Cientistas brasileiros buscam hidrogênio natural no subsolo para revolucionar a geração de eletricidade
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Cientistas brasileiros buscam hidrogênio natural no subsolo para revolucionar a geração de eletricidade

Enquanto o cenário energético mundial se concentra na produção de combustíveis limpos via processos industriais, pesquisadores no Brasil direcionaram seus esforços e equipamentos para o subsolo. O foco principal é localizar o hidrogênio natural, também denominado hidrogênio branco ou geológico, uma fonte de energia limpa que não emite poluentes, pois sua combustão resulta apenas em vapor d'água.

Nesta empreitada nacional, o Observatório Nacional (ON) desenvolveu o projeto H2GEO. Esta iniciativa emprega métodos geofísicos sofisticados para investigar, cartografar e compreender a distribuição do hidrogênio natural no subsolo brasileiro.

Diferentemente do hidrogênio verde, que requer eletrólise da água utilizando eletricidade renovável, o hidrogênio natural é gerado intrinsecamente pela Terra. Ele surge de interações químicas entre minerais ricos em ferro e água subterrânea sob condições de alta pressão e temperatura, ou através da radiólise, causada pela radiação natural das rochas.

No contexto energético, o hidrogênio é categorizado por suas «cores». Uma vantagem significativa do hidrogênio natural reside em seu custo e sustentabilidade: ele necessita apenas de energia para ser extraído, e não para ser produzido em fábricas, assim como o gás natural, mas sem emissão de poluentes, visto que sua queima produz somente vapor d'água.

Arthur Benevides, geofísico, pesquisador e professor de pós-graduação no ON, detalha que este gás possui um potencial transformador para a matriz energética atual. Segundo ele, o hidrogênio natural, ou geológico, é um gás gerado naturalmente no interior da Terra por processos geológicos e biológicos, sendo gratuito de produção. Benevides aponta que descobertas mundiais recentes indicam que este recurso pode estar presente em concentrações notáveis no subsolo, despertando grande interesse científico por ser uma nova fonte de energia de baixa emissão de carbono, auxiliando na diversificação das matrizes existentes.

Benevides enfatiza que o hidrogênio geológico está se estabelecendo como uma área de pesquisa em rápida expansão, onde a gratuidade do processo gerador natural representa um diferencial competitivo importante quando comparado aos altos custos operacionais do hidrogênio verde industrial.

O projeto H2GEO utiliza métodos geofísicos que funcionam como um «raio-X» da crosta terrestre. Essas ferramentas possibilitam mapear as características físicas do solo e identificar sinais de acúmulo de gás sem a necessidade imediata de perfurações caras e profundas.

Os cientistas do ON buscam elucidar as três fases cruciais do ciclo do hidrogênio geológico no subsolo brasileiro. Além das bacias sedimentares internas, a Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, tornou-se um ponto estratégico para as investigações do H2GEO. Medições e experimentos recentes realizados em cidades como Araruama e Maricá detectaram anomalias geoquímicas de grande valor científico.

Ao explicar o foco na faixa litorânea fluminense, Benevides mencionou que o interesse aumentou após a identificação de anomalias ligadas à exsudação de hidrogênio natural, relatada em um artigo de 2024 na região de Maricá. Novas análises geoquímicas foram feitas em colaboração com o Serviço Geológico do Brasil, ampliando a investigação por toda a Região dos Lagos e revelando outros locais de vazamento do gás. Para ele, estas provas sugerem processos geológicos ativos de geração e transporte do recurso, consolidando a localidade como um laboratório natural para estudar a dinâmica de migração e acúmulo subterrâneo do hidrogênio.

Benevides informou que os estudos contam com apoio da indústria para mapear o sistema geológico de Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Observatório Nacional, através do Laboratório de Geofísica Aplicada, um projeto financiado pela Petronas já realizou várias coletas para entender o sistema geológico de Rio de Janeiro e Minas, tornando a Região dos Lagos uma área piloto estratégica para compreender o sistema de hidrogênio ligado a essas exsudações.

