Projeto Kemilau Ubud / PSA Studio foca na integração com a natureza e sustentabilidade
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

Projeto Kemilau Ubud / PSA Studio foca na integração com a natureza e sustentabilidade

O projeto Kemilau Ubud, desenvolvido pelo PSA Studio, foi concebido com o objetivo de replicar a sensação de exploração de uma floresta tropical. Isso é alcançado através de paisagens densas e rios caudalosos, simbolizados por uma piscina de desenho orgânico que serpenteia entre as árvores. Cada componente arquitetônico foi meticulosamente planejado para se integrar de maneira harmônica ao ambiente circundante, proporcionando uma vivência espacial imersiva e natural.

A filosofia do projeto prioriza a sustentabilidade, utilizando materiais naturais como madeira, pedra e vegetação local, mantidos em seu estado bruto, sem aplicar acabamentos excessivos. Essa escolha permite que a essência intrínseca dos materiais contribua diretamente para a identidade do espaço.

O terreno foi segmentado em duas áreas distintas. A seção frontal funciona como espaço público, destinada à recepção e a atividades comerciais. Este setor foi desenhado como um ambiente aberto, garantindo grande entrada de luz natural e ventilação transversal. Intencionalmente, esses espaços públicos não possuem ar-condicionado, dependendo de táticas de resfriamento passivo para assegurar o conforto térmico e a circulação de ar.

Já a parte traseira abriga os quartos privados. A circulação foi disposta ao longo da parte de trás para criar uma progressão espacial. Essa organização transforma o caminho até cada acomodação em uma sucessão de experiências espaciais, gerando momentos de descoberta conforme os hóspedes se aproximam de seus quartos. Todos os quartos são equipados com amplas janelas para maximizar a luminosidade e emoldurar as vistas da flora ao redor. Além disso, varandas ou terraços particulares oferecem aos hóspedes a oportunidade de desfrutar do ar puro e dos sons da natureza, reforçando a ligação entre os ocupantes e o meio ambiente.

A piscina foi concebida como um elemento paisagístico que se funde perfeitamente com o jardim, representando um rio natural que percorre a floresta. Ela estabelece uma transição suave entre a água, o solo e a vegetação, fazendo com que a área seja mais do que apenas uma área de lazer; ela se torna uma experiência natural envolvente. O paisagismo geral do jardim espelha o perfil da floresta de Ubud: exuberante e orgânico, complementado por elementos aquáticos que promovem um equilíbrio sereno.

No que diz respeito à volumetria do edifício, diversas estruturas existentes foram mantidas, permitindo que o novo arranjo seguisse a disposição original. Esta metodologia não só protege a integridade do terreno, mas também garante a continuidade entre seus valores históricos e os elementos modernos. A forma do telhado foi adaptada da geometria tradicional balinesa limasan, recebendo um toque mais dinâmico, o que resulta em um design que dialoga com as tradições locais sem perder sua contemporaneidade.

A união de materiais naturais, estratégias de iluminação, volumetria e a integração paisagística confere ao Kemilau Ubud o status de um destino que é não apenas funcionalmente agradável, mas também rico em vivências espaciais. O projeto ilustra como a arquitetura pode funcionar como um meio para reconectar indivíduos com a natureza, ao mesmo tempo em que provê um refúgio pacífico em uma área turística urbana de alta movimentação.

Histórias semelhantes

Pavilhão La Grieta e Onda Pavilion, projetados com WEYES Studio, exploram sustentabilidade e interação luz-espaço
Leia mais
archdaily.com.br

Pavilhão La Grieta e Onda Pavilion, projetados com WEYES Studio, exploram sustentabilidade e interação luz-espaço

O Pavilhão La Grieta, desenvolvido em colaboração com o WEYES Studio e estudantes de arquitetura do CEDIM, foi concebido como uma investigação acadêmica e construtiva focada em temas como sustentabilidade, consciência material e a relação intrínseca entre luz, tempo e espaço.

Este pavilhão funcionou simultaneamente como um objeto construído e um exercício pedagógico, unindo os conceitos de projeto, edificação e consciência ecológica por meio da interação direta com os materiais utilizados.

O projeto utilizou o sistema de Bloco de Madeira Encaixado (BME), um método construtivo baseado em blocos de madeira que segue os preceitos da arquitetura renovável e sustentável. Este material provém de recursos florestais gerenciados de maneira responsável na Sierra de Durango, refletindo a filosofia de construção consciente da Habiteo, caracterizada por ser leve, adaptável e ecologicamente responsável.

Além de seu mérito técnico, o uso deste material proporcionou aos estudantes a chance de assimilar lógicas construtivas alternativas que diminuem a emissão de carbono, ao mesmo tempo em que criam ambientes acolhedores e habitáveis.

Um workshop intensivo de três semanas integrou o conhecimento teórico e a aplicação prática, sendo conduzido integralmente pelos estudantes sob a supervisão de professores e colaboradores. Inicialmente, os participantes se familiarizaram com ferramentas de construção, procedimentos de documentação arquitetônica, normas regulatórias e gestão de obras, enquanto estudavam a lógica construtiva do sistema BME.

O contato direto com o material permitiu que os alunos desenvolvessem rapidamente uma noção intuitiva sobre a sequência construtiva, a precisão e a montagem. No canteiro de obras, os estudantes foram responsáveis por todas as etapas da construção do pavilhão: desde a marcação e nivelamento, passando pela escavação e fundação, concretagem, até a montagem sequencial de cerca de 3.000 blocos de madeira.

Este processo reforçou a necessidade de traduzir o desenho arquitetônico para a realidade física, possibilitando a compreensão da ligação entre as escolhas de projeto, as limitações dos materiais e a exatidão construtiva. O esforço conjunto também destacou a relevância da colaboração na arquitetura, visto que os alunos organizaram e reconheceram as competências individuais da equipe, abrangendo desde a coordenação e o entendimento espacial até a execução física e a precisão técnica.

Concebida como uma vivência espacial voltada à contemplação, La Grieta explora as qualidades intangíveis da arquitetura através do contraste entre a escuridão, a luz e a passagem do tempo. O pavilhão adota a forma de um volume escuro perfurado por uma abertura estreita, denominada «fresta» (grieta). Esta abertura foi estrategicamente posicionada após estudos solares para capturar o movimento luminoso ao longo do dia.

À medida que a luz irrompe no interior, ela reveste gradualmente as superfícies de madeira, gerando atmosferas dinâmicas e experiências sensoriais em constante mudança. Cada visita ao pavilhão é singular, definida pelo momento, pela estação e pela percepção individual. Internamente, o pavilhão atua como uma passagem labiríntica entre a penumbra e a luminosidade, convidando os visitantes a se desvincular das distrações externas e a reconectar-se com sensações espaciais primárias, como a sombra, a textura, o silêncio, a escala e o calor inerente ao material.

Por meio desta interação controlada entre o fechamento e a entrada de luz, o pavilhão se estabelece como um instrumento de consciência e meditação. Em última análise, o Pabellón La Grieta transcendeu o status de mera estrutura temporária, servindo como uma plataforma de aprendizado coletivo que ilustra como a prática colaborativa, a experimentação material e a construção sustentável podem influenciar não só a arquitetura, mas também a visão das futuras gerações de arquitetos sobre sua responsabilidade social e ambiental.

Popular