Reflexões sobre a criação de espaços seguros e novos modelos de vida
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Reflexões sobre a criação de espaços seguros e novos modelos de vida

A autora compartilha impressões sobre as viagens que seu trabalho proporciona e os encontros realizados em Londres. Essas discussões ocorreram com organizações não governamentais e religiosas internacionais que atuam na Europa e em todo o mundo.

Durante os encontros, foram levantadas questões complexas sobre como promover a justiça social em um mundo onde governos influentes e pessoas ricas parecem resistir a quaisquer iniciativas que promovam maior estabilidade, segurança e nível de vida para mais pessoas. Em vez disso, guerras e genocídios continuam, tornando a instabilidade uma realidade constante para uma parte significativa da população do planeta.

A autora observou como seus colegas de sua cidade natal, especialmente aqueles que visitavam pela primeira vez, desfrutaram da vida na cidade. Eles passavam tempo bebendo após o trabalho em pubs locais e depois jantavam com colegas que conseguiam ver pessoalmente apenas ocasionalmente. Após o fim do dia de trabalho, eles iam para seus compromissos e voltavam tarde ao hotel.

Um ponto de atenção especial foi a observação de como as mulheres do grupo se moviam sozinhas pelo Londres noturno, usando ônibus, trens e passeando pelas ruas sem medo por suas vidas. Sua experiência de descobertas e passeios turísticos era acompanhada de entusiasmo pela possibilidade de caminhar pelas ruas após escurecer e não sentir medo estando sozinhas. Para muitas delas, vivendo na África do Sul, isso foi uma experiência completamente nova.

Ao escrever estas linhas, a autora vê nos feeds de notícias e nos boletins de televisão informações sobre o assassinato da nona mulher no município de Ekurhuleni, localizado no leste de Joanesburgo. De sua participação limitada à distância, ela sabe que pelo menos uma delas era corredora. A autora, sendo corredora, observa que a beleza desse esporte é que qualquer pessoa pode praticá-lo a qualquer hora e em qualquer lugar, o que claramente não corresponde à realidade em sua cidade natal.

A autora sente vergonha por poder praticar esportes sem medo, o que ela acredita preencher os corações das mulheres que compartilham seu hobby. Ela também leu relatos de que às mulheres é aconselhado não andar ou correr sozinhas para evitar ataques. No entanto, na opinião da autora, nunca se deve considerar aceitável transferir a responsabilidade pela prevenção de assassinatos para a potencial vítima.

Esses novos eventos, na visão da autora, são uma clara manifestação da guerra que os homens travam contra as mulheres na África do Sul. O feminicídio é um problema real, e essas notícias sublinham essa realidade. Os espaços que os moradores das cidades ocupam e utilizam devem ser seguros para todos.

A autora reconhece que Londres, sem dúvida, não é perfeito e tem seus problemas, mas não é o primeiro caso em que ela observou o quão livremente as mulheres podem se mover por ele. Ela expressa o desejo de que Joanesburgo não precise de shoppings e condomínios fechados para que as pessoas possam se sentir seguras ao exercerem o direito básico de passear pelos bairros.

As discussões que precisam ser travadas na África do Sul devem se concentrar nelas mesmas e em sua capacidade de mudar o estilo de vida e o comportamento. É preciso pensar no que pode ser feito para mudar as atitudes daqueles conhecidos e pessoas com quem interage regularmente que mantêm visões sexistas e misóginas.

Existe uma necessidade de começar a imaginar uma nova forma de coexistência que melhore a vida, em vez de colocá-la em risco. É preciso dar a si mesma permissão e espaço para sonhar e inventar como pode ser um espaço residencial que permita passear sem medo de crimes e violência. Se não conseguirmos imaginar outra forma de existir e conviver, corremos o risco de fortalecer o sistema de violência, pobreza e privação que nos desumaniza e permite o tratamento cruel às mulheres. Talvez, se pudermos imaginar algo diferente e melhor, possamos intensificar a luta contra os assassinatos de mulheres por homens.

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