A investigação na Região dos Lagos demonstra como estudos geoquímicos de superfície e subsuperfície podem definir as rotas de migração do gás. A presença de exsudações — pontos onde o hidrogênio natural emerge do subsolo — fornece pistas sobre a circulação do gás no sistema geológico.

Para mapear os reservatórios potenciais e acompanhar a dinâmica do hidrogênio sem escavações desnecessárias, os cientistas utilizam uma combinação de métodos geofísicos, geológicos e geoquímicos. Este processo é comparado a um exame de imagem médica, onde diferentes propriedades do corpo são analisadas sem intervenções invasivas.

Segundo Benevides, a análise do subsolo depende da medição de variações em parâmetros físicos entre distintos tipos de rochas e os fluidos contidos nelas. Mudanças na densidade, condutividade elétrica, magnetismo e propagação de ondas mecânicas oferecem indícios sobre a presença de gás.

Em Araruama, o ON instalou instrumentação avançada para coletar dados contínuos da crosta, incluindo levantamentos com drones, métodos eletromagnéticos e monitoramento sísmico passivo. Benevides explicou que o estudo une técnicas complementares de geofísica, geologia e geoquímica, incorporando sensores sísmicos para medir vibrações do solo, métodos eletromagnéticos para avaliar a resistividade das rochas, levantamentos magnéticos com drones e análises geoquímicas de solo e gás.

O pesquisador destacou que o diferencial reside na união dessas metodologias analíticas. «A integração dessas informações nos permite ter uma visão muito mais completa do subsolo do que se a gente utilizasse apenas uma técnica. Dessa forma, usando todo esse ferramental, a gente alimenta o conhecimento sobre a região da área de estudo e também sobre o sistema de formação desse hidrogênio natural, no caso da Região dos Lagos».

Entre os instrumentos, os sensores sísmicos são vitais para o mapeamento tridimensional. Em vez de usar fontes artificiais de ruído pesado, eles captam o «ruído ambiente» constante. Benevides detalhou que a sismologia passiva ajuda a localizar estruturas subterrâneas promissoras. «Esses sensores sísmicos registram pequenas vibrações que estão constantemente presentes no ambiente, que são geradas por fenômenos naturais e pela própria atividade humana. A partir desses registros, usando princípios físicos e através de técnicas matemáticas, nós podemos construir imagens tridimensionais da região, e essas imagens nos ajudam a identificar regiões onde as propriedades das rochas foram alteradas, seja por circulação de fluido ou alteração de temperatura ou descontinuidade. Isso fornece para a gente pistas importantes sobre os sistemas geológicos que estão associados ao hidrogênio».

A integração de dados de drones, medições eletromagnéticas e sensores sísmicos possibilita a criação de modelos geológicos de alta precisão, permitindo identificar falhas tectônicas que servem como condutos e rochas porosas que agem como armadilhas de hidrogênio.

Análises iniciais e registros geológicos apontam para a existência de emanações de hidrogênio natural em bacias sedimentares de estados como Minas Gerais, Ceará, Tocantins e Roraima. Em certas áreas, o gás escapa naturalmente à superfície, formando depressões conhecidas como «círculos de fada». Caso o projeto H2GEO confirme reservas comerciais exploráveis no Brasil, o país poderá se tornar um dos líderes globais na exploração direta desta fonte limpa e renovável. Contudo, a conversão desse potencial em mercado demanda progresso em regulamentação, desenvolvimento de infraestrutura de transporte e atração de investimentos para perfurações profundas, exigindo a integração entre o trabalho universitário, o setor produtivo e o governo.

