Publicado em 1890, O Cortiço é considerado um dos mais relevantes romances naturalistas da literatura brasileira. A obra foi escrita por Aluísio Azevedo (1857-1913) e explora a vida na sociedade carioca do século XIX, detalhando o dia a dia de um conjunto habitacional onde as vidas dos moradores se entrelaçam em um complexo cenário de paixões, ambições e tragédias.
A narrativa apresenta diversas histórias e relações entre seus personagens, conforme ilustrado em cenas específicas:
O Amor Enlouquece
Jerônimo e sua companheira, Piedade, residiam no quarto 35. Seu caráter e força garantiam-lhe respeito na pedreira adjacente ao cortiço. Contudo, sua vida sofreu uma reviravolta após presenciar Rita Baiana dançando. Apaixonado, ele passou a consumir cachaça, gastar excessivamente e, finalmente, abandonar sua esposa e filha para se dedicar a Rita.
Vocação para Sogra
Dona Isabel, moradora da casa 15, dedicou-se inteiramente à educação de Pombinha, visando casá-la com João da Costa, um comerciante, com o objetivo de restaurar seu antigo status social. A mãe só permitiu o casamento após a chegada da primeira menstruação da jovem. No entanto, a união foi breve, pois Pombinha traiu o marido, foi expulsa e acabou se prostituindo.
Pintou Sujeira
No número 12, onde vivia Marciana, ocorreu outra situação dramática. Ela era extremamente meticulosa com a limpeza da casa, mas enlouqueceu quando sua filha, Florinda, de apenas 15 anos, engravidou de um funcionário da venda, João Romão. Como ele não assumiu a paternidade, a menina fugiu após ser agredida pela mãe. Consequentemente, Marciana foi despejada do cortiço.
O Que É Que a Baiana Tem?
Rita Baiana morava no número 9. Bela e habilidosa no samba, ela era amante do capoeirista Firmo, mas também atraiu o interesse do vizinho, Jerônimo, que era português. Durante a disputa pelo afeto de Rita, Firmo feriu o lusitano com uma navalha. Posteriormente, Jerônimo se recuperou e eliminou seu rival em uma emboscada.
Vizinhos e Rivais
Miranda atuava como antagonista de João Romão. Ele morava no sobrado ao lado da loja e observava seu imóvel sendo gradualmente cercado pelo crescimento do cortiço. O negociante valorizava o status acima de tudo; ele casou-se com Dona Estela por causa do dote e nutria dúvidas sobre ser realmente o pai de sua filha, Zulmirinha. Isso gerava nele inveja da forma como Romão prosperou e de seu relacionamento com Bertoleza.
A Fogueira da Bruxa
Paula, conhecida como Bruxa, possuía características físicas marcantes, como ser feia, corpulenta, ter olhos desorbitados e dentes ameaçadores. Além disso, ela era capaz de tratar problemas de pele e febres através de rezas e bênçãos. Ela desejava incendiar o cortiço e conseguiu realizar o feito na segunda tentativa. Após o incêndio, João Romão precisou reconstruir o local, transformando-o em um espaço grandioso e aristocrático.
O Dono do Lugar
João Romão iniciou seu empreendimento ao herdar a taverna onde havia trabalhado por doze anos. Mais tarde, ele comprou terrenos atrás da taverna em um leilão e construiu três pequenas casas, marcando o começo do cortiço. Ele utilizou o dinheiro de Bertoleza para expandir o negócio (além de ser proprietário de uma pedreira nos fundos). Embora gostasse de atrasar pagamentos, ele era eficaz em cobrar dívidas, o que o fez enriquecer ainda mais. Ao buscar ascensão social, ele se desvinculou de Bertoleza para tentar se casar com Zulmirinha.
Eternamente Escrava
Para conseguir sua liberdade, a escrava Bertoleza reuniu vinte mil réis. Contudo, ela foi ludibriada por seu amante, João Romão: o português lhe forneceu um falso documento de alforria e empregou o dinheiro para aumentar a venda. Isso ocorreu porque Bertoleza fazia tudo por ele, trabalhando desde cedo até tarde da noite, cuidando da loja e da residência que compartilhavam.
