Apartamento Lilac: Projeto de moradia de 44 m² focado na fluidez e essência do lar
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Apartamento Lilac: Projeto de moradia de 44 m² focado na fluidez e essência do lar

A descrição fornecida pela equipe de projeto apresenta o Apartamento Lilac, um dos dois imóveis concebidos inicialmente como casas familiares para dois irmãos, Lilac e Blue. O Lilac foi projetado para acomodar uma nova residência com uma área de 44 m².

Este espaço, embora considerado pequeno ou mínimo para o conceito de 'casa', foi pensado para ser um ambiente doméstico reduzido, mas funcional, capaz de suportar diversas possibilidades de convivência. O design prioriza a baixa restrição de privacidade, permitindo que diferentes atividades ocorram simultaneamente, com cada área convidando a uma função específica que acompanha os hábitos dos moradores.

A reorganização interna do apartamento inverte a lógica tradicional, fazendo da circulação um espaço em si e do espaço, uma via de circulação. O antigo corredor de entrada foi convertido em uma área útil da cozinha, enquanto o quarto interno pré-existente, localizado no centro, foi destinado às zonas úmidas. Ao redor desta área central, uma passagem contínua facilita a movimentação através de quatro vãos simétricos, resgatando a luz e as travessias que intervenções anteriores haviam bloqueado.

No coração do apartamento, uma única bancada serve e conecta os dois lados deste núcleo, que abriga a cozinha e o banheiro. Essa bancada aproxima dois ambientes domésticos que, normalmente, estariam separados, compartilhando a presença dos habitantes. Todos os novos vãos foram construídos utilizando materiais espelhados ou translúcidos, conferindo aos espaços e às modestas áreas uma complexidade visual rica inerente a esses materiais.

Os 44 m² oferecem espaço para todas as necessidades de um futuro (ou casal de) morador(es). O projeto explora múltiplos cenários e relações, ecoando a ideia do filme «Le Mépris» de Jean-Luc Godard (1963), onde a fluidez espacial é crucial, atuando como palco, cenário, diálogo e refúgio para os habitantes. Neste contexto ficcional, o apartamento funciona como uma «arena» que recebe movimentos, hábitos e emoções, sendo um espaço contido onde cada seção ou cena evoca intimidades distintas.

A especificidade de múltiplos cenários de vida imaginados também garante que cada item do cotidiano e acessório doméstico encontre seu devido lugar. A flexibilidade reside nos estilos de vida concebidos, enquanto a especificidade define cada atributo e ritual doméstico. Talvez esta seja uma característica dos espaços «mínimos» que os torna tão atraentes para sediar um lar.

O Lilac, sendo o menor dos dois irmãos, promete proporcionar aos seus ocupantes a sensação de ter um verdadeiro «lar», demonstrando que a pequena escala é uma oportunidade para focar no essencial: os gestos, os diálogos, os objetos, a iluminação e os modos de viver que, em conjunto, conferem significado ao espaço.

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O projeto da casa é estruturado em três módulos interligados, os quais organizam o programa arquitetônico e criam diversas possibilidades de privacidade, encontro e expansão. Esta configuração permite que a edificação se ajuste com exatidão às características do terreno, ao mesmo tempo em que maximiza o espaço externo, tornando-o o elemento central da proposta.

A construção da casa foi realizada utilizando o sistema de arquitetura modular industrializada da iHouse, integrando projeto e execução em um único fluxo. Diferente de métodos construtivos tradicionais, toda a residência é materializada dentro de uma fábrica, sob condições rigorosamente controladas e com um planejamento detalhado de cada fase. Este modelo possibilita um alto grau de controle sobre os materiais, os acabamentos e a própria execução, permitindo que várias tarefas progridam de forma coordenada e simultânea.

Após ser finalizada na fábrica, a residência embarca para seu local de destino. Os módulos são transportados até o terreno designado, onde passam por uma operação de montagem e transporte altamente precisa. As peças produzidas industrialmente são então posicionadas e unidas para formar a residência como uma unidade arquitetônica coesa. Assim, grande parte do processo construtivo ocorre fora do canteiro de obras, o que diminui a necessidade de intervenção e o tempo gasto no local.

Na Casa Cella, a natureza industrial da arquitetura não implica um afastamento do local, mas sim serve como uma ferramenta para criar uma relação mais precisa com ele. A casa chega ao cenário quase completa, o que minimiza o impacto e o tempo de construção, direcionando a intervenção no terreno para aquilo que define a experiência do morador: a implantação, as expansões e o laço com o jardim.

O resultado final é uma moradia que harmoniza dois aspectos aparentemente contraditórios: a exatidão inerente a um objeto fabricado industrialmente e a dimensão sensível, aberta e informal de uma casa de veraneio. Trata-se de uma arquitetura que é manufaturada em outro lugar, mas que só adquire sua identidade plena ao ser instalada na paisagem, cercada por árvores, jardim, piscina e perto do mar.

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