Keith Flint: A vida dupla do músico entre a fama e o motociclismo profissional
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Keith Flint: A vida dupla do músico entre a fama e o motociclismo profissional

Existe uma pressão social constante para que cada indivíduo deixe uma marca significativa no mundo, uma voz que sugere que a inação resultará em um legado esquecido e inútil. No entanto, a maioria das pessoas vive anonimamente, sem deixar um legado global, apesar das aparências nas redes sociais.

Poucos indivíduos conseguem transformar milhares de vidas, tornando-se símbolos ou figuras notáveis. Um desses exemplos foi Keith Flint, vocalista do renomado grupo de música eletrônica The Prodigy.

O som do Prodigy é complexo; embora sua base seja considerada EDM (Electronic Dance Music) desde 1990, a mídia frequentemente os descreve como pilares das festas rave e principais expoentes da música dance alternativa. Contudo, seus fãs abrangem tanto os entusiastas da música eletrônica quanto os apreciadores de rock pesado e heavy metal, devido à marca de peso e experimentalismo do grupo.

Flint inicialmente atuava como dançarino no Prodigy, mas assumiu os vocais do single “Firestarter” em 1996, tornando-se o frontman. Posteriormente, em junho de 1997, lançaram o álbum seminal The Fat of the Land, que continha sucessos como Breathe e Smack My Bitch Up, clássicos até hoje.

Em 4 de março de 2019, Keith Flint foi encontrado morto em sua residência em Essex, Inglaterra. De acordo com o produtor e colega de banda Liam Howlett, Flint cometeu suicídio, e vestígios de substâncias psicoativas foram encontrados nos exames pós-morte.

Embora o abuso de drogas não deva ser visto como parte do legado de Keith Flint, sua música, criatividade e performances intensas são reconhecidas. No entanto, Flint é citado aqui não apenas por sua carreira musical, mas também por ser um ícone do motociclismo profissional, onde fundou sua própria equipe e conquistou o lendário Tourist Trophy de Isle of Man múltiplas vezes.

A paixão de Flint pelas motocicletas começou em sua convivência com dois irmãos mais velhos. Um possuía uma Kawasaki Z9 customizada e o outro gostava de esportivas, migrando de modelos dois tempos Yamaha para Suzuki GSX-R. Fascinado pela liberdade, o jovem Keith pedia carona aos irmãos até encontros de motociclistas.

Sua jornada começou com um ciclomotor Yamaha FS1-E, que foi substituído por uma RD80LC e, finalmente, pela Yamaha RD400, sua grande paixão. Flint teve várias RD400; a primeira foi restaurada e customizada em um galpão alugado enquanto ele tentava esconder a moto dos pais. Aos 17 anos, ele demonstrou sua habilidade ao mostrar sua RD400 reluzente aos irmãos.

Os fins de semana estabeleceram um ritual de viagens pela costa com o grupo de motociclistas, competindo para ver quem chegava por último e disputando corridas no retorno, em uma época sem fiscalização rigorosa.

Para custear o hobby, Flint trabalhou como entregador sobre duas rodas (despatch rider) no Reino Unido. Apesar de ser péssimo no serviço, pois costumava se empolgar e errar o caminho, ele fez muitas amizades no meio do motociclismo, o que o levou a participar de provas longas como as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Spa-Francorchamps.

Durante esse aprendizado mecânico, Flint teve problemas ao tentar modificar uma Suzuki GSX1100 EFE, instalando um kit big bore e componentes da Demon Tweeks, o que acabou danificando o motor. Ele aprendeu a lição, e quando pôde, comprou uma Honda CBR900RR FireBlade 1992, enviando-a a Nick Morgan da MSS Performance para preparação profissional.

O envolvimento profissional com motociclismo ocorreu no final dos anos 90. Keith pilotou a Ducati da equipe Reve Red Bull de Sean Emmett e, com a ajuda do ex-piloto Roger Marshall, treinou em Mallory Park para estrear no campeonato New Era em uma Ducati de John Reynolds.

Seu envolvimento era tão autêntico que Mick Doohan, pentacampeão mundial de 500cc, ligou pessoalmente para desejar sorte ao vocalista do Prodigy, após Flint ter feito amizade com Doohan através de Barry Sheene.

Caos Organizado

Flint não via o prazer em ser um viciado em adrenalina, mas sim no estado de fluxo, que ele chamava poeticamente de “caos organizado”: a sensação de sincronia com a máquina no limite entre controle e desastre. Ele comparou a primeira vez que raspou o joelho no asfalto com a perda da virgindade.

Contudo, sua incursão nas corridas foi breve. Em 1998, durante o auge de Firestarter, ele sofreu um grave acidente em Mallory Park. Diante da impossibilidade de arriscar sua carreira consolidada na música, Keith percebeu que não teria um futuro brilhante como piloto profissional.

Ele manteve o contato com as motos, participando de track days com uma KTM 350 EXC e uma Yamaha TTR150. Continuou realizando aventuras, como percorrer mais de 2.400 quilômetros de Essex a Jerez de la Frontera em 24 horas em 2007, em uma aposta beneficente.

Nesse mesmo fim de semana, ele teve interações notáveis: deu uma volta na Ducati MotoGP de Randy Mamola e, na área de boxes, esbarrou acidentalmente no Rei Juan Carlos I da Espanha, sendo retirado por seguranças reais.

Buscando um formato que equilibrasse sua sede de velocidade com seus compromissos musicais, ele descobriu o campeonato britânico de endurance da Hottrax. As corridas de longa duração proporcionaram o equilíbrio ideal, permitindo que ele prosperasse dividindo tempo entre pilotagem e gestão da equipe, conquistando títulos.

Essa experiência de sucesso no endurance foi o prelúdio para sua transição para chefe de equipe, um caminho natural para permanecer no cenário sem colocar sua saúde em risco.

Team Traction Control

Dessa ambição nasceu a Team Traction Control (TTC). A equipe evoluiu de encontros informais entre amigos para uma operação profissional.

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