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A revista britânica Time Out incluiu dois bairros brasileiros em seu ranking dos locais mais contemporâneos do planeta. Laranjeiras, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, alcançou a 17ª posição, enquanto a República, situada no centro de São Paulo, figura na 25ª colocação. Este ranking, divulgado nesta quarta-feira (16), apresenta um total de 40 bairros considerados os mais estilosos do momento.

Anualmente, a publicação seleciona regiões que se sobressaem pela união de boa gastronomia, vida noturna ativa, comércio local diversificado, alta qualidade de vida e forte senso de comunidade. A seleção é baseada nas sugestões da equipe editorial da Time Out, que monitora de perto as dinâmicas urbanas de suas cidades.

No ranking de 2025, o representante brasileiro escolhido foi a Barra Funda, que obteve o terceiro lugar. Em relação aos bairros selecionados para 2026, Laranjeiras foi caracterizado pela Time Out como um dos locais mais charmosos e culturais do Rio.

O bairro da Zona Sul possui diversas identidades históricas. Seu nome remonta ao período em que a área era coberta por vastos pomares de laranjeiras junto ao Rio Carioca. Posteriormente, tornou-se moradia de famílias aristocráticas, deixando como herança casarões e atrações como o Parque Guinle, que é circundado por belíssimos edifícios modernistas.

Após esse período, a região desenvolveu um perfil industrial focado na produção têxtil. Atualmente, o que atrai atenção é a coexistência dessas distintas fases: há ruas arborizadas, edificações antigas, estabelecimentos de bar integrados à rotina local, áreas verdes e uma agenda cultural que recebeu novos pontos nos últimos anos.

Para quem busca mais áreas verdes, o Parque Guinle serve como um refúgio dentro do bairro. Esta área foi antiga residência de Eduardo Guinle e atualmente abriga o Palácio Laranjeiras e um complexo residencial. O projeto do palácio está ligado à arquitetura moderna de Lúcio Costa, e seus jardins foram reformados por Burle Marx.

Na área central de São Paulo, a República ocupa a 25º lugar entre os bairros mais modernos globalmente. A escolha da Time Out deve-se à fusão de elementos definidores da região, onde arranha-céus e construções centenárias convivem com restaurantes, galerias, espaços culturais e bares que deram novas funções a locais já conhecidos da cidade.

Um exemplo notável é o Edifício Copan, um grande complexo residencial concebido por Oscar Niemeyer, que se tornou um ícone da paisagem paulistana. No térreo, a arquitetura modernista compartilha espaço com cafeterias, restaurantes, livrarias e galerias. Destaques apontados pela Time Out incluem o Bar da Dona Onça, a livraria Megafauna e a galeria Pivô.

A cena gastronômica se estende pelas vias do bairro, com locais como A Casa do Porco, de Jefferson Rueda, também elogiado pela Time Out. No Edifício Itália, outro marco da área, existe uma área de refeições no terraço com vista panorâmica para a cidade.

A dimensão cultural se manifesta em diversos pontos da República, desde o centenário Theatro Municipal até a Biblioteca Mário de Andrade. Outro ponto emblemático é a Galeria do Rock, aberta em 1963, conhecida por suas lojas voltadas à música, moda e diversas expressões da cultura urbana.

No núcleo do bairro, a Praça da República concentra parte da vida diária. Sendo uma das poucas zonas verdes do centro, ela sedia a tradicional Feira da República aos sábados e domingos, evento realizado desde 1956, oferecendo artesanato e comidas. A praça também está próxima a locais que narram a história da região, como o Cine Marabá, inaugurado em 1944.

Ao cair da noite, o Bar dos Arcos ocupa o subsolo do Theatro Municipal, que fica em frente ao Formosa Hi-Fi, enquanto o Cordial é citado como um dos bares que animam a região.

No topo da lista de 2026, Jongno 3-ga, em Seul, Coreia do Sul, liderou o pódio. O bairro ganhou um novo dinamismo noturno com os pochas, barracas de comida que começaram a atrair jovens para suas ruas no final da tarde. Paralelamente, a rua Seosulla-gil concentra lojas de joias artesanais e bares em uma área mais calma.

