A Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o chefe de governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, voaram para Nova York para assinar um acordo anunciado na sexta-feira entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos.
Dinamarca e Groenlândia confirmaram na sexta-feira à noite que alcançaram um acordo com os EUA sobre a segurança no Atlântico Norte e no Ártico, que deverá ser assinado nos próximos dias na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.
Frederiksen compartilhou uma foto tirada no avião em sua rede social Instagram, escrevendo: «Estou voando para Nova York. Este será um momento importante. E estou ansiosa por um bom acordo para a Groenlândia, o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos».
A Primeira-Ministra da Dinamarca informou que nos últimos dias e semanas manteve contato próximo com seus colegas da Alemanha, França e Reino Unido, bem como com parceiros da União Europeia (UE) e da NATO, para informá-los sobre o acordo, cujos detalhes ainda não foram divulgados.
Antes do voo, Frederiksen declarou na emissora estatal dinamarquesa DR que se reuniria com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York, destacando que mantém «boços relacionamentos» com este líder.
«Em um mundo que está passando por turbulência, acredito que este acordo terá um impacto positivo em nossa segurança. Tanto do ponto de vista europeu quanto do ponto de vista do reino, e também do ponto de vista da NATO», enfatizou a chefe de estado, que será recebida pelo seu ministro das Relações Exteriores, Lars Løkke Rasmussen, em Nova York.
O Almirante Giuseppe Cavo Dragone, presidente do Comitê Militar da Aliança Atlântica, declarou na sábado em Copenhague que «o acordo é muito bem-vindo».
Jens-Frederik Nielsen, chefe de governo da Groenlândia, que também voa para Nova York hoje acompanhado pelo Ministro das Relações Exteriores Mute B. Egede, escreveu: «Tem sido um tempo difícil para muitas pessoas em nosso país, e sei que houve muita preocupação e medo do que poderia acontecer (...)».
Ele acrescentou, durante o voo sobre o Atlântico: «Penso em todos vocês que estão em casa. Nas famílias, crianças, jovens e idosos. Em todos que acompanharam a situação e se preocuparam com o que o futuro pode trazer». Nielsen concluiu expressando esperança de que «agora poderemos encontrar um pouco mais de tranquilidade».
Nem Frederiksen nem Nielsen revelaram em qual dia exato o acordo será assinado, pois o texto completo ainda não foi publicado por nenhuma das partes.
Sabe-se apenas que o acordo garante aos EUA um papel permanente no fornecimento de segurança à Groenlândia e proíbe qualquer adversário de Washington de ter presença militar ou investimentos não autorizados na ilha.
De acordo com Washington, o pacto dá aos EUA a capacidade de «fazer tudo o que for necessário na Groenlândia» para garantir a segurança da ilha e dos EUA, incluindo presença permanente e direitos de voo, além de permitir o aumento do número de bases americanas, se necessário.
Atualmente, os EUA possuem apenas a base de Forças Espaciais Pituffik (antiga base Thule) na ilha, após décadas de redução de sua presença, embora as autoridades dinamarquesas tenham notado que esta política foi uma decisão de Washington.
O Acordo de Defesa de 1951, alterado em 2004 com a inclusão da Groenlândia, já concede aos EUA amplos poderes para criar novas zonas de defesa na ilha ártica.
No ano passado, Trump ameaçou repetidamente assumir o controle da Groenlândia, sem excluir mesmo o uso da força, o que causou alarme na Dinamarca e entre os aliados da NATO.
