, a Yamaha focou na ideia, resultando na TW200 de 1987, que combinou pneus balão com um motor quatro tempos, piscas, farol e placa para uso legal.

A TW200 dominou o segmento por quase vinte anos até que a Suzuki retomou a linhagem VanVan em 2002, com a RV200 e, no ano seguinte, a RV125. Essas novas versões abandonaram o estilo cub original, adotando uma aparência mais próxima da TW200, mas mantendo elementos clássicos da VanVan, como o farol redondo.

A RV200 utilizava um monocilíndrico quatro-tempos refrigerado a ar de 199cc, entregando 16 cv a 8.000 rpm. Já a RV125 usava um motor quatro-tempos carburado de 124cc, produzindo 12 cv a 9.500 rpm. Ambas foram concebidas para velocidades baixas em terrenos de pouca aderência. Em 2007, a RV125 passou a usar injeção eletrônica. Apesar da similaridade de desempenho com a TW200, a Yamaha havia estabelecido a referência no segmento, e a Suzuki buscou competir nesse espaço até 2017, quando retirou ambos os modelos do mercado.

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