Em segundo lugar, encontra-se L’Ocean District, em Rabat, Marrocos. Essa zona costeira une um hotel Four Seasons a um comércio independente. Com um calçadão margeado por palmeiras, praias, cafés, arte de rua e centros culturais, o bairro está passando por uma revitalização que fortalece sua identidade criativa e seu papel como ponto de encontro.

Neos Kosmos

Neos Kosmos, em Atenas, Grécia, completou o pódio. A Time Out descreve este bairro como uma das áreas mais vivas da cidade, repleta de tabernas tradicionais e novos restaurantes de interesse.

Brasil institui política nacional para fomentar a exploração de minerais críticos para tecnologia e veículos elétricos
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Brasil institui política nacional para fomentar a exploração de minerais críticos para tecnologia e veículos elétricos

O Brasil implementou uma política nacional dedicada a impulsionar a investigação, a extração, o beneficiamento e a transformação de minerais considerados críticos e estratégicos. Esta iniciativa foi oficializada nesta quarta-feira, dia 16, e contempla um montante de até R$ 7 bilhões em incentivos para empreendimentos ligados a este setor.

A nova legislação visa criar estruturas que permitam expandir a capacidade do país de identificar suas reservas e processar esses materiais internamente, além de instituir ferramentas de financiamento, inovação e pesquisa.

Aumento de recursos para o Serviço Geológico do Brasil

Um impacto imediato desta medida será o incremento dos fundos alocados ao Serviço Geológico do Brasil (SGB). Conforme declarado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o orçamento dedicado à pesquisa sobre o solo será elevado de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões. O objetivo é intensificar o levantamento das riquezas minerais presentes no território brasileiro.

Esta ação se torna relevante visto que uma porção considerável do território nacional ainda carece de mapeamento. Dados da Agência Brasil indicam que apenas cerca de 25% do território brasileiro foi mapeado para este tipo de levantamento. O país detém aproximadamente 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, representando a segunda maior quantidade mapeada globalmente, ficando atrás da China, que possui cerca de 44 milhões de toneladas.

Criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM)

A política estabelece a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM). A União contribuirá inicialmente com R$ 2 bilhões, podendo o patrimônio total do fundo atingir R$ 5 bilhões. Esses recursos servirão para prover garantias a projetos prioritários focados na produção de minerais estratégicos e críticos.

Adicionalmente, há previsão de um programa federal para o beneficiamento e transformação desses minerais, oferecendo R$ 5 bilhões em créditos fiscais no período compreendido entre 2030 e 2034. Este benefício pode cobrir até 20% dos custos dos projetos selecionados.

Dessa forma, os R$ 7 bilhões totais associados à nova política são compostos pelos R$ 5 bilhões em créditos fiscais e pelos até R$ 2 bilhões de contribuição da União para o fundo garantidor, embora cada valor tenha propósitos distintos dentro da política.

A legislação também determina que as empresas envolvidas em pesquisa, mineração, beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos devem destinar parte de sua receita tanto ao fundo quanto às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Nos primeiros seis anos, 0,2% da receita operacional bruta deve ser destinada ao fundo garantidor, e 0,3% a projetos de P&D&I. Após esse prazo inicial, o percentual destinado a projetos de pesquisa pode subir para 0,5%.

A pesquisa e prospecção mineral também foram incluídas entre os projetos elegíveis para emissão de debêntures incentivadas, o que amplia as oportunidades de captação de capital privado para as atividades do setor.

Estrutura de Governança e Mecanismos de Apoio

A nova lei também institui o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, órgão encarregado de coordenar, planejar e monitorar a política nacional. Entre suas responsabilidades está a sugestão de políticas e ações governamentais para desenvolver as cadeias produtivas ligadas aos minerais críticos e estratégicos. A primeira reunião deste colegiado deve ocorrer aproximadamente dez dias após sua constituição, segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.

