O Congresso de Empreendedorismo Global Africano (GEC+Africa) 2026 começou no Centro Internacional de Congressos de Cidade do Cabo, na quarta-feira, 16 de setembro. O tema deste ano foi 'Conectando a África', refletindo a importância de fortalecer os laços entre empreendedores, mercados, capital, políticos, corporações e organizações de apoio ao ecossistema para liberar o potencial econômico do continente.
O evento, que é o maior fórum de empreendedorismo na África, foi organizado pela Global Entrepreneurship Network (GEN) Africa e 22 On Sloane. Ele reuniu startups, micro, pequenas e médias empresas (PMEs), empreendedores, investidores, representantes governamentais, corporações e organizações do ecossistema de todos os cantos da África e além. O congresso ocorreu durante dois dias, de 16 a 17 de setembro.
Na abertura do GEC+Africa 2026, o ex-presidente sul-africano Kgalele Molante proferiu um discurso principal. Ele enfatizou a importância do empreendedorismo e da participação econômica geral na formação do futuro da África. Molante salientou que as pequenas empresas e os fundadores de startups são forças motrizes chave para o crescimento de longo prazo e criação de empregos no continente. Seu discurso também destacou a importância de usar novas ideias e modelos de desenvolvimento inclusivo para capacitar jovens e futuras gerações.
Molante atualmente lidera o Kgalele Molante Foundation, que promove o diálogo, o desenvolvimento juvenil, a educação e a coesão social em toda a África.
Edna Satcha-Montse, Diretora de Transformação e Desenvolvimento Sustentável do African Bank, informou aos delegados que os empreendedores transformam comunidades diariamente. Ela observou que o problema da África não é a falta de ideias ou ambição, mas a ausência de sistemas capazes de acompanhar as pessoas que buscam construir o futuro. Segundo ela, os empreendedores estão criando a economia de amanhã hoje, mas as instituições frequentemente ficam para trás.
Satcha-Montse apontou que os empreendedores utilizam plataformas digitais para interagir com clientes, tecnologias móveis para transações e inovações para resolver problemas de longa data. Embora criem oportunidades em cidades, vilarejos e centros econômicos em crescimento, muitos enfrentam obstáculos não relacionados a talento ou esforço.
Ela destacou particularmente o acesso limitado a financiamento, os lentos processos regulatórios e o acesso desigual aos mercados, o que impede muitas empresas promissoras de passar da sobrevivência à escalabilidade. Satcha-Montse enfatizou que o desafio é criar sistemas financeiros, mercados e instituições governamentais que possam acompanhar essas pessoas, para que o empreendedorismo se torne o motor mais poderoso do crescimento africano.
No último dia da conferência, James Vos, membro do Comitê Majoritário de Crescimento Econômico da Cidade do Cabo, afirmou que o tema do congresso está diretamente ligado à essência do crescimento econômico. Na sua opinião, os negócios muitas vezes não precisam de novos programas ou estratégias do governo; eles apenas precisam que o governo funcione de forma mais eficiente. Ele saudou o foco nacional crescente na redução da burocracia e na simplificação dos negócios.
Vos explicou que isso não é uma questão de competição entre diferentes setores do governo. O objetivo de todas as partes é atrair mais investimentos, o sucesso de mais empresas e, acima de tudo, a criação de mais empregos. Ele acrescentou que a inovação na administração pública não deve ser complicada, mas sim resumir-se à busca por soluções práticas para problemas cotidianos.
Ele informou que Cidade do Cabo concentra seu apoio onde a cidade tem vantagens competitivas e potencial de investimento, incluindo tecnologia, BPO, economia verde, manufatura, turismo, vestuário e têxtil, produção marítima e economia criativa. Ao mesmo tempo, ele observou que o governo trabalha com especialistas setoriais, pois não possui todas as respostas.
A Ministra de Desenvolvimento de Pequenas Empresas, Stella Ndabeni, apresentou em sua fala principal no último dia uma mudança estratégica na política governamental, focada na avaliação de resultados econômicos reais, e não apenas em indicadores administrativos. Ela declarou que o maior ativo da África são seus povos, pois o continente possui a população mais jovem e em rápido crescimento do planeta.
Ndabeni enfatizou que, com a gestão adequada de tecnologias, elas podem abrir portas para finanças e mercados globais para milhões de africanos que antes estavam à beira da sobrevivência. Ela acredita que a África está à beira de uma revolução empreendedora, mas isso só acontecerá mediante ações ativas dos governos africanos.
A Ministra pediu investimentos em empreendedorismo e inovação, a criação de estruturas regulatórias inteligentes e favoráveis, e a colaboração com outros participantes do ecossistema, incluindo o setor privado, universidades e outras organizações de apoio ao empreendedorismo. Ela também pediu a transição do monitoramento de métricas operacionais simples para a avaliação da sobrevivência real dos negócios e da expansão de mercado.

