Discord classifica risco de suicídio entre adolescentes como baixo no Brasil, apesar de suspensão após caso trágico
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Discord classifica risco de suicídio entre adolescentes como baixo no Brasil, apesar de suspensão após caso trágico

O Discord avaliou o risco de suicídio e automutilação entre adolescentes no Brasil como baixo. Essa conclusão consta no primeiro relatório de transparência da plataforma, divulgado em 17 de setembro, e abrange os dados coletados nos primeiros seis meses de 2026.

Essa divulgação ocorreu após a morte de uma jovem de 13 anos em julho, que supostamente cometeu suicídio após ser influenciada por outros jovens em um fórum de transmissão ao vivo dentro do Discord. Em resposta a esse incidente, a ANPD determinou, em agosto, a suspensão preventiva das transmissões e de recursos similares no território nacional.

Apesar da classificação de risco baixo para suicídio e automutilação, a ANPD havia apontado falhas nas ações implementadas pelo Discord para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. É importante notar que as avaliações possuem naturezas diferentes: o relatório foca nos controles já existentes na plataforma, enquanto a agência reguladora impôs a suspensão preventiva após o evento de julho.

Classificação de Riscos

Suicídio e automutilação foram classificados com risco baixo. No entanto, outras categorias receberam classificações distintas: assédio e bullying, ameaças de divulgação de informações pessoais, conduta de ódio, conteúdo sexualmente explícito, mídia íntima adulta não consensual e exploração sexual foram considerados riscos moderados. Nenhum dos tipos de risco analisados atingiu a classificação de risco alto.

O Discord justificou que essas classificações finais são um reflexo de sua análise realizada após levar em conta os mecanismos de controle que a plataforma possui.

Estatísticas de Denúncias e Intervenções

No período de janeiro a junho, usuários brasileiros registraram 1,12 milhão de denúncias relativas a problemas que não eram spam, além de outras 1,43 milhão de denúncias relacionadas especificamente a spam. A plataforma esclarece que o registro de uma denúncia não implica automaticamente que o conteúdo ou comportamento em questão tenha infringido as regras estabelecidas.

Durante o semestre, foram contabilizadas 417,2 mil intervenções, 301,2 mil ações tomadas contra contas, 129,5 mil contas desativadas e 12,4 mil servidores removidos. Especificamente entre as contas que provavelmente pertenciam a adolescentes, foram aplicadas 30,5 mil medidas, das quais 7.550 contas foram excluídas e 22.927 receberam avisos ou restrições temporárias.

Adicionalmente, o Discord encaminhou ao NCMEC 12.820 denúncias que envolviam fotos ou vídeos, e mais 2.817 denúncias relacionadas a material escrito sobre abuso sexual infantil.

Verificação de Idade

A empresa solicitou que 2,37 milhões de usuários realizassem um processo de verificação de idade. Deste grupo, 674,9 mil completaram o procedimento, e 651 mil foram aprovados. Entre os aprovados, 271,3 mil passaram por estimativa facial e 409,6 mil utilizaram documentos de identidade. Embora a soma desses dois procedimentos exceda o número total de aprovados, o relatório não detalha essa discrepância.

Inicialmente, a data de nascimento fornecida pelo próprio usuário serve para barrar o cadastro de menores de 13 anos. Contudo, quando é necessária uma restrição etária mais rigorosa, outros métodos podem ser empregados para confirmar a idade.

Relação com Autoridades

No primeiro semestre, o Discord recebeu 385 comunicações de autoridades brasileiras. Destas, 204 foram consideradas legalmente válidas e suficientemente específicas para demandar ações, tais como remoção de conteúdo, aplicação de medidas contra contas ou servidores, preservação de dados e fornecimento de informações às autoridades competentes.

A companhia também afirmou que está trabalhando para implementar os processos específicos de notificação e denúncia de abuso sexual infantil exigidos pelo ECA Digital. A próxima versão deste relatório está programada para ser lançada em 1º de fevereiro de 2027.

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Globalmente, a taxa atual é de 37 mortes por mil nascidos vivos, o que corresponde a cerca de 4,67 milhões de mortes anuais. Apesar do aumento dos recursos de saúde disponíveis, muitas crianças ainda nascem em condições precárias, resultando em perdas de vidas com grande potencial e afetando inúmeras famílias.

É crucial notar que grande parte dessas mortes infantis é evitável e deveria gerar um luto coletivo. Em 2023, o número de crianças que morreram de pneumonia (610 mil) superou o total de mortes de adultos causadas por homicídios, conflitos armados e guerras (595 mil).

Em escala mundial, as doenças infecciosas, incluindo pneumonia, malária, doenças diarreicas e sarampo, causam mortalidade comparável às complicações durante o parto. Juntas, essas duas categorias respondem por mais de 40% de todos os óbitos infantis.

O Brasil já enfrentou altos índices de mortalidade por diarreia; em 1980, 34% das mortes de crianças menores de cinco anos eram devidas a essa causa. A solução para prevenir esse tipo de morte é fundamentalmente simples: garantir água limpa. Atualmente, a incidência caiu para 1,5%, embora em 1980, a diarreia fosse responsável por 270 crianças brasileiras por dia, contra 590 no ano inteiro em 2023.

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