A Amazon restringiu o acesso do Muse, um novo agente de inteligência artificial desenvolvido pela Meta, à sua plataforma de comércio eletrônico. Conforme apurado pelo GeekWire, essa restrição foi implementada porque a varejista observou que o assistente estava efetuando compras e acessando informações de contas sem apresentar uma identificação formal.
Para a Amazon, tal conduta infringe os termos de serviço da plataforma e pode gerar riscos à segurança dos consumidores. O Muse, lançado neste mês, foi concebido para executar tarefas autonomamente, como preenchimento de formulários e conclusão de pedidos em nome do usuário.
Inicialmente, a Amazon buscou um acordo, pedindo que a controladora do Facebook retirasse voluntariamente o site do alcance do robô, mas as conversações não progrediram. Sem chegar a um consenso, usuários que tentaram usar o assistente da Meta para compras no final de semana passado foram confrontados com uma mensagem de erro, alertando que o acesso contínuo por um agente não autorizado viola os termos de uso assinados pelos clientes.
A Amazon sustenta que o Muse opera acessando históricos de pedidos e processando transações sem obter o consentimento explícito da loja. Um porta-voz da empresa enfatizou que aplicações de terceiros com capacidade de compra precisam funcionar de maneira transparente para assegurar uma experiência mais segura e confiável.
Em resposta, a Meta garantiu que a ferramenta é completamente segura e foi desenvolvida priorizando a privacidade. A criadora da ferramenta declarou que o agente não possui visibilidade sobre senhas ou métodos de pagamento dos consumidores. Segundo a Meta, as credenciais inseridas pelo usuário no navegador são guardadas em uma máquina virtual isolada, o que permite que a IA as utilize sem exposição direta.
A proprietária do WhatsApp também ressaltou que qualquer ação sensível, como finalizar uma transação financeira, exige obrigatoriamente a aprovação prévia do usuário e a verificação por um segundo agente de monitoramento interno denominado Sentinel.
É relevante notar que ambas as companhias mantêm uma parceria estabelecida desde 2023 para vendas integradas no Instagram e firmaram um contrato de grande valor em abril para o processamento de cargas de IA na infraestrutura de nuvem da própria Amazon.
Este não é o primeiro caso em que a gigante do varejo impõe limites ao tráfego de IAs. A Amazon já havia impedido outros sistemas autônomos de compras do Google e da OpenAI, além de estar envolvida em litígio contra a startup Perplexity devido ao uso do navegador de IA Comet para rastrear páginas da loja.
Em paralelo, a Amazon está lançando suas próprias soluções de IA, como a recente Alexa para Compras. No entanto, a companhia destaca que seus próprios assistentes se identificam ao acessar websites de terceiros, dando às marcas a opção de rejeitar o tráfego automatizado em seus domínios.

