Resident Evil: Uma retrospectiva da franquia de survival horror
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Resident Evil: Uma retrospectiva da franquia de survival horror

Em 22 de março de 1996, a Capcom lançou no Japão o jogo Biohazard, que surgiu de uma tentativa de reformular Sweet Home, um título de terror de 1989 produzido pelo próprio estúdio. Devido à limitada experiência da equipe com gráficos 3D e à influência de Alone in the Dark, a série estabeleceu sua fórmula característica: câmera fixa, cenários pré-renderizados e controle de tanque.

Na Europa, o título foi alterado para Resident Evil, pois Biohazard já estava registrado nos Estados Unidos por uma banda e por outro jogo. Trinta anos após seu lançamento, este projeto inicial, que seria apenas um remake, é reconhecido como o criador do gênero survival horror.

No cerne da narrativa encontra-se a Umbrella Corporation, uma farmacêutica que aparentava ser uma entidade grande e inofensiva, mas que secretamente desenvolvia armamentos biológicos utilizando o Vírus Progenitor. Este vírus deu origem ao T-Virus e a diversas outras cepas empregadas ao longo da saga.

Em 1998, um incidente na mansão Spencer revelou a S.T.A.R.S., um grupo policial de elite composto por Jill Valentine, Chris Redfield e outros membros. Esse vazamento marcou o início de um surto que, meses depois, resultaria na destruição total de Raccoon City, causando a morte de aproximadamente cem mil pessoas.

Muitos dos nomes mais famosos da franquia surgiram nesse período. Leon Kennedy, um policial recém-chegado, viu-se envolvido no caos em sua primeira noite de serviço, e Claire Redfield, irmã de Chris, dirigiu-se à cidade em busca do irmão. Ambos conseguiram escapar daquela noite e permaneceram ligados à história. Eles também encontraram Sherry Birkin, filha de um cientista da Umbrella que foi transformado em monstro pelo próprio vírus que auxiliou na criação.

Ada Wong ingressou na franquia como espiã trabalhando para Albert Wesker, antigo líder da S.T.A.R.S., que, na realidade, sempre atuou como agente duplo da Umbrella. Wesker era, inclusive, produto de um programa de eugenia da própria corporação. Após sobreviver à mansão em 1998, ele se tornou um dos antagonistas mais notórios da série, modificando-se com variantes do vírus até seu confronto final contra Chris Redfield, ocorrido em Resident Evil 5.

Após o colapso da Umbrella, Chris e Jill fundaram a BSAA, uma organização dedicada a combater tais armas biológicas globalmente. Enquanto isso, Leon assumiu o papel de agente de elite do governo americano, e Claire continuou seu trabalho contra o bioterrorismo através da Terra Save. Cada novo título expandiu essa mitologia com vírus distintos e organizações buscando controlar ou explorar essas armas, mantendo o elenco principal interagindo ao longo de quase três décadas de história. O mais recente, Requiem, encerra esse ciclo retornando literalmente a Raccoon City.

Atualmente, a franquia conta com 31 jogos, abrangendo títulos principais, remakes, spin-offs e versões portáteis, e ultrapassou a marca de 200 milhões de cópias vendidas, conforme dados da própria Capcom. Ao longo destes 30 anos, a série transitou por diversos gêneros, incluindo terror de sobrevivência, ação intensa, terror em primeira pessoa e, no jogo mais recente, uma fusão desses estilos.

Devido à vasta quantidade de conteúdo acumulado, é relevante destacar quais jogos foram preferidos pelo público, e não apenas pela crítica. Para compilar esta lista, foram analisadas avaliações de usuários na Steam, enquetes de fãs no GameFAQs e no Ranker.com, juntamente com o parecer de diversas publicações especializadas sobre a franquia.

A história apresenta Leon Kennedy, agora agente do governo americano, em uma vila espanhola isolada, acompanhando Ashley Graham, filha do presidente, que foi sequestrada por um culto denominado Los Illuminados, que infecta a população com um parasita conhecido como Las Plagas. Este evento substituiu a clássica câmera fixa por uma visão por cima do ombro, que se tornou o padrão para quase todos os jogos de ação em terceira pessoa subsequentes, sendo considerado o ponto em que a série se consolidou como um título de ação de ponta.

O remake que reconstruiu o clássico de 1998 do zero acompanha Leon em seu primeiro dia como policial e Claire na busca por Chris, ambos aprisionados na Delegacia de Raccoon City durante o surto de zumbis. Eles tentam escapar enquanto fogem do Mr. X e desvendam as ações da Umbrella contra o cientista William Birkin, servindo de modelo para como realizar um remake fiel ao original.

Após dois jogos (RE5 e RE6) focados crescentemente na ação, a série necessitava de uma reinvenção. RE7 realizou essa mudança ao migrar totalmente para a perspectiva em primeira pessoa, colocando Ethan Winters em uma jornada para encontrar sua esposa desaparecida, Mia, até uma fazenda isolada na Louisiana sob domínio da família Baker, uma trama que posteriormente se conecta diretamente com Village.

O título original é frequentemente lembrado como o ápice da era PlayStation 1, quando Leon, em seu primeiro turno como policial, e Claire, procurando Chris, se encontram no meio do caos de uma Raccoon City invadida por zumbis. Muitos consideram essa a experiência mais memorável da série, mesmo com a disponibilidade do remake de 2019.

Antes de adotar a tendência de reconstruir títulos antigos, a Capcom já havia realizado isso com o próprio primeiro Resident Evil, relançando-o para o GameCube com gráficos atualizados e cenas inéditas. Nessa versão, a trama segue o time S.T.A.R.S., incluindo Jill Valentine e Chris Redfield, investigando desaparecimentos em uma mansão isolada e descobrindo os experimentos secretos da Umbrella, sendo frequentemente citado como um dos melhores remakes e um dos melhores jogos de survival horror já criados.

Em suma, estes cinco jogos não são apenas considerados os «melhores» teoricamente, mas sim aqueles que o público escolheu ativamente revisitar, discutir e defender ano após ano. Contudo, para quem deseja conhecer toda a franquia, existe uma lista completa, indicando onde jogar cada um atualmente.

Mesmo após três décadas, a Capcom demonstra intenção de continuar. Requiem já superou oito milhões de cópias vendidas em pouco tempo de mercado, impulsionado por prêmios conquistados antes do lançamento. Paralelamente, a empresa confirmou um remake completo de Code: Veronica, agendado para 2027, trazendo de volta um capítulo muito solicitado pelos fãs que nunca recebeu o tratamento de remake dado a RE2, RE3 e RE4.

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