Na África do Sul, em comemoração ao Dia do Patrimônio, o Dr. Loyanda Mafumbu afirma que a proteção do patrimônio deve ir além das tradições e da história, incluindo sistemas de conhecimento local e o meio ambiente natural. Ele explora como a combinação de conhecimentos tradicionais com a ciência pode ajudar as comunidades de Etxeviní a se prepararem para as mudanças climáticas e preservar recursos para as gerações futuras.
Todos os anos, os sul-africanos celebram o Dia do Patrimônio, celebrando as tradições, culturas, línguas e histórias que moldam a identidade nacional. No entanto, o patrimônio não é apenas a preservação do passado; é também a proteção do conhecimento, dos recursos e do meio ambiente que garantirão o futuro.
Como as comunidades em Etxeviní enfrentam as consequências das mudanças climáticas — como inundações, tempestades, secas, aumento da temperatura e crescente pressão sobre os ecossistemas, torna-se evidente que o aumento da resiliência exige o uso de todas as fontes de conhecimento disponíveis. Um dos recursos mais valiosos, mas frequentemente subestimados, são os sistemas de conhecimento local.
Ao longo de muitas gerações, as comunidades desenvolveram uma compreensão profunda de seu ambiente local. Através da observação e da experiência pessoal, as pessoas aprenderam a reconhecer mudanças sazonais, determinar regimes de precipitação, entender a condição do solo, proteger fontes de água e gerenciar recursos naturais. Esses conhecimentos foram transmitidos de geração em geração por séculos e permanecem relevantes até hoje.
É importante notar que o reconhecimento do conhecimento local não significa negar a ciência. As medidas de resposta mais eficazes às mudanças climáticas são alcançadas pela integração de diversas formas de conhecimento. Enquanto as pesquisas científicas fornecem previsões climáticas vitais, avaliações de risco e inovações tecnológicas, o conhecimento local oferece informações práticas baseadas em locais específicos e experiências. Juntos, eles podem fortalecer a adaptação às mudanças climáticas, a preparação para desastres e a sustentabilidade a longo prazo.
A Estratégia Climática de Durban reconhece o valor do conhecimento local na compreensão dos impactos climáticos, na proteção da biodiversidade e no apoio a métodos agrícolas sustentáveis adaptados às condições locais. Essa abordagem reconhece que as comunidades não são apenas vítimas das mudanças climáticas, mas também parceiras importantes na busca por soluções. Nos últimos anos, o município tem trabalhado para fortalecer a colaboração com líderes tradicionais e comunidades.
Este ano, Etxeviní realizou um Seminário de Gestão de Desastres para líderes tradicionais, focado em melhorar a preparação para desastres relacionados ao clima, como inundações, incêndios e tempestades fortes. Essas interações criam oportunidades para combinar a experiência local com informações climáticas modernas e planejamento de emergências. A importância da governança climática inclusiva através de plataformas como o Fórum Municipal sobre Mudanças Climáticas, que reúne liderança tradicional, sociedade civil, empresas, trabalho organizado e partes interessadas governamentais, também foi destacada.
Tal colaboração garante que as ações de combate às mudanças climáticas reflitam tanto os dados científicos quanto a realidade das comunidades. O patrimônio e as ações climáticas estão ligados de outra maneira importante: proteger nosso meio ambiente é em grande parte um ato de proteger nosso patrimônio. Os rios, zonas úmidas, florestas, costas e a biodiversidade de Etxeviní constituem parte do patrimônio natural que herdamos. Esses ecossistemas sustentam meios de subsistência, fornecem serviços essenciais e contribuem para o bem-estar das comunidades.
No entanto, eles estão se tornando cada vez mais vulneráveis às mudanças climáticas e à degradação ambiental. Ao restaurar zonas úmidas, proteger rios, conservar a biodiversidade e plantar espécies vegetais locais, fazemos mais do que apenas proteger a natureza. Estamos preservando o patrimônio natural que as gerações futuras devem herdar.
De forma semelhante, promover a produção de alimentos sustentável e localmente adequada ajuda a fortalecer a segurança alimentar, ao mesmo tempo que preserva conhecimentos valiosos sobre métodos agrícolas desenvolvidos ao longo do tempo. O Dia do Patrimônio oferece uma oportunidade para refletir não apenas de onde viemos, mas também o que decidimos passar adiante.
As decisões que tomamos hoje sobre nosso meio ambiente, nossos ecossistemas e nossos sistemas de conhecimento afetarão a resiliência e o bem-estar das gerações vindouras. Como moradores de Etxeviní, cada um de nós desempenha um papel. Seja conservando água, reduzindo resíduos, plantando árvores nativas, protegendo rios e zonas úmidas, apoiando a produção local de alimentos ou educando as gerações mais jovens sobre princípios de conservação ambiental, cada ação contribui para um futuro mais sustentável. Nosso patrimônio não está apenas nos monumentos, tradições e memórias. Ele também está nas paisagens que protegemos, nos conhecimentos que preservamos e no futuro que construímos juntos. Valorizando tanto o conhecimento local quanto as inovações científicas, podemos construir comunidades melhor preparadas para o clima em mudança, garantindo ao mesmo tempo a preservação de nosso rico patrimônio natural e cultural para as gerações futuras.