Outro instrumento previsto é a criação de um cadastro nacional de projetos. Conforme o texto aprovado pelo Congresso, os benefícios da política só poderão ser acessados por projetos devidamente cadastrados e autorizados pelo conselho. Este sistema deverá consolidar dados de esferas federais, estaduais, municipais e distritais envolvidas na atividade mineral.

A legislação também introduz o Certificado Mineral de Baixo Carbono, que é opcional, e determina que áreas com potencial para minerais críticos e estratégicos devem receber prioridade nos leilões conduzidos pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Além de auxiliar na descoberta de novas reservas, o levantamento geológico é crucial para determinar quais recursos estão disponíveis e onde eles podem ser explorados. Silveira ressaltou que o aumento do financiamento ao SGB possibilitará um conhecimento mais profundo sobre o subsolo brasileiro, visto que a área ainda não mapeada sugere a possibilidade de descobertas de recursos desconhecidos.

A política também visa fazer com que o Brasil evolua para além da mera extração. A legislação oferece incentivos para que o beneficiamento e a transformação dos minerais ocorram no próprio território nacional, etapas que permitem incorporar tecnologia e agregar maior valor à cadeia produtiva.

Com esta nova política, o governo adquire meios específicos para financiar a pesquisa mineral, dar suporte a projetos de produção e processamento, e estimular investimentos em tecnologia relacionados a minerais vitais para setores como eletrônicos, automóveis, energia e defesa.

BYD Dolphin Mini, o elétrico mais vendido no Brasil, avaliado em São Paulo
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BYD Dolphin Mini, o elétrico mais vendido no Brasil, avaliado em São Paulo

Quem está considerando adquirir um veículo novo ou trocar de carro deve considerar opções eletrificadas, visto que o mercado brasileiro de veículos leves eletrificados mais que dobrou em doze meses. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entre janeiro e junho de 2026, as vendas somaram 215.023 unidades, representando um aumento de 125% em comparação com o mesmo período de 2025 (que registrou 95.493 unidades). A média mensal de vendas neste semestre foi de 35.837, e os veículos eletrificados alcançaram 16% de participação no mercado no primeiro semestre.

Análise do BYD Dolphin Mini nas ruas de São Paulo

O portal Olhar Digital testou o BYD Dolphin Mini, que liderou as vendas no segmento, acumulando 35.680 vendas no período analisado. As dimensões do BYD Dolphin Mini são notavelmente compactas: 3,78 metros de comprimento, 1,72 m de largura e 1,58 m de altura, com um entre-eixos de 2,50 m e altura livre do solo de 155 mm. Apesar do tamanho reduzido, o interior comporta cinco passageiros, e o porta-malas oferece 230 litros, podendo expandir para 930 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Em ambientes urbanos caracterizados por tráfego intenso, ruas estreitas e dificuldades de estacionamento, o porte inferior a quatro metros do carro proporciona vantagens significativas, facilitando a manobra e o posicionamento, o que gera uma sensação de controle ao dirigir.

Apesar de ser um modelo compacto, o conforto na posição de dirigir foi percebido como satisfatório, e o espaço interno é bem aproveitado. Os bancos também contribuem para essa percepção, e o motorista pode ajustar o assento eletricamente em seis posições, sendo o revestimento feito de couro ecológico premium. Embora o autor tenha 1,85m, ele não sentiu-se desproporcional ao volante, mas notou que uma viagem no banco traseiro seria desconfortável para alguém da sua estatura.

A suspensão, equipada com conjunto McPherson na frente e eixo de torção atrás, surpreendeu positivamente. O ajuste é suave, e ao circular pelas vias de São Paulo, o carro lidou bem com as imperfeições do asfalto, sem transmitir excessivamente impactos e irregularidades para a cabine, apesar de suas limitações físicas inerentes ao tamanho.

