O Bothaus Coffee, localizado no piso térreo do escritório e laboratório de robótica da Sudo Technology, situado em uma torre na orla de Yangpu, em Xangai, foi concebido como um modesto local de recepção e exibição para a empresa de inteligência física (corporificada) e seus visitantes.
No início do desenvolvimento do projeto, o cliente solicitou um conceito incomum: o espaço deveria transmitir uma «sensação de baixa tecnologia» (low-tech feel). Essa frase intrigou a equipe, pois parecia indicar uma visão mais ampla sobre o futuro, um cenário onde a tecnologia se integra à vida diária de maneira discreta.
Historicamente, nos últimos vinte anos, os locais destinados à demonstração de tecnologia de consumo eram frequentemente projetados como ambientes frios e intangíveis, apresentando a tecnologia como algo extraordinário e distante. Antigamente, esperava-se que o ambiente sinalizasse o futuro ou funcionasse como uma profecia abstrata.
Contudo, hoje, a inteligência física tornou-se uma parte palpável do cotidiano. Os robôs não precisam mais ostentar um aspecto misterioso ou excessivamente futurista; pelo contrário, eles devem ser percebidos como parceiros competentes e confiáveis, aptos a auxiliar em tarefas diárias e processos produtivos.
Diante disso, a concepção do espaço de exposição buscou ser mais semelhante a um lar do que a um showroom. O objetivo era que a tecnologia fosse experimentada como um elemento ambiental inerente, e não apenas como um objeto visual em exposição. Em vez de afirmar que «o futuro é empolgante», o espaço visa tornar a tecnologia familiar e acessível aos frequentadores.
Literalmente, o Bothaus funciona como um habitat para robôs, que atuam como anfitriões, preparando bebidas, vendendo lanches e realizando manutenções de rotina. Embora à primeira vista pareça um local acolhedor e familiar voltado para humanos, seu arranjo, dimensões, materiais e equipamentos foram meticulosamente ajustados para satisfazer as necessidades atuais de percepção, movimentação e manipulação robótica, além dos testes, monitoramento e registros conduzidos pelos técnicos.
O programa funcional abrange uma área dedicada ao preparo de café, um espaço de apresentação, áreas de convivência e encontros informais, além de salas de reunião de variados tamanhos. Em vez de isolar essas funções em compartimentos distintos, o interior foi planejado como um ambiente fluido, onde as transições de materiais demarcam as diferentes zonas. Essa continuidade facilita a circulação dos robôs por todo o espaço, otimizando a observação e o acompanhamento.
Em relação à materialidade, o projeto emprega revestimentos de parede de baixa reflexão, pisos relativamente lisos e um teto parcialmente aparente. A incorporação de cores ricas, texturas táteis e variações sutis confere um caráter material que se posiciona entre a suavidade abstrata e a aspereza natural. A interação entre tecnologia e espaço não é um tema inédito; conforme as tecnologias avançam, nossas concepções sobre a aparência do futuro e nossas expectativas estéticas relacionadas a ele mudam em paralelo.
O Bothaus pode ser interpretado como um breve registro desse momento específico da inteligência física: um espaço que captura, em uma escala íntima, a maneira como atualmente imaginamos a relação entre seres humanos e robôs.
