Imagine que você encontrou repentinamente cerca de 800 mil rupias na sua conta pela manhã. Diante de você surgem muitas opções: comprar um carro novo ou um celular, resolver pendências domésticas urgentes, pagar dívidas, viajar, gastar em educação ou ajudar alguém necessitado. Qual opção você escolheria?
A questão não é apenas o que você compraria após receber essa grande quantia de dinheiro, mas também qual forma de gasto pode lhe trazer maior satisfação.
Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, T.H. Chan, tentaram entender essa questão. O estudo incluiu 300 pessoas da Indonésia, Quênia, Brasil, América, Reino Unido, Canadá e Austrália. Duzentos indivíduos receberam subitamente US$ 10.000 e deveriam gastar esse dinheiro em três meses. Os cem restantes entraram no grupo de controle e não receberam nenhum valor monetário.
Para aqueles que receberam o dinheiro, foi feita uma pergunta mensal sobre onde gastaram o dinheiro e qual alegria essa compra lhes proporcionou. Os pesquisadores observaram o nível de bem-estar dos participantes tanto ao final do período de gastos de três meses quanto três meses depois.
Durante o estudo, foi identificada uma tendência interessante: gastos com caridade, experiências, educação e autocuidado correlacionavam-se com o aumento da felicidade. Isso significa que o valor recebido não foi gasto exclusivamente na aquisição de bens materiais; alguns gastaram em experiências, outros em aprendizado, terceiros em autocuidado, e parte das pessoas ajudou os outros. Foi nessas categorias de gastos que se relatou um nível de felicidade mais elevado.
A parte mais curiosa do estudo é que a relação entre gastos e felicidade variava dependendo da situação econômica do país de residência. Participantes de países de alta renda experimentaram relativamente mais felicidade com presentes e compras que economizam tempo. Além disso, em comparação com participantes de países de baixa renda, a felicidade resultante do pagamento de dívidas e despesas de moradia em países de alta renda foi relativamente menor.
Isso não significa que pagar empréstimos ou pagar aluguel não traga alegria. O estudo apenas demonstra que o mesmo tipo de gasto pode ter um impacto diferente em pessoas que vivem em diferentes condições econômicas e sociais.
Outro ponto importante é que os pesquisadores acompanharam também os 100 indivíduos do grupo de controle, que não receberam dinheiro. O bem-estar geral dos participantes que receberam a renda inesperada foi maior em comparação com o grupo de controle. No entanto, esse efeito dependeu de como as pessoas gastaram o dinheiro. Assim, a conclusão direta do estudo não é que mais dinheiro significa mais felicidade.
É mais interessante o que se gasta com esse dinheiro após recebê-lo, pois isso pode estar relacionado ao bem-estar.
Com base neste estudo de Harvard, não se pode tirar uma fórmula universal única, pois a situação financeira, as necessidades e as prioridades de cada pessoa são únicas. No entanto, os resultados do estudo indicam que, se houver recursos adicionais, gastar parte desse valor em coisas como experiências, educação, autocuidado ou ajuda aos outros pode estar associado à melhoria do bem-estar. Talvez a questão mais interessante deste estudo seja: quanto dinheiro importa, ou é mais importante para onde nós o gastamos?

