Em Teerã, na embaixada do México, ocorreu uma extensa conversa entre o embaixador do México no Irã, Guillermo Puente Ordóriz, e a publicação Tehran Times. A discussão abordou uma exposição especial intitulada «68 Vozes, 68 Corações», que foi apresentada na embaixada.
A exposição ocorreu durante a terceira semana da celebração dos povos indígenas e comunidades do México no exterior. Ela incluía 40 imagens acompanhadas por 20 histórias, bem como materiais audiovisuais que contavam sobre as diversas tradições dos povos indígenas em suas línguas nativas. Um funcionário da embaixada observou que, através desses recursos, a exposição oferecia a oportunidade de estudar diferentes formas de compreender e representar o mundo que faz parte do patrimônio cultural e linguístico do México.
Durante a entrevista, o embaixador também abordou profundas paralelos entre a diversidade cultural do México e do Irã, a importância da arte no estabelecimento de laços entre os povos, o estado atual das relações bilaterais, a experiência do México em receber a equipe nacional do Irã na Copa do Mundo, bem como suas reflexões pessoais sobre a vida no Irã.
O embaixador agradeceu o interesse pela exposição «68 Vozes, 68 Corações». Ele explicou que este título remete aos 68 grupos linguísticos dos povos indígenas do México e reflete a vasta diversidade cultural e linguística do país, que, segundo ele, excede esse número. Ele enfatizou que a exposição visa retratar um pedaço das diversas expressões culturais idiomáticas e étnicas do México moderno, ligadas ao passado antigo e às tradições, mencionando que existem 360 expressões linguísticas no México.
Puente Ordóriz acredita que os povos do México e do Irã são muito diversos. Ele supõe que os iranianos conseguirão entender sua ideia de que essa diversidade e etnicidade estão intimamente ligadas à geografia de ambos os países, visto que diferentes partes do país apresentam diversas expressões vindas de múltiplas culturas. Ele observou que o México é uma das nações mais ricas em termos de diversidade cultural, incluindo vários grupos étnicos e línguas que enriquecem a cultura nacional.
Ele acrescentou que a cultura nacional está integrada por todas essas diversas expressões, sejam elas locais ou mais provinciais geograficamente, e que essa diversidade confere significado ao México como país, sociedade e cultura. O embaixador também sugeriu que tal riqueza de cores e expressões pode ser encontrada no Irã.
Além desta exposição, foram organizados eventos demonstrando semelhanças entre os povos iraniano e mexicano. Por exemplo, houve um seminário na embaixada dedicado às expressões populares iraniana e mexicana. Durante este seminário, foi decidido trabalhar com um mestre iraniano dedicado à promoção das expressões populares do Irã, em particular bonecas que podem servir como decorações ou brinquedos. Existem tradições semelhantes no México.
Neste seminário, um professor iraniano criou bonecas mexicanas usando técnicas iranianas. Essas bonecas foram posteriormente exibidas na exposição Frida Kahlo e Diego Rivera no Complexo Cultural Niavaran. Esta exposição consistia em três partes: a primeira sobre bonecas, a segunda uma exposição fotográfica de instituições culturais mexicanas e a terceira um convite a artistas iranianos para interpretar a imagem de Frida Kahlo. A associação cultural iraniana selecionou cerca de 90 pinturas por conta própria.
Esta terceira parte da exposição ocorreu em Niavaran por duas semanas e foi muito bem-sucedida, atraindo cerca de 10.000 visitantes. Além disso, o próprio seminário relacionado à criação de bonecas ocorreu dentro do escopo da exposição, atraindo muitas crianças e pessoas que desfrutaram do processo de criar peças com a ajuda de professores e técnicas iranianas, mantendo ao mesmo tempo uma conexão com as culturas populares do México.
O embaixador concordou com a premissa de que a arte desempenha um papel importante na construção de pontes entre os povos do Irã e do México. Ele considera que tal diálogo é a melhor maneira de aproximar as pessoas. Ele cita como exemplos o seminário e a exposição Frida Kahlo e Diego Rivera em Niavaran, bem como a participação na Feira Internacional do Livro de Teerã e a publicação de livros na embaixada. Ele está confiante de que a união de popularizadores e artistas culturais iranianos com seus colegas no México levará a resultados positivos no futuro.
Puente Ordóriz enfatizou que se a embaixada do México puder contribuir, especialmente considerando que as novas gerações de artistas iranianos e mexicanos continuarão a colaborar, isso contribuirá para fortalecer as relações bilaterais e para um melhor entendimento mútuo que vá além dos estereótipos que são frequentemente negativos.
México e Irã mantêm relações diplomáticas há décadas, embora a intensidade da interação tenha flutuado devido a sanções ocidentais e conflitos regionais. O embaixador caracterizou essas relações como amigáveis, destacando sua base histórica que remonta ao final do século XIX. Ele expressou esperança de que os esforços para fortalecer o diálogo continuem. Ele observou que o contexto histórico mostra a existência de muitos laços importantes e espera que o fim da tensão política e dos conflitos na região permita retomar e fortalecer as relações bilaterais.
Na opinião do México, sua política externa é baseada nos princípios da Constituição, e o país sempre adere a esses princípios. Ele também mencionou que o presidente, como chefe de Estado e de governo, direciona e define a política externa do México.
Se fosse necessário definir um objetivo alcançável para as relações México-Irã nos próximos três anos — seja em comércio, esportes ou diplomacia —, o embaixador expressou esperança por relações mais sólidas no futuro. Ele está convencido de que apenas com esforços conjuntos é possível trabalhar para melhorar as relações, com base nos laços culturais que ele mencionou no início da entrevista.
O embaixador observou que o recebimento da equipe nacional do Irã na Copa do Mundo foi um bom exemplo do que ele havia dito anteriormente. Ele acredita que este pequeno, mas recente, exemplo esportivo resume sua tese sobre a aproximação das sociedades: a admiração que o México nutre pela história e cultura do Irã, e vice-versa. Após essa experiência, ele notou que as pessoas no Irã, ao saberem que ele era o embaixador do México, vinham até ele para agradecer pelo acolhimento da equipe na Copa do Mundo.
Ele esclareceu que o México coparticipou da Copa do Mundo com os EUA e o Canadá, e teve a sorte de sediar, entre outras coisas, o jogo de abertura. Em 2010, quando a África do Sul sediou a Copa do Mundo, ocorreu uma interessante analogia histórica no futebol.
