A equipe de projeto do Parque Chas apresentou diversas tipologias de residências, e este caso específico envolveu a reforma de uma antiga «casa cajón» localizada em um terreno quase quadrado, com intervenções realizadas durante os anos 2000.
Ao serem contatados pelos clientes, a equipe soube que sua atuação seria limitada ao design de interiores, à resolução da circulação interna e às áreas externas, visto que os proprietários não desejavam expandir a área construída.
O conceito de construir foi traduzido através da criação de um paisagismo exclusivo, transformando um pátio em um espaço vibrante para a vida ao ar livre. Este ambiente foi definido por um perímetro irregular de vegetação, a inclusão de uma piscina, uma escadaria que conduz a um estúdio de música e o aproveitamento das grades pré-existentes.
As grades foram recontextualizadas, deixando de ser apenas um recurso de segurança para se tornarem um suporte para o crescimento e domínio da vegetação no entorno. O processo também envolveu a construção de identidade e apropriação do espaço.
Foi desenvolvida uma paleta de cores e texturas específica, integrando elementos originais, como a abóbada de tijolos e os ladrilhos cerâmicos do pátio, e combinando-os com elementos mais simples. Internamente, houve uma reconfiguração com a adição de uma parede de blocos de vidro e uma nova escada, além da unificação do revestimento entre os ambientes internos e externos. Mobiliário de madeira foi empregado para delimitar sutilmente a circulação da sala de jantar.
A fachada foi tratada como um componente que pertence mais ao tecido social e urbano do que ao indivíduo proprietário. Para harmonizar com o contexto do Parque Chas, propôs-se uma nova fachada baseada em tijolo e tons claros, visando conferir maior leveza à escala da rua e da calçada estreita.
Essa transformação conseguiu mudar uma fachada de estilo pós-moderno com aparência industrial para algo mais acolhedor e suave em relação ao seu entorno. No final, o objetivo é que o espaço seja vivido, manchado e utilizado em todas as suas facetas, pois o maior valor de uma obra reside em perder sua condição inicial de novidade para se tornar um repositório de memórias, histórias e experiências duradouras.