Foco Urbano e Desempenho

É crucial entender o nicho de mercado do Dolphin Mini: ele não foi projetado para trilhas off-road nem para longas viagens em rodovias; sua vocação é fundamentalmente urbana. Nesse contexto, muitas decisões tomadas pela BYD fazem sentido. O motor elétrico dianteiro gera 75 cv e 135 Nm de torque. Os dados técnicos indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 14,9 segundos e uma velocidade máxima de 130 km/h, além de oferecer quatro modos de condução: Eco, Normal, Sport e Neve.

Contudo, a experiência de condução demonstrou que a potência máxima não define totalmente um elétrico focado na cidade. No trânsito de São Paulo, o Dolphin Mini mostrou-se bastante inteligente, respondendo prontamente ao acelerador em baixas velocidades, saindo bem nos semáforos e possuindo agilidade suficiente para retomadas e trocas de faixa típicas do ambiente urbano. Seu dinamismo reside justamente nas situações mais comuns ao motorista da cidade.

A combinação de dimensões reduzidas, direção leve e a resposta imediata do motor elétrico torna a condução do Dolphin Mini agradável no meio urbano. Outro aspecto que reforça seu caráter urbano é a bateria, disponível em duas configurações: 30,08 kWh ou 38,88 kWh, oferecendo autonomias PBEV declaradas de 224 km e 280 km, respectivamente. O carregamento AC atinge 6,6 kW, e o carregamento DC pode chegar a 30 kW na versão menor e 40 kW na maior.

O veículo também dispõe da função VTOL, permitindo que a bateria forneça energia a equipamentos externos. Para trajetos diários casa-trabalho, a autonomia é adequada, possibilitando vários dias sem necessidade de recarga, dependendo da quilometragem. Se houver acesso a um carregador em casa ou no local de trabalho, o sentido do Dolphin Mini aumenta, pois ele pode permanecer carregando enquanto estacionado.

A proposta de ser um carro urbano e simples não implicou em negligenciar tecnologia ou qualidade de acabamento, o que diferencia o Dolphin Mini de concorrentes com preços similares, mas interiores mais básicos. O painel possui 7 polegadas e a central multimídia tem 10,1 polegadas. O sistema DiLink suporta Apple CarPlay e Android Auto, conectividade 4G e comandos de voz. Além disso, há seis alto-falantes, duas portas USB e ar-condicionado digital. Algumas versões incluem carregamento por indução, embora o autor sugerisse um local mais discreto para isso no contexto paulistano.

Recursos adicionais incluem a câmera 360°, que facilita o estacionamento em vagas apertadas, e três radares traseiros. Em termos de segurança, o carro vem equipado com ABS, controle de estabilidade e tração, distribuição eletrônica de frenagem, assistente de partida em rampa, monitoramento de pressão dos pneus, freio de estacionamento eletrônico e controle de cruzeiro. Airbags frontais e de cortina estão presentes, e os airbags laterais dianteiros são opcionais na configuração GS.

Após testá-lo em São Paulo, a melhor avaliação é não forçar o carro a ser algo que não é. Ele não é ideal para quem busca alta performance, grande volume de bagagem ou viagens constantes por rodovias; é um veículo concebido primariamente para a cidade. Dentro dessa proposta, o conjunto funciona muito bem: é compacto externamente, confortável ao dirigir, ágil no trânsito, fácil de manobrar e apresenta um pacote tecnológico e de acabamento atraente para sua classe.

Embora o termo 'acessível' seja difícil de aplicar a qualquer carro zero-quilômetro no cenário brasileiro atual, considerando o acabamento, a tecnologia embarcada, a experiência de condução e o foco do Dolphin Mini, ele oferece um pacote altamente competitivo. Seu principal trunfo é não tentar ser um elétrico universal, concentrando-se em ser um excelente veículo para o cotidiano urbano.

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