O Ministério da Saúde está preparando o lançamento de uma rede nacional para o tratamento do câncer no início do outono. O objetivo desta iniciativa é unificar os serviços dispersos de combate ao câncer em um caminho de assistência coordenado, em equipe e rastreável.
De acordo com um comunicado citado pela ISNA de um representante oficial do ministério, os pacientes que entrarem nesta rede seguirão um roteiro claro por todas as fases: diagnóstico, tratamento e acompanhamento subsequente. Isso evitará a necessidade de visitar vários centros diferentes.
Não está previsto a construção de novas instalações médicas; em vez disso, a rede utilizará a capacidade existente para conectar especialistas e centros médicos. Os pacientes serão encaminhados para o centro e equipe médica mais adequados com base no tipo de câncer, nas capacidades do centro, no local de residência do paciente e outros critérios estabelecidos.
A atividade da rede está focada em melhorar a qualidade dos cuidados médicos, aumentar a acessibilidade aos serviços e reduzir o fardo financeiro para os pacientes. Elementos chave do programa serão a padronização de protocolos clínicos, o encaminhamento sistemático de pacientes, o trabalho em equipe e a tomada de decisões baseada em múltiplas disciplinas, o gerenciamento de capacidade dos centros, a detecção precoce, o acompanhamento dos pacientes, bem como o registro eletrônico e o monitoramento dos caminhos de tratamento.
Segundo o representante, o tratamento gratuito do câncer não significa acesso ilimitado a todos os serviços relacionados ao câncer ou a medicamentos gratuitamente tanto no setor público quanto no privado. O programa visa minimizar os custos dos pacientes do próprio bolso por serviços cobertos pelo sistema público, e em certos casos, eliminar quaisquer pagamentos diretos.
O registro de dados dos pacientes, seus encaminhamentos, acompanhamento e assistência recebida ajudará a esclarecer a situação atual do paciente, confirmar o recebimento dos serviços necessários e determinar qual centro ou quem é responsável pela próxima fase do tratamento.
Além disso, o representante observou que o programa prevê incentivos para especialistas e centros que aderirem à rede e cumprirem seus padrões, como o registro de informações importantes, o seguimento de protocolos clínicos, a participação no encaminhamento e acompanhamento de pacientes, bem como a responsabilidade pela qualidade dos serviços prestados.
A primeira fase do programa começará com foco no câncer de mama. Centros e provedores de serviços qualificados serão definidos, e a capacidade real desses serviços será estabelecida. Após a detecção precoce, avaliação primária por imagem, biópsia e patologia, se o câncer for confirmado, o tratamento começará.
Em última análise, o sucesso da rede deve ser avaliado não apenas pelo número de serviços prestados ou pacientes registrados. A questão fundamental é se o paciente recebeu o nível padrão de cuidado — no tempo certo, no lugar certo, da equipe certa, com barreiras administrativas e financeiras mínimas — e se seu caminho até a próxima fase de tratamento foi totalmente rastreado.
O representante acrescentou que o programa visa cobrir outros tipos de câncer prioritários no país até o final do ano iraniano atual, ou seja, até março de 2027.
De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer é a principal causa de mortalidade prematura no país. Anualmente, ele causa mais de 55 mil mortes. Das 122 mil mortes prematuras (antes dos 70 anos), cerca de 34 mil, e das 85 mil mortes muito prematuras (antes dos 50 anos), 11 mil casos são causados por vários tipos de câncer.
Os dez tipos de câncer mais comuns no Irã incluem câncer de mama, próstata, cólon, estômago, pulmão, bexiga, tireoide, útero, cérebro e coluna vertebral. Entre as mulheres do Irã, os mais comuns são câncer de mama, cólon, tireoide, estômago, útero, leucemia, ovário, cérebro e coluna vertebral, pulmão e esôfago.
A detecção precoce por meio de triagem aumenta as chances de tratamento bem-sucedido e prolonga a vida dos pacientes. Felizmente, o Irã está entre os países com tecnologia avançada de tratamento do câncer. Este ano, uma empresa de pesquisa iraniana desenvolveu um kit de diagnóstico baseado em nanotecnologia para a detecção precoce de antígenos associados ao Helicobacter pylori, que é a principal causa de gastrite crônica, úlcera duodenal e câncer de estômago.
Este feito permitirá reduzir a dependência de produtos importados, aprimorar o sistema de triagem, melhorar o acesso dos pacientes a serviços de diagnóstico e diminuir os custos do sistema de saúde. Em 2025, o Irã lançou a primeira linha de produção nacional de sistemas de eletroporação, tornando-se o primeiro país na Ásia a dominar tecnologias avançadas de tratamento do câncer.
A eletroporação é altamente eficaz no tratamento de vários tipos de câncer, como câncer de pele, por exemplo, carcinoma de células escamosas (CEC), um tipo comum de câncer de pele que se desenvolve nas células planas da camada superior da pele, melanoma e câncer de mama. Até agora, mais de mil pacientes foram tratados com esta terapia; em mais de 200 casos, o tratamento bem-sucedido evitou a necessidade de amputação.
Em junho, Teerã inaugurou um novo hospital de tratamento de câncer, equipado com mais de 600 leitos. Este hospital, afiliado ao Complexo Hospitalar Imam Khomeini e administrado pelo Instituto de Câncer do Irã, inclui departamentos de educação, pesquisa, diagnóstico e tratamento, informa a ISNA.
O hospital também possui 103 leitos especiais, 19 salas de operação, 6 leitos de cuidados domiciliares e 12 leitos de emergência.
A história do Instituto de Câncer remonta a 1949, quando um acordo conjunto entre a Faculdade de Medicina da Universidade de Teerã e a Sociedade da Meia-Lua Vermelha fundou um hospital de tratamento de câncer. O hospital fornecia assistência cirúrgica, patológica e ambulatorial a pacientes com câncer em todo o país.
Em 1950, foi criada uma unidade de radioterapia, e um ano depois, em acordo com a Organização Mundial da Saúde, a primeira unidade de cobalto foi instalada no Instituto, e os pacientes começaram a receber serviços de radioterapia. Em 1960, foram adicionados departamentos de citologia, e em 1962, unidades experimentais. Até 1970, quando foi renomeado para Instituto de Câncer do Irã, estava totalmente equipado e incluía patologia, cirurgia, radioterapia, quimioterapia, genética médica e laboratório de pesquisa experimental.
Atualmente, o Instituto de Câncer consiste em 14 departamentos e atua como centro líder em campanhas que abrangem todos os aspectos do combate ao câncer — desde a coleta de dados populacionais (registro de câncer baseado na população) até o cuidado avançado de pacientes em nível nacional. Anualmente, cerca de 10.000 pacientes com câncer são atendidos internamente e ambulatorialmente no Instituto de Câncer do Irã.
