De acordo com o último relatório da Comissão NUS–Lancet PRIME, intitulado «Transformação da preparação para pandemias em prol da igualdade», é possível prevenir a morte de quase 2,7 milhões de pessoas adicionais durante uma futura pandemia se as vacinas forem distribuídas proporcionalmente à população, e não ao poder aquisitivo dos países.
A Comissão realizou simulações de um cenário de pandemia de gripe A, no qual, sem o rápido desenvolvimento de uma vacina eficaz, seriam esperadas 58,5 milhões de mortes. Com o rápido desenvolvimento das vacinas, o número previsto de mortes cairia para 23,9 milhões. No entanto, a simulação mostrou que o número de vítimas poderia ser ainda menor se a distribuição das vacinas fosse baseada na população, e não no poder de compra.
Nesse cenário, seriam evitadas 2,7 milhões de mortes adicionais, sendo a maior redução observada em países de renda média. Esses resultados destacam uma das lições chave da pandemia de Covid-19: o acesso a contramedidas médicas e vacinas depende fortemente da capacidade de um país garantir os suprimentos necessários.
Riqueza e acesso a vacinas
A simulação da comissão demonstrou os compromissos associados a uma distribuição mais equitativa dos estoques limitados de vacinas. Na distribuição baseada na população, o número de mortes em países de alta renda aumentou de 2,4 milhões simulados para 3,9 milhões, enquanto o número global de mortes diminuiu.
É importante notar que os números apresentados são estimativas de um modelo hipotético de pandemia e não preveem o número exato de vítimas de qualquer surto futuro específico. A comissão também estudou o impacto da confiança nas vacinas. Sua simulação mostrou que medidas capazes de aumentar a confiança nas vacinas poderiam prevenir mais 1,9 milhão de mortes no âmbito de uma pandemia hipotética. Isso aponta para outro problema na resposta a futuras pandemias: o desenvolvimento de vacinas é apenas parte do processo; as pessoas também precisam confiar nelas e ter acesso a elas.
Preparação para pandemias vai além das vacinas
O relatório afirma que a preparação para pandemias deve levar em consideração as condições socioeconômicas que afetam a capacidade das pessoas de se protegerem durante uma emergência de saúde. A comissão analisou dados de 20 países, considerando questões como acesso à saúde, proteção social, confiança pública e capacidade das comunidades de responder a ameaças à saúde.
Este trabalho ocorre em meio aos esforços contínuos da Organização das Nações Unidas, que se concentra no fortalecimento da preparação internacional para futuras pandemias. Em seu próprio relatório, a ONU observou a necessidade de os países aprenderem com a Covid-19 e fortalecerem a cooperação antes do próximo grande crise de saúde. A comissão afirma de forma semelhante que a preparação para pandemias não pode se basear exclusivamente em sistemas de vigilância, laboratórios, vacinas e planos de ação de emergência.
Ela apela para que o princípio da igualdade seja incluído no planejamento de pandemias, para que países e comunidades que historicamente tiveram menos acesso a recursos médicos não fiquem à espera de medicamentos vitais durante a próxima crise.
Outra abordagem para a próxima pandemia
O relatório apresenta a distribuição de vacinas como parte de uma questão muito mais ampla sobre como o mundo se prepara para futuros surtos. A simulação mostra que o rápido desenvolvimento de vacinas pode reduzir significativamente a mortalidade, mas o benefício disso depende parcialmente de como essas vacinas serão distribuídas. As conclusões da comissão indicam que mudar os critérios de distribuição de vacinas pode salvar milhões de vidas adicionais em todo o mundo, e aumentar a confiança na vacinação pode prevenir milhões de mortes adicionais.
Esses números são baseados em simulações, e não em observações de pandemias, portanto, o impacto real de qualquer surto futuro dependerá de fatores como o vírus envolvido, sua transmissibilidade e gravidade, a velocidade de desenvolvimento das vacinas e a eficácia da entrega por parte dos países.
