UNICEF apoia mais de 154 mil crianças em Moçambique, mas emite alerta sobre a situação de segurança
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UNICEF apoia mais de 154 mil crianças em Moçambique, mas emite alerta sobre a situação de segurança

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou seu mais recente relatório humanitário sobre Moçambique, alertando para a persistente instabilidade na segurança do norte do país durante o mês de julho. Este período foi marcado por novos deslocamentos populacionais e pela expansão das atividades de grupos armados para distritos localizados no sul da província de Cabo Delgado, resultando em um aumento das demandas humanitárias das crianças e suas famílias.

A província setentrional enfrenta uma insurgência armada que, desde 2017, já causou mais de 6.600 mortes. Conforme detalhado no documento do Unicef, a insegurança se manteve volátil no norte de Moçambique em julho. Intensificações das operações militares em Macomia forçaram grupos armados não estatais a se dispersarem para os distritos de Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.

Os movimentos de pessoas continuaram ao longo de julho. A ferramenta de monitorização de emergências da Organização Internacional para as Migrações registrou 3.729 indivíduos em movimento nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, sendo 1.575 deles crianças. A maior parte desses deslocamentos ocorreu em Cabo Delgado, impulsionada principalmente pela violência, embora também tenham sido registrados retornos planejados e o temor de novos ataques.

Dados fornecidos pelo Unicef indicam que o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contava, no final de julho, com 28.163 pessoas deslocadas devido ao conflito desde o início de 2026. Mulheres e crianças representavam 65% desse total de deslocados.

Em um cenário de agravamento das vulnerabilidades, o Unicef informou que, até julho, ofereceu serviços de saúde mental comunitária e apoio psicossocial a 154.659 crianças, adolescentes e cuidadores em Moçambique. Desses, 146.071 estavam nas províncias do norte afetadas pelo conflito. Somente em julho, a agência deu suporte a 24.603 crianças, adolescentes e cuidadores por meio desses serviços, incluindo 18.645 crianças em Cabo Delgado, através de atividades recreativas, culturais, esportivas e de apoio comunitário visando fortalecer a proteção e o bem-estar psicológico.

O relatório também ressalta que, em julho, 1.440 crianças sobreviventes de violência receberam serviços de gestão de casos, e 46 crianças que estavam desacompanhadas ou separadas de suas famílias foram reunificadas ou encaminhadas para acolhimento alternativo.

No setor educacional, severamente impactado pela violência, o Unicef contabilizou 154.608 crianças com acesso à educação formal ou não formal por meio dos programas apoiados pela organização, abrangendo também a aprendizagem pré-escolar. Especificamente em Cabo Delgado, 208 professores do distrito de Palma receberam treinamento para atuar em contextos de crise e identificar riscos de proteção infantil.

Adicionalmente, o Unicef alerta sobre o impacto previsto do fenômeno El Niño durante a temporada de chuvas e ciclones de 2026-2027. As projeções mais recentes sugerem uma probabilidade de 100% de o fenômeno perdurar até o começo de 2027, com potencial para intensificar a insegurança alimentar, especialmente nas regiões sul e centro do país.

Apesar da manutenção das ações humanitárias, a agência das Nações Unidas aponta restrições financeiras consideráveis. O apelo humanitário do Unicef para Moçambique em 2026 soma 58,8 milhões de dólares (equivalente a 50,4 milhões de euros), mas o déficit de financiamento permanece em 49%, o que compromete a capacidade do Unicef de atender integralmente às necessidades das crianças e seus responsáveis.

Por fim, o relatório estima que um milhão de crianças necessitam atualmente de auxílio humanitário em Moçambique, dentro de um universo de 1,8 milhão de pessoas em situação de necessidade, o que inclui mais de 506 mil deslocados internos ligados ao conflito e aproximadamente 715 mil retornados às áreas de origem